Colunistas - Heródoto Barbeiro

Partido de um homem só

25 de Maio de 2026

Todo partido tem um líder. Ele pode chegar ao topo por decisão da maioria dos filiados ou por meio da força. A história está cheia de exemplos de homens que são idolatrados como verdadeiros deuses. Não se sabe se a figura do líder é ou não mais forte do que o próprio partido que ele domina. Uma de suas características é impedir que apareça alguém que possa contestar sua liderança e substituí-lo no poder. O líder não tem data para deixar o comando e não há sucessor em vista. Por isso, caso morra, levará consigo para o cemitério toda a estrutura partidária. Entre os exemplos mais conhecidos estão o Führer, Adolf Hitler, que se suicidou próximo ao final da Segunda Guerra, e o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista. Outro exemplo é o Duce, Benito Mussolini, que arrastou o seu Partido Nacional Fascista à extinção.

Há partidos que têm líderes poderosos e carismáticos que se preocupam com sua sucessão para manter a sobrevivência do partido e de sua ideologia. Vladimir Lênin, líder da revolução comunista na Rússia, não impediu a formação de nova liderança no Partido Operário Social-Democrata Russo, da ex-União Soviética. Ao morrer, assumiu Josef Stálin, ditador que tentou impedir novas lideranças. Outro exemplo é o democrata Winston Churchill, contemporâneo de outros líderes e peça-chave no destino da Segunda Guerra. É membro do Partido Conservador amplamente derrotado na eleição de 1945. Renuncia e assume o governo a oposição trabalhista de Clement Attlee. Cai o líder, mas o partido sobrevive.

O Partido Trabalhista Brasileiro segue o exemplo de um único líder e sem sucessor em vista. Os novos líderes são relegados a um segundo turno e o líder trabalhista concentra todo o poder em suas mãos. O poder do Estado e do partido. Novas lideranças são asfixiadas ou não sobrevivem ao carisma do líder. Getúlio Vargas é o principal construtor do Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, quando o Brasil volta à democracia em 1946. Vargas, ex-ditador durante o período do Estado Novo, se apresenta como candidato à presidência pelo PTB, se elege e governa até 1954, quando se suicida. O partido não tem líder para suceder Vargas. Está condenado ao desaparecimento político. Não é o único exemplo na história política do Brasil.

* Prof. Heródoto Barbeiro âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br

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