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Jéssica Gaspar representa a ancestralidade e a força da mulher brasileira no Festival de Berlim

14 de Fevereiro de 2026

Pesquisadora, cantora e multiartista Jéssica Gaspar estreia no cinema internacional no longa Nosso Segredo, de Grace Passô.

Jéssica Gaspar
Crédito foto: José de Holanda


BERLIM, 14 de fevereiro de 2026 – A cantora, pesquisadora e multiartista brasileira Jéssica Gaspar faz sua estreia no cinema internacional como uma das protagonistas do longa Nosso Segredo (Globo Filmes / RT Features / Canal Brasil), que terá estreia mundial no 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), na Alemanha.

Nascida no Rio de Janeiro e radicada em Diamantina (MG), Jéssica construiu uma obra marcada por resistência, memória, ancestralidade e identidade. Agora, ela atravessa o oceano novamente rumo à Europa, desta vez não somente como cantora e compositora, mas também como atriz em um filme que dialoga diretamente com os territórios simbólicos que atravessam sua trajetória artística.

Dirigido por Grace Passô, Nosso Segredo é o aguardado longa-metragem de estreia da diretora na ficção e propõe um retrato sensível e contundente das famílias negras no Brasil contemporâneo. O filme aborda temas como o luto e a reconstrução dos vínculos familiares por meio de uma linguagem minimalista e profundamente humana, terreno onde a arte de Jéssica sempre floresceu.

A arte como resistência

Cantora, escritora, compositora, coreógrafa, artista visual, produtora independente e pesquisadora em Humanidades, Jéssica Gaspar é uma artista multidisciplinar. Sua obra transforma palco e tela em espaços de afirmação e reivindicação, conectando criação artística, saberes ancestrais e experiência vivida.

Em Nosso Segredo, Jéssica interpreta Grazi, personagem que exige a mesma intensidade e entrega que a artista imprime em sua música.
“Minha arte é inseparável do meu modo de vida. Levar uma voz forjada nas batalhas e nas belezas de ser uma mulher preta no Brasil para uma tela em Berlim é um ato de resistência necessário. É dizer que nós existimos, criamos e resistimos”, afirma.

Repercussão global e identidade

A chegada à Berlinale consolida um movimento de expansão internacional que já vinha se desenhando por meio da música. Jéssica é autora da canção-manifesto “Deus é uma mulher preta”, obra que atravessou fronteiras e chamou a atenção da supermodelo e ativista Naomi Campbell, que reconheceu na música a força simbólica da diáspora africana.

Esse diálogo global também se manifesta no sucesso de “Brisa”, colaboração com Maz e Antdot. A faixa alcançou o #1 no Beatport, tornou-se um dos maiores hits do Afrohouse contemporâneo e foi executada nos palcos do Tomorrowland Bélgica e do Tomorrowland Brasil.

Ao transitar com naturalidade entre samba, MPB e música eletrônica, Jéssica Gaspar afirma-se como uma das vozes mais versáteis da música brasileira contemporânea. Canções como “Capim Dourado”, “Emoriô” e “Brisa” somam mais de 7,5 milhões de reproduções nas plataformas de streaming e ultrapassam 1,5 milhão de visualizações no YouTube. Sua interpretação de “Juízo Final”, presente na trilha sonora da série Cidade de Deus: A Luta Não Para, evidencia sua potência como intérprete dramática, em diálogo com a tradição consagrada por Clara Nunes.

A recente turnê europeia, com apresentações na França, Portugal, Holanda, Espanha e Alemanha, foi recebida com entusiasmo pelo público, em uma celebração da cultura brasileira contemporânea — sofisticada, consciente e, ao mesmo tempo, popular e vibrante.

No Brasil, Jéssica já se apresentou em espaços culturais como Circo Voador (RJ), Auditório Ibirapuera (SP), Casa Natura Musical e no Festival de Arte Negra de Belo Horizonte (FAN). Em 2021, participou do álbum Canto Negro para Milton Nascimento, de Sérgio Pererê, interpretando a faixa Canoa, Canoa.

Foto: Reprodução/Instagram
 

Tapete vermelho e estreia mundial

No tapete vermelho de Berlim, durante a estreia mundial de Nosso Segredo, marcada para 14 de fevereiro, Jéssica Gaspar estará ao lado do elenco do filme — que inclui Ju Colombo, Mateus Aleluia, Efraim Santos e Robert Frank — não apenas como um dos destaques da obra de Grace Passô, mas como símbolo de uma geração de artistas brasileiros que vem conquistando espaços de visibilidade e influência no cenário cultural internacional.

Sua presença na Berlinale reforça a circulação de narrativas brasileiras contemporâneas em grandes festivais e amplia o repertório de representação de mulheres negras brasileiras em produções de alcance global.

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