Reunindo fotos e trechos de obras de dez escritoras de diferentes épocas, contextos e territórios, a exposição apresenta relatos que transitam entre o íntimo e o coletivo, revelando diversas formas de viver e perceber a cidade
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| Créditos: Bruno Santos/Folhapress |
De 30 de maio a 27 de setembro, a Casa Museu Ema Klabin apresenta a exposição Habitar São Paulo: relatos femininos, com idealização do curador da casa museu, Paulo de Freitas Costa, e curadoria do núcleo educativo. A mostra convida o público a percorrer a cidade a partir de narrativas de dez escritoras, reunindo trechos de suas obras que atravessam o cotidiano, a memória e o espaço de suas casas em São Paulo. Ao transitar entre o íntimo e o coletivo, os relatos revelam diferentes formas de viver e perceber a cidade. Os trechos selecionados estarão expostos ao lado de fotografias raras dos ambientes de suas casas, que remetem aos contextos descritos pelas autoras.
A exposição busca apresentar a cidade a partir de narrativas femininas que atravessam diferentes épocas, contextos sociais e territórios. Gilda de Mello e Souza, Zélia Gattai, Rita Lee, Giovana Madalosso, Paula Fábrio, Adriele Oliveira, Helena Silvestre, Lilia Guerra, Luísa Marilac e Prudence Kalambay partem da memória íntima, familiar e coletiva para construir retratos de diferentes formas de habitar a cidade.
“São Paulo guarda muitas memórias, muitas histórias. A exposição Habitar São Paulo: relatos femininos toma emprestado o olhar e a perspectiva dessas escritoras que descreveram realidades e histórias tão particulares quanto universais, nos trazendo relatos sensíveis, trágicos, íntimos ou até engraçados. A mostra busca, assim, ampliar o olhar para uma pluralidade de vivências em uma cidade marcada por intensos contrastes”, explica Cristiane Alves, coordenadora do educativo e uma das curadoras da exposição.
Esses relatos serão apresentados a partir de cinco eixos narrativos: família, trabalho e convívio; memória de objetos e espaços; da janela para fora; percepções sensoriais; e a cidade sonhada. Organizada a partir desses percursos, a exposição se distribui pelos ambientes da casa museu e propõe um diálogo entre literatura e memória. O público também terá acesso a gravações em áudio com vozes femininas que narram os textos selecionados e a um espaço de leitura com livros das escritoras participantes, possibilitando uma maior aproximação com as obras e narrativas presentes na mostra.
“Quando realizamos a exposição Tempos de uma casa no ano passado, percebemos a importância dos relatos de Ema Klabin e de suas amigas e funcionárias na construção de uma memória mais abrangente, com uma sensibilidade especial. Para esta exposição, pensamos em expandir a experiência, trazendo histórias potentes que nos permitem enxergar toda a cidade de outra forma”, afirma Paulo Costa, curador da casa museu e idealizador da mostra.
Memórias das escritoras
Em um dos trechos selecionados, Rita Lee descreve a transformação de seu quarto diante da doença. O espaço doméstico, antes organizado em torno de objetos pessoais, torna-se extensão de um hospital improvisado. A cena, marcada por humor e intensidade, revela como os lugares que habitamos também nos atravessam e se transformam conosco.
“Tenho um gaveteiro art déco de madeira trabalhada com espelho, azulejos florais […] De um dia pro outro aquilo virou um reduto de caixas de trocentos remédios […] Levei um choque, mas entendi que meu quarto seria um puxadinho do hospital… só que radicalmente psicodélico”, trecho de Outra autobiografia (2023, Rita Lee, Globo Livros).
Já em um trecho da obra Anarquistas, graças a Deus, Zélia Gattai recupera uma São Paulo atravessada por narrativas familiares e imaginárias. A casa “mal-assombrada” vizinha não é apenas um cenário, mas um dispositivo de memória, onde o real e as “lendas urbanas” se misturam, revelando como a cidade também se constrói pelas histórias que circulam sobre ela.
Territórios invisibilizados
A exposição também percorre outros territórios da cidade, frequentemente invisibilizados. No texto de Helena Silvestre, a periferia aparece como lugar de potência e resistência. Finalista do Prêmio Jabuti 2020, Helena Silvestre, além de escritora, é ativista afroindígena, com atuação em lutas territoriais e feministas em favelas, ocupações urbanas e periferias.
Esse olhar também ecoa na escrita de Adriele Oliveira, que observa como, mesmo em meio à precariedade urbana, os moradores transformam suas casas em espaços de pertencimento e identidade. Em seus relatos, pequenos gestos revelam maneiras de inscrever afeto, memória e dignidade na paisagem. Assim, deixam marcas visíveis de resistência nos territórios que historicamente foram colocados à margem da cidade.
A cidade que cada um habita
A exposição também traz um espaço de participação no qual o público pode registrar suas próprias memórias sobre habitar São Paulo, por meio de textos, desenhos ou gravações, ampliando as narrativas propostas pela exposição.
Habitar São Paulo: relatos femininos propõe um olhar atento às múltiplas formas de habitar a cidade, evidenciando tanto suas delicadezas quanto suas desigualdades, e construindo um espaço de escuta, identificação e reflexão sobre o viver urbano.
Serviço:
Exposição: Habitar São Paulo: relatos femininos
Idealização: Paulo de Freitas Costa
Curadoria: Educativo Casa Museu Ema Klabin – Cristiane Alves, Felipe Azevêdo, Luiz Henrique Otto, Rafael Cavalcanti Peppe, Ana Clara de Almeida Valadares, Beatriz Porfírio, Daniel Falkowski, Heloísa Jesus, Melissa Oliveira
Abertura: 30/05/2026, a partir das 11h. Breve fala dos curadores às 15h
Realização: 30/05/2026 a 27/09/2026
Visitas livres de quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até as 18h; visitas mediadas de quarta a sexta, às 11h, 14h, 15h e 16h; sábado, domingo e feriado, às 14h.
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) para estudantes, idosos, PCD e jovens de baixa renda; gratuidade para crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública.
Rua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo
Sobre a Casa Museu Ema Klabin
A residência onde viveu Ema Klabin de 1961 a 1994 é uma das poucas casas museus de colecionador no Brasil com ambientes preservados. A Coleção Ema Klabin inclui pinturas do russo Marc Chagall e do holandês Frans Post, obras do modernismo brasileiro, como de Tarsila do Amaral e Candido Portinari, além de artes decorativas, peças arqueológicas e livros raros, reunindo variadas culturas em um arco temporal de 35 séculos.
A Casa Museu Ema Klabin é uma fundação cultural sem fins lucrativos, de utilidade pública, criada para salvaguardar, estudar e divulgar a coleção, a residência e a memória de Ema Klabin, visando à promoção de atividades de caráter cultural, educacional e social, inspiradas pela sua atuação em vida, de forma a construir, em conjunto com o público mais amplo possível, um ambiente de fruição, diálogo e reflexão.
A programação cultural da casa museu decorre da coleção e da personalidade da empresária Ema Klabin, que teve uma significativa atuação nas manifestações e instituições culturais da cidade de São Paulo, especialmente nas áreas de música e arte. Além de receber a visitação do público, a Casa Museu Ema Klabin realiza exposições temporárias, séries de arte contemporânea, cursos, palestras e oficinas, bem como apresentações de música, dança e teatro.
O jardim da casa museu foi projetado por Roberto Burle Marx e a decoração foi criada por Terri Della Stufa.
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