Uso de madeira, produção artesanal e criatividade revelam a identidade cultural na decoração
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| Com forte presença estética, o Estúdio Mula Preta apresenta criações originais, como o aparador Tetris |
O design internacional sempre ocupou lugar de referência nos projetos de interiores, mas o mobiliário e os objetos decorativos produzidos no Brasil têm conquistado cada vez mais reconhecimento por sua força criativa e identidade própria. Arquitetos, designers, paisagistas e consumidores buscam cada vez mais peças que carreguem história, originalidade e conexão com a cultura local, traduzindo a brasilidade contemporânea para os ambientes.
Esse movimento acompanha uma valorização crescente do design nacional, que combina matérias-primas locais, técnicas artesanais e referências culturais em peças que unem funcionalidade e expressão estética. Em projetos de interiores, esses elementos têm ganhado espaço como forma de trazer identidade e singularidade aos ambientes.
Para a diretora do Mundo Robusti, Maura Robusti, essa escolha também reflete um olhar mais atento dos consumidores sobre a origem e o significado dos objetos presentes nos espaços. “A brasilidade no design vai muito além da estética. Ela está no processo de fabricação, nas matérias-primas, na relação com a natureza e com o trabalho manual. Quando escolhemos marcas nacionais, valorizamos toda uma cadeia criativa que une tradição e identidade cultural”, afirma.
Entre as referências presentes nesse cenário está a mineira MAC Design, que há mais de quatro décadas desenvolve mobiliário voltado especialmente para áreas externas. Reconhecida pela produção artesanal e pelo rigor técnico, a marca utiliza matérias-primas como a madeira cumaru, espécie nobre brasileira, além de alumínio e trançados elaborados por profissionais especializados. As peças combinam durabilidade e sofisticação.
O design contemporâneo brasileiro também aparece no trabalho do Estúdio Mula Preta, fundado em Natal e conhecido por transformar referências da cultura nacional em peças de forte presença estética. O próprio nome do estúdio é inspirado na música homônima de Luiz Gonzaga, uma homenagem à criatividade e à expressividade da cultura nordestina. A marca apresenta criações originais, como a cadeira Arco, com curvas que abraçam o corpo, o aparador Tetris, com estrutura de linguagem lúdica, e a espreguiçadeira Formiga, que une conforto e design escultural.
A valorização do trabalho manual também aparece em acessórios e elementos decorativos, como mantas, almofadas e ombrelones que integram a curadoria da Une Robusti, reforçando a presença de técnicas tradicionais na decoração contemporânea.
“Existe uma riqueza muito grande no design brasileiro. Esse olhar mais atento para o produto nacional tem crescido e revela o desejo por ambientes mais autênticos e conectados com a nossa cultura. Quando valorizamos matérias-primas locais, técnicas artesanais e referências culturais, os objetos passam a representar muito mais do que função dentro da casa, ajudando a contar histórias e a construir identidade para os ambientes”, completa Maura.