Durante inauguração de novas ETEs, o ambientalista Anésio de Campos relembra trajetória no Juca Vivo, se emociona com conquistas e faz um alerta sobre os desafios urgentes da região.
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| Foto: Divulgação |
Em meio às inaugurações de duas novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), em Caieiras e Franco da Rocha, nesse mês de abril, o momento foi de avanço — mas também de emoção. Para Anésio de Campos, presente ao lado do governador Tarcísio de Freitas e autoridades locais, cada entrega carrega mais do que infraestrutura: representa anos de dedicação a uma causa que se confunde com sua própria trajetória. Fundador e atual diretor do programa Juca Vivo, ele acompanha de perto a transformação do rio Juquery — e da própria região.
Mais do que obras, as novas ETEs simbolizam conquistas construídas ao longo de mais de duas décadas de mobilização. Desde 2003, com a criação do Juca Vivo, Anésio tem atuado de forma contínua na defesa do saneamento, da recuperação ambiental e do desenvolvimento sustentável da bacia do rio Juquery.
Ao ver as novas estruturas em funcionamento, o sentimento é inevitável.
“É difícil não se emocionar. A gente olha para trás e lembra de quando tudo isso era só uma ideia, um sonho que parecia distante. Hoje, ver essas estações funcionando é como ver o rio ganhando uma nova chance”, afirma.
Com quatro estações já implantadas, os avanços são concretos — mas, para ele, ainda representam apenas parte do caminho.
“Cada conquista como essa mostra que estamos no rumo certo. Mas também reforça o quanto ainda precisamos fazer. O rio já deu sinais de esgotamento, e a gente precisa ouvir isso com responsabilidade.”
Ao longo dos anos, o trabalho do Juca Vivo consolidou uma rede que integra municípios, universidades, empresas e sociedade civil. Uma construção coletiva que, segundo Anésio, é a única forma possível de enfrentar desafios ambientais complexos.
“Nada disso acontece sozinho. São pessoas que acreditam, que insistem, que não desistem da região onde vivem. Isso aqui é mais do que um projeto — é um compromisso com a vida.”
O olhar de Anésio, no entanto, está cada vez mais voltado para o futuro — e para os riscos que já começam a se desenhar.
“A crise da água já está acontecendo. A gente sente isso no clima, na pressão sobre os recursos, na mudança do nosso dia a dia. O que fizemos até agora é importante, mas o que vem pela frente exige ainda mais preparo e decisão.”
É nesse contexto que ele reforça a necessidade de fortalecer a defesa do meio ambiente na região — com mais integração, planejamento e continuidade.
“Essa região precisa estar cada vez mais unida em torno dessa causa. Proteger o rio, cuidar das nascentes, garantir saneamento… isso não pode ser algo pontual. Precisa ser uma prioridade permanente.”
Entre os projetos que simbolizam esse olhar de longo prazo está a criação do Parque Linear das Várzeas do Rio Juquery — uma proposta que une preservação ambiental, qualidade de vida e adaptação às mudanças climáticas.
Mas, mais do que projetos, Anésio fala sobre legado.
“Eu sonho em ver esse rio recuperado, com vida, com gente convivendo com ele de forma saudável. Sonho em ver essa região crescendo sem perder sua essência, respeitando a natureza. A gente conhece esse território, sabe onde estão os desafios — e também sabemos que é possível fazer diferente.”
E conclui com um tom de responsabilidade compartilhada:
“O futuro dessa região depende das escolhas que a gente faz agora. E cuidar do meio ambiente precisa ser uma decisão de todos — com seriedade, compromisso e continuidade.”
Informações sobre o lançamento
As novas Estações de Tratamento de Esgoto foram inauguradas neste mês de abril nos municípios de Caieiras e Franco da Rocha, ampliando a capacidade de saneamento da região, que integra a bacia do rio Juquery e atende cerca de 2 milhões de habitantes.
As unidades fazem parte de um conjunto de ações voltadas à universalização do tratamento de esgoto até 2027.
Anésio de Campos é ambientalista, fundador e atual diretor do programa Juca Vivo. Com uma trajetória construída ao longo de décadas na região da Serra da Cantareira e bacia do rio Juquery, é reconhecido pela atuação na defesa dos recursos hídricos, do saneamento básico e do desenvolvimento sustentável, com forte capacidade de articulação entre sociedade civil, poder público e iniciativa privada.