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Plástica na Adolescência: Mais Cuidado, Menos Risco; Número de cirurgia plástica cresce 141%

24 de Setembro de 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos últimos quatro anos, o número de cirurgias plásticas em adolescentes cresceu 141%. Cabe ao médico avaliar com atenção redobrada todos os detalhes para que esse tipo de procedimento seja um sucesso sob todos os aspectos

Se a busca pelo rosto e o corpo perfeitos afeta intensamente a maior parte da população adulta, imagine o que “estar dentro dos padrões de beleza convencionais” significa para os adolescentes. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não deixam dúvidas sobre a importância que a aparência tem para esta faixa etária: o número de procedimentos realizados em adolescentes entre 14 e 18 anos mais do que dobrou em quatro anos – saltou de 37.740, em 2008, para 91.100, em 2012 (um crescimento de 141%). No mesmo período, o número total de plásticas em adultos subiu 38,6% (saindo de 591.260 para 819.900 procedimentos), o que significa que as cirurgias no público jovem cresceram em um ritmo 3,5 vezes maior. A participação deste grupo de pacientes no total de cirurgias também se intensificou: saltou de 6%, em 2008, para 10%, em 2012. Na avaliação do médico Marcio Castan, tais dados podem ser explicados pelo modismo, pela busca do que a sociedade impõe como ideal de beleza e a necessidade de autoafirmação perante o grupo. “Existem casos de cirurgia plástica para correção de ‘problemas reais’, como no caso da rinoplastia, que trata de um desvio de septo, por exemplo. No entanto, muitos jovens buscam nas cirurgias estéticas a resolução de todas as suas angústias, o que nem sempre acontece”, avisa o médico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Isso ocorre porque o adolescente vive uma fase de turbulência, um momento no qual está buscando a construção da sua personalidade. “Por vezes, ele acredita, assim como muitas mulheres e homens adultos, que se submetendo a um procedimento cirúrgico ele será mais aceito socialmente, aumentando, assim, sua autoestima, segurança e confiança”, diz o especialista. Por isso, é fundamental que os pais acompanhem de perto essa decisão, bem como estejam presentes na consulta médica, esclarecendo toda e qualquer dúvida que possa surgir no transcorrer da conversa, bem como se certificando a respeito da formação do cirurgião em questão – para tanto, deve-se pesquisar os dados do médico no conselho Regional de Medicina (CRM) e na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “É importante, ainda, ver se os filhos estão com reais expectativas e não usando da cirurgia plástica para mascarar algum outro problema, principalmente emocional. Além disso, acho que é necessário instruir os filhos que plástica é uma cirurgia com suas particularidades e riscos, tais como pós-operatório doloroso em alguns casos e fases de cicatrização a serem enfrentadas. O médico deve travar uma conversa franca e honesta com o paciente e seus pais, expondo com clareza todos estes pontos”, avisa Marcio Castan.

Se todos estes cuidados forem tomados, não há contraindicação ao procedimento. Isso porque não existem grandes diferenças entre a plástica realizada num adulto se comparada a de um adolescente. “Além do mais, os jovens são os pacientes com menor risco cirúrgico possível do ponto de vista físico e, em geral, têm recuperação mais rápida. Assim como nos adultos, são necessários também exames específicos de acordo com a cirurgia, como, por exemplo, uma tomografia computadorizada de face para uma rinoplastia”, explica Marcio Castan.


Entre todas as cirurgias, a lipoaspiração é a preferida das meninas (foram 211 mil procedimentos só em 2011), seguida do implante de silicone nas mamas. “Não existe idade proibitiva ou permissiva para se realizar uma mamoplastia de aumento. O que irá determinar a possibilidade disso é a total formação das mamas. Não é preciso se preocupar com a amamentação no futuro: se a técnica cirúrgica for bem empregada, o aleitamento não será prejudicado. Porém, é bom salientar que a gestação pode interferir no resultado cirúrgico”, constata o Dr. Castan.

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