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Saúde mental na reta final do ano letivo exige atenção conjunta de famílias e escolas

23 de Setembro de 2026

Estudo da OCDE mostra que apoio socioemocional e ambiente escolar acolhedor reduzem impactos da ansiedade e fortalecem o aprendizado dos estudantes

A proximidade do fim do ano letivo costuma intensificar a rotina de provas, trabalhos e decisões acadêmicas, mas também aumenta a pressão emocional sobre crianças e adolescentes. O relatório Child, Adolescent and Youth Mental Health in the 21st Century, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) este ano, alerta que os índices de ansiedade e sofrimento psicológico entre jovens seguem em crescimento há uma década e reforça que expectativas excessivas, aliadas à falta de suporte socioemocional, elevam o risco de problemas de saúde mental. O estudo também destaca que escolas e famílias desempenham papel decisivo na construção de ambientes que favoreçam o bem-estar dos estudantes.

Ainda assim, nesse período do ano, é comum que pais e responsáveis concentrem as conversas em notas, desempenho e recuperação de conteúdos. Embora o acompanhamento da vida escolar seja importante, transformar o rendimento acadêmico em única medida de sucesso pode aumentar sentimentos de insegurança, medo do fracasso e ansiedade, especialmente entre alunos que já enfrentam dificuldades emocionais.

Na avaliação de Andréa Piloto, diretora pedagógica da escola Vereda, o encerramento do calendário escolar deve ser encarado como um momento de escuta e fortalecimento da confiança dos estudantes. "Os resultados acadêmicos são importantes, mas eles não podem ser conquistados às custas da saúde emocional. Quando a criança sente que será valorizada apenas pelas notas, a aprendizagem perde espaço para o medo de errar”, afirma.

A orientação para as famílias é manter uma rotina equilibrada nas semanas que antecedem as avaliações finais, garantindo momentos de descanso, sono adequado, alimentação saudável e tempo para atividades de lazer. Também é recomendável evitar comparações entre irmãos, colegas ou familiares, além de substituir cobranças excessivas por conversas que valorizem o esforço, a evolução e a organização dos estudos.

A escola também exerce papel fundamental nesse processo. Mais do que preparar os estudantes para as provas, o ambiente escolar pode oferecer segurança emocional por meio de acolhimento, diálogo e práticas que desenvolvam competências socioemocionais.

Segundo Andréa, esse trabalho precisa ser contínuo e não apenas uma resposta aos momentos de maior tensão: "A escola tem a oportunidade de ensinar que aprender envolve tentativa, persistência e autoconhecimento. Quando o desenvolvimento socioemocional faz parte da rotina, os alunos chegam aos períodos de avaliação mais preparados para lidar com desafios e frustrações”.

Outro ponto importante é observar mudanças de comportamento. Irritabilidade, alterações no sono, perda de interesse pelas atividades, isolamento, queixas físicas recorrentes e medo excessivo das avaliações podem indicar que o estudante necessita de apoio adicional. Nesses casos, o diálogo entre família, escola e, quando necessário, profissionais especializados permite uma atuação mais rápida e efetiva.

“Ao transformar a reta final do ano letivo em um período de incentivo, acolhimento e desenvolvimento integral, escolas e famílias contribuem não apenas para melhores resultados acadêmicos, mas também para a formação de crianças e adolescentes mais confiantes, resilientes e preparados para enfrentar os desafios dentro e fora da sala de aula”, conclui Andréa.

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