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Salvador e São Paulo entram no ranking de destinos mais acessíveis de 2026

11 de Março de 2026

Estudo da Expedia aponta cidades com diárias abaixo de US$150; Márcio Lacerda, CEO do Grupo Hotelaria Brasil explica ajustes operacionais e comerciais do setor para atender demanda

Fotos: Ingrid Helena

O estudo "Ranking Destinos Acessíveis de 2026", da Expedia, listou cidades com diárias inferiores a US$150, entre elas duas brasileiras: Salvador e São Paulo. O ranking inclui ainda Guadalajara, Bogotá, Mérida, Ho Chi Minh, Bangkok, Edmonton, Kuala Lumpur e Santo Domingo. O calendário de 2026, com muitos feriados em dias úteis, favorece a formação de feriadões e amplia a janela de demanda turística.

Para a hotelaria, a inclusão das duas cidades no ranking tem impacto direto. Na avaliação de Márcio Lacerda, CEO da Hotelaria Brasil e vice presidente da FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil): “Isso consolida dois eixos estratégicos claros: São Paulo como principal hub emissor e de negócios, e Salvador como destino de lazer de alta relação custo benefício para o público nacional. Em termos práticos, amplia o funil de demanda qualificada para os hotéis sob nossa gestão nessas praças e nos obriga a refinar distribuição, tarifário dinâmico e campanhas segmentadas para capturar esse fluxo adicional”.

Lacerda afirma que já há adiantamento de reservas para feriadões: “Já observamos um adiantamento de reservas para períodos de feriadões. Em alguns resorts e hotéis de lazer, o volume de consultas e reservas antecipadas para feriados está cerca de 15% acima do registrado no mesmo período do ano passado, ainda que esses números sejam preliminares e variem por cidades”.

O movimento observado nas reservas vem acompanhado por sinais de maior gasto em eventos e viagens. O Ministério do Turismo estima que o Carnaval de 2026, a maior festa popular do país, tenha movimentado cerca de R$ 18,6 bilhões, aproximadamente 10% a mais que o evento anterior, o que reforça a força do calendário festivo para a economia do turismo.

Para responder à demanda, a Hotelaria Brasil adotou planejamento de alta temporada distribuído ao longo do ano, com reforço de equipes e contratos prévios com fornecedores, além de antecipação de manutenções e revisões de sistemas (PMS — Property Management System, motor de reservas e canais). “Operacionalmente, trabalhamos com planejamento de alta temporada distribuído ao longo do ano. Também antecipamos manutenções preventivas e revisões de sistemas para entrar em cada feriado com o hotel plenamente operante”.

Foto: Ingrid Helena

A oferta ao hóspede foi ajustada mantendo a proposta de custo benefício: no lazer, o Matiz Igaratá ampliou pacotes com meia pensão ou pensão completa e adequou horários de check in/check out e recreação; nos urbanos, como o Matiz Manhattan, intensificou se a conexão com a agenda de eventos para captar estadas que combinam negócios e lazer. E com relação a precificação: “trabalhamos com política de revenue management bastante ativa, ajustando diárias e pacotes conforme pacing de reservas, histórico de ocupação e comportamento de busca em OTAs, Online Travel Agencies (agências de viagem online) e canais diretos. Em feriados, há aplicação de tarifas diferenciadas, estadia mínima e empacotamento de serviços (F&B, lazer, experiências) para elevar RevPAR (Revenue Per Available Room), receita por quarto disponível, sem comprometer taxa de ocupação”.

Também são prioridades o treinamento de equipes para gestão de filas e comunicação proativa e o uso de ferramentas digitais (pré check in, mensagens, agendamento de atividades) para reduzir atritos em períodos de alta ocupação. “Temos unidades hoteleiras nas quais as reservas diretas (feitas por meio do site, telefone ou WhatsApp) já respondem por quase 70% das vendas.”

As projeções da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) oferecem contexto macroeconômico que corrobora a estratégia das redes: a federação projeta avanço do turismo de 4,8% em 2026, com potencial de faturamento do setor de até R$ 235 bilhões, e prevê crescimento do segmento de alojamento (3,7% em 2026, alcançando R$ 28,5 bilhões). A FecomercioSP também aponta elevação nas taxas de ocupação e possibilidade de reajuste da tarifa média em mais de 10%, mesmo diante de juros elevados (Selic a 15%) e desafios como a Reforma Tributária e o fim do PERSE (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos).

Foto: Ingrid Helena

No balanço, Lacerda projeta 2026 como ano de continuidade de crescimento em ritmo mais moderado, com necessidade de disciplina em eficiência operacional e gestão de tarifas para preservar rentabilidade. “Ao mesmo tempo, seguimos atentos a pressões de custo (mão de obra, energia, insumos) e à inflação setorial, o que exige disciplina em eficiência operacional e gestão de tarifas para preservar rentabilidade em um ambiente de demanda aquecida, porém mais competitivo, completa o executivo”.

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