Em cenário de crédito seletivo e margens pressionadas, especialistas apontam que gestão estruturada será diferencial competitivo
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| CEO Ravell Nava |
| Foto: Divulgação |
O Brasil continua registrando abertura consistente de empresas. Dados oficiais indicam crescimento no número de novos negócios nos últimos anos, movimento impulsionado tanto por oportunidade quanto por necessidade diante das transformações no mercado de trabalho.
Para empresas já estabelecidas, no entanto, o cenário é mais desafiador. Empresários relatam pressão sobre margens, aumento de custos e maior seletividade no crédito, fatores que tornam o crescimento menos automático e mais dependente de organização interna.
Para Ravell Nava, CEO da BRL Educação, o ambiente econômico atual expõe fragilidades estruturais que antes ficavam diluídas em ciclos de expansão.
“Existe crédito mais seletivo, custo de capital elevado e concorrência maior. Mas atribuir a responsabilidade exclusivamente ao cenário macroeconômico simplifica demais a questão. O que observamos com frequência é ausência de estrutura de gestão e falta de clareza sobre margem e previsibilidade”, afirma.
Segundo o executivo, muitos empresários aprenderam a vender, mas não necessariamente a organizar o negócio para sustentar o lucro ao longo do tempo. Em períodos de crescimento acelerado, falhas de gestão podem permanecer invisíveis. Em ciclos de maior pressão, elas aparecem no fluxo de caixa.
Entre os sinais recorrentes estão faturamento oscilante, compressão de margens, sobrecarga do fundador, baixa previsibilidade comercial e descontrole financeiro. “Crescer sem estrutura aumenta o risco. A empresa pode até vender mais, mas comprometer sua própria sustentabilidade”, explica.
O padrão não se limita a um setor específico. Na área da saúde, que representa parcela relevante da carteira de clientes da BRL, clínicas enfrentam agendas ociosas e rentabilidade em queda. Segundo Nava, o problema raramente está na ausência de demanda, mas na precificação desalinhada, na falta de organização financeira e na ausência de estratégia clara de posicionamento.
A dinâmica se repete em outros segmentos. Empresas ampliam equipes, investem em marketing e expandem operações sem consolidar indicadores, processos e controles.
Para 2026, o executivo projeta um ambiente mais seletivo, que tende a diferenciar três perfis de empresários: aqueles que mantêm alto nível de esforço, mas sem ganho estrutural; os que aumentam faturamento, porém seguem com margem vulnerável; e os que estruturam gestão, organizam indicadores e constroem previsibilidade.
“A consolidação virá para quem cresce com método. Não se trata de reduzir ambição, mas de organizar fundamentos”, afirma.
Fundada em 2021, a BRL Educação cresceu de R$2,6 milhões em faturamento no primeiro ano para R$26 milhões em 2025, com projeção de R$60 milhões para 2026. Para Nava, o próprio histórico da empresa reforça a tese de que a previsibilidade é resultado de estrutura e não apenas de esforço comercial.
“O empresário precisa elevar o nível de consciência sobre gestão, marketing e vendas. Quando entende os fundamentos do próprio negócio, ele deixa de reagir ao mercado e passa a construir vantagem competitiva”, complementa Leandro Vaz, sócio da empresa.
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| Foto: Divulgação |
Dentro dessa lógica de consolidação e previsibilidade, a BRL estruturou um modelo de diagnóstico empresarial voltado a avaliar maturidade de gestão, organização financeira e estrutura comercial. A ferramenta funciona como ponto de partida para empresários que já operam, mas enfrentam instabilidade de margem ou falta de previsibilidade nas vendas.
O diagnóstico analisa indicadores essenciais do negócio, como eficiência operacional, clareza de precificação, consistência de geração de receita e nível de organização estratégica. A proposta é permitir que o empresário identifique gargalos antes que eles comprometam o caixa e a sustentabilidade da operação.
Para Ravell Nava, o desafio raramente está apenas no ambiente externo. “Em muitos casos, o problema não é o mercado. É o modelo interno. Quando a estrutura é frágil, qualquer oscilação externa amplia o risco.” Em um cenário de maior seletividade econômica, afirma, prosperarão as empresas que dominam fundamentos de gestão, margem e previsibilidade operacional.