Data celebrada em 27 de agosto marca mobilização permanente contra a corrupção e destaca ações de prevenção, educação, transparência e responsabilização
Neste Dia Estadual de Combate à Corrupção, celebrado em 27 de agosto, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) reafirma seu compromisso com a defesa do patrimônio público, da moralidade administrativa e do interesse da sociedade.
A atuação no enfrentamento à corrupção começa pela prevenção. Educação para a ética, transparência, orientação e incentivo à participação cidadã estão entre as ferramentas consideradas fundamentais para fortalecer uma cultura de integridade. Ao mesmo tempo, a atuação repressiva das instituições busca investigar e responsabilizar aqueles que praticam atos de corrupção.
A proposta é reforçar a compreensão de que o combate à corrupção não depende apenas da atuação dos órgãos de controle e fiscalização, mas também da participação ativa da sociedade.
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A mobilização em Santa Catarina conta com respaldo da Lei Estadual nº 19.050/2024, que instituiu a Semana Estadual de Combate à Corrupção. Durante o período, instituições públicas devem promover atividades como palestras, debates e campanhas, em parceria com entidades privadas.
Entre os objetivos da legislação estão aproximar o poder público da sociedade, divulgar o papel do cidadão no enfrentamento à corrupção, apresentar medidas práticas de prevenção e combate, incentivar a cidadania e a participação política, além de mobilizar comunidades escolares da rede pública estadual para ações educativas relacionadas ao tema.
A lei também estabelece o Dia Estadual de Combate à Corrupção em 27 de agosto. A escolha da data remete ao lançamento, em Chapecó, no ano de 2004, da campanha “O que você tem a ver com a corrupção”.
A iniciativa foi idealizada pelo Promotor de Justiça Affonso Ghizzo Neto e, posteriormente, transformada no programa Educando Cidadãos, do MPSC, que tem como Coordenador o próprio promotor.
Dentro dessa agenda de reflexão e enfrentamento à corrupção, a presença de Alberto Vannucci no Brasil representa uma oportunidade de ampliar o debate a partir de uma perspectiva internacional.
Professor titular de Ciência Política da Universidade de Pisa, na Itália, Vannucci possui décadas de pesquisa dedicadas à corrupção político-administrativa, à criminalidade organizada e à integridade das instituições. Seu trabalho busca compreender não apenas os grandes escândalos de corrupção, mas também os mecanismos e estruturas que permitem que práticas ilícitas se consolidem de forma sistêmica.
O pesquisador também é reconhecido por seus estudos relacionados à experiência italiana da Operação Mani Pulite (Mãos Limpas), episódio que marcou profundamente o combate à corrupção na Itália. A experiência tornou-se objeto de extensa investigação acadêmica de Vannucci, que procura identificar suas consequências e, principalmente, compreender estratégias de prevenção e enfrentamento da corrupção.
Sua trajetória inclui ainda colaboração com a Libera, organização italiana reconhecida por sua atuação na promoção da legalidade e no enfrentamento às organizações criminosas.
A vinda de Alberto Vannucci a Florianópolis cria uma oportunidade de aproximação entre Santa Catarina e um debate internacional sobre corrupção, integridade institucional e participação cidadã.
Mais do que uma palestra, encontros dessa natureza permitem o contato direto com conhecimentos desenvolvidos ao longo de décadas de pesquisa e experiência. Estudantes, pesquisadores, agentes públicos, profissionais, empresários e cidadãos podem ter a oportunidade de ouvir uma das referências europeias no estudo da corrupção e discutir diferentes experiências de prevenção e enfrentamento.
A presença de um pesquisador com essa trajetória também contribui para ampliar a discussão sobre os desafios enfrentados pelas democracias contemporâneas, pelas instituições públicas e pelo setor privado na construção de ambientes mais transparentes e íntegros.
A mensagem central da Semana Estadual de Combate à Corrupção é justamente a de que a integridade precisa ser construída de forma permanente. Uma sociedade íntegra se fortalece todos os dias, com instituições atuantes, cidadãos conscientes, educação para a ética e compromisso contínuo com o bem comum.
Nesse contexto, iniciativas de educação, prevenção, transparência e responsabilização caminham lado a lado e reforçam que o combate à corrupção é uma responsabilidade compartilhada entre poder público, instituições, empresas e sociedade.