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Por pouco o presidente não escapa de um golpe de Estado. Os militares estão divididos e pressionados tanto pela direita como pela esquerda. Há suspeita de que ele vai dar continuidade à política do governo anterior, com o avanço da criação de empresas estatais e apoio dos sindicatos. A carreira meteórica do presidente da República não inspira segurança e os militares são acionados para impedir que o Brasil avance em direção ao socialismo, como já vem acontecendo e sendo denunciado diariamente nos jornais, principalmente na capital da República. Há quem lembre que os militares sempre intervieram em situações de crise política e a participação, principalmente do Exército, levou ao ponto de comentaristas dizerem que eles formam um verdadeiro Partido Verde-Oliva. Não escondem as reuniões que patrocinam no Clube Militar em que políticos conservadores são convidados a participar.
A instabilidade política contamina a economia. A inflação não para de aumentar e os preços dos produtos da cesta básica sobem constantemente. Há organização para que as pessoas se aglomerem na porta dos prédios públicos na capital federal. Políticos de direita querem grandes manifestações de repúdio ao que chamam de tentativa de ameaçar a propriedade privada e a liberdade de expressão. Por sua vez, a esquerda aquece o debate acusando a elite de acumular a maior parte das riquezas do país, deixando apenas migalhas para a população pobre. Por isso sustentam que é preciso colocar o Estado a serviço dos mais desassistidos e, para isso, é preciso cobrar mais impostos da burguesia nacional e dos latifundiários, donos do agronegócio. Onde vai dar essa crise?
O público, boquiaberto, fica sabendo que, pela primeira vez na história da República, os militares armam um contragolpe à ameaça de uma ação armada pela direita. A União Democrática Nacional, liderada pelo jornalista Carlos Lacerda, defende a anulação da eleição presidencial de 1956 e quer um regime tampão, nomeado pelos udenistas de “governo de emergência". Os apoiadores do processo eleitoral dizem que isso é um desafio à Constituição de 1946 vigente no Brasil. O favorito é o ex-governador mineiro Juscelino Kubitschek, o JK, acusado pela UDN de ser um filhote do falecido Getúlio Vargas. Eleito JK, alguns militares incentivam um golpe para impedir sua posse. A crise chega ao campo militar, quando o Ministro da Guerra, Lott, se demite porque o presidente em exercício se nega a punir os golpistas. Ele organiza um contragolpe, põe os tanques na rua e o presidente em exercício, Carlos Luz, foge para um navio de guerra. O episódio, conhecido como contragolpe, garante a posse de JK na presidência da República. Ele é apelidado pelo cantor Juca Chaves de “Presidente Bossa-Nova”.
* Prof. Heródoto Barbeiro âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br.