Objetivo da venture builder é completar validações definitivas em campo no portfólio de agricultura e iniciar testes clínicos no de saúde humana, além de adicionar empresas ao seu portfólio
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| Foto: Unplash |
A Vesper, primeira venture builder brasileira especializada em biotecnologia, anuncia a captação de R$ 25 milhões em nova rodada para sua holding, com meta de atingir R$ 75 milhões até o final de 2026. O aporte mais recente foi realizado por importantes investidores como membros da família Lafer, Rise Ventures e ACNext. Desde sua fundação, em 2018, a empresa já mobilizou mais de R$ 200 milhões entre capital privado e subvenção econômica, construindo um portfólio de oito empresas.
O objetivo é completar validações definitivas em campo no portfólio de agricultura e iniciar testes clínicos nas empresas de saúde humana. Além disso, a holding planeja adicionar uma a duas novas empresas por ano ao grupo, permitindo, de forma sustentável, a ampliação do grupo.
"O Brasil é referência em diversas áreas com inúmeras pesquisas de ponta, mas que muitas vezes ficam presas nas universidades. Viemos quebrar esse paradigma e para isso criamos uma metodologia inovadora no País. Somos a ponte entre a ciência e o mercado, agregando gestão, capital e estratégia de propriedade intelectual. O potencial disso é fantástico."
Gabriel Bottos, CEO da Vesper
O que a Vesper constrói no Brasil tem paralelo direto com o que empresas como Flagship Pioneering, criadora da Moderna, e Arch Venture Partners consolidaram nos Estados Unidos. Os modelos promovem que pesquisa acadêmica de ponta seja sistematicamente convertida em empresas capazes de licenciar tecnologias para grandes grupos farmacêuticos e do agronegócio, ou de abrir capital nas principais bolsas do mundo. A diferença é que, no Brasil, esse ciclo quase não existe. As farmacêuticas locais operam majoritariamente com genéricos, aguardando o vencimento de patentes internacionais para reproduzir fórmulas já testadas. O país tem universidades e institutos de excelência com capacidade científica reconhecida, mas falta a capacidade de transformar inovação em empresas inovadoras.
A Vesper funciona como esse elo. Identifica pesquisas promissoras nas universidades, recruta os cientistas, cria as empresas do zero e fornece capital, infraestrutura e gestão para que cada projeto evolua da bancada para o mercado. O modelo se assemelha ao de um fundo de venture capital, mas com uma diferença estrutural. Ao invés de investir em empresas já constituídas, a holding as constrói desde o início, capturando o upside desde os estágios mais precoces de desenvolvimento.
"Existe uma demanda global, tanto em agro quanto na saúde, que só a biotecnologia é capaz de suprir. Além do potencial retorno assimétrico dos investimentos, nossos projetos têm um propósito maior: gerar impactos reais à sociedade."
Gabriel Bottos, CEO da Vesper
Atualmente, o portfólio da Vesper reúne oito empresas distribuídas em duas verticais. Na saúde humana, a holding desenvolve terapias para câncer, doenças autoimunes, doenças infecciosas, demências e condições ligadas ao envelhecimento. Entre as empresas do segmento estão a Aptah Bio, com o maior valuation do portfólio e plano de IPO no horizonte, cujo primeiro produto projeta US$ 7 bilhões em receita anual recorrente; a Vyro Biotherapeutics, especializada em terapias com vírus modificados; a Futr Bio, focada em vacinas baseadas em RNA; a Cellertz, em terapias celulares; e a Reddot, em diagnósticos moleculares de nova geração, que já está escalando comercialmente com contratos recorrentes com importantes laboratórios do País. Na agrobiotecnologia, destacam-se a Symbiomics, que desenvolve bioinsumos para substituir fertilizantes químicos e já recebeu investimento da americana Corteva; a InEdita Bio e a Hapiseeds, com foco em edição genômica de plantas para resistência a fungos e aumento de produtividade agrícola.
A maior parte das empresas operam no hub da Vesper Bio, polo de biotecnologia com cerca de 3.000 m² de laboratórios e escritórios em Florianópolis, que reúne cientistas e gestores no mesmo ambiente.
O ecossistema de investidores da Vesper é composto por Ultra High Net Worth Individuals (UHNWIs). Membros das famílias Setubal (Itaú) e Lafer (Klabin), um dos fundadores da Natura, a ACNext Ventures e a Rise Ventures já aportaram capital na operação. No plano institucional, a holding mantém parcerias com Fiocruz, BNDES e FINEP, e conta com especialistas de referência internacional como o Prof. Paulo Arruda, membro da Academia Brasileira de Ciências, Profa Mayana Zatz da USP, o Dr. Maurice Moloney e o Dr. Rogério Vivaldi, presidente do conselho da holding que reside em Boston há 17 anos.
Em evento recente, Paulo Arruda descreveu a Vesper como algo “jamais feito no país”, uma operação que compreende os desafios dos cientistas brasileiros e sabe como transformar essa realidade em empresas de biotecnologia de classe global.
Nos dias 25 e 26 de maio, a Vesper realiza o Annual Meeting em Florianópolis, encontro fechado que reúne executivos, representantes do governo, acadêmicos, especialistas e investidores para debater a convergência entre pesquisa científica, capital e os impactos práticos da biotecnologia no Brasil e no mundo.
Sobre a Vesper
A Vesper é uma venture builder brasileira especializada em biotecnologia avançada para saúde humana e agricultura sustentável. Fundada em 2018, em Florianópolis, reúne cientistas de classe mundial para criar plataformas tecnológicas capazes de resolver grandes desafios globais. Seu portfólio conta com oito empresas e total de capital mobilizado superior a R$ 200 milhões. Mais informações: www.vesper-bio.com/pt