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Retirar o útero não acaba com a TPM: sintomas persistem em até 80% das mulheres

13 de Fevereiro de 2026

Mesmo sem menstruação, os ovários continuam produzindo hormônios e provocam oscilações que mantêm irritabilidade, ansiedade e dores mensais

Foto: Divulgação

Mulheres que retiram o útero em busca de alívio para sintomas intensos de tensão pré-menstrual (TPM) frequentemente se deparam com uma surpresa: os desconfortos emocionais e físicos persistem mensalmente, mesmo sem menstruação. A explicação reside na produção contínua de hormônios pelos ovários, que provocam quedas bruscas de progesterona antes do ciclo esperado, gerando irritabilidade, ansiedade, enxaquecas, dores mamárias e cólicas em cerca de 75% a 85% das pacientes, segundo estudo publicado no Journal of Women's Health (2022), que analisou 1.200 mulheres pós-histerectomia.

A TPM, caracterizada por oscilações hormonais de estradiol e progesterona ao longo do ciclo menstrual, não depende do útero e sim dos ovários. "Antes da menstruação, há uma queda importante da progesterona, o que desencadeia sintomas como mudanças de humor, irritabilidade, ansiedade, cólicas, dor na mama e enxaqueca. Mesmo sem útero, os ovários continuam produzindo hormônios normalmente, mantendo essas oscilações e os sintomas pré-menstruais intactos", explica a ginecologista Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+.

A retirada apenas do útero (histerectomia simples) elimina o sangramento, mas preserva a função ovariana, perpetuando o ciclo hormonal. Já a ooforectomia, remoção dos ovários, induz menopausa cirúrgica, com queda abrupta de estradiol e progesterona, intensificando sintomas como fogachos, ressecamento vaginal e elevando riscos de osteoporose (até 50% maior, conforme dados da North American Menopause Society, 2023), doenças cardiovasculares e declínio cognitivo. "Quem retira só o útero continua com oscilações hormonais e sintomas; quem tira os ovários entra em menopausa abrupta, com complicações graves para a saúde a longo prazo", alerta a Dra. Ana Maria Passos.

Esses sintomas impactam diretamente a qualidade de vida e a rotina profissional. Mulheres relatam uma semana mensal "complicada", com ansiedade e irritabilidade que comprometem a produtividade no trabalho e os relacionamentos interpessoais. "Isso faz cair a qualidade de vida, pois acontece todo mês, atrapalhando o desempenho profissional e a interação com colegas", pontua a especialista.

Para mitigar os efeitos, hábitos saudáveis são aliados: atividade física regular, dieta anti-inflamatória rica em fibras, que melhora a microbiota intestinal e a metabolização estrogênica, reduzindo a dominância estrogênica responsável pela maioria dos sintomas, e acompanhamento médico contínuo, mesmo sem menstruação. Terapias hormonais, como reposição de progesterona, surgem como alternativa eficaz para perimenopausa, endometriose, adenomiose e transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), forma exacerbada da TPM. "Melhorar a dominância estrogênica com exercício, alimentação, adequação da microbiota  e reposição progesterona equilibra os sintomas, promovendo longevidade saudável", recomenda a Dra.

Familiares e parceiros têm papel crucial: compreender a oscilação mensal e oferecer apoio emocional alivia o impacto. "É essencial conversar abertamente sobre o tratamento em busca de melhora, pois a reação deles influencia diretamente o bem-estar da mulher", orienta a médica. Desmistificar a ideia de que histerectomia "resolve" a TPM é vital. Muitas optam pela cirurgia após gestações concluídas, esperando o fim dos incômodos, mas ignoram a persistência ovariana, ou os riscos da remoção total. "Mulheres pensam que o útero é o vilão, mas os ovários mantêm a produção hormonal. Retirá-los piora tudo, com sintomas relacionados ao declínio hormonal de forma abrupta, risco de osteoporose, declínio cognitivo e riscos cardiovasculares", conclui a especialista, defendendo planejamento hormonal para um envelhecimento saudável.

Sobre a Dra. Ana Maria Passos 

Com mais de 19 anos de atuação como Ginecologista e Obstetra em Porto Alegre (RS), a Dra. Ana Maria Passos atende em sua AME Clínica, onde realiza um cuidado integral na saúde da mulher. Com pós-graduação em Nutrologia e em Longevidade Saudável, ela traz um olhar atento à alimentação equilibrada e à suplementação, focando na prevenção e nos cuidados para um envelhecimento saudável.

Especialista em saúde da mulher, atua com ênfase em perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, gestação e puerpério. Reconhecida por sua abordagem humanizada e atualizada, utiliza suplementação e reposição hormonal para promover o bem-estar feminino, especialmente em mulheres acima dos 40 anos. É uma fonte confiável para entrevistas, artigos e conteúdos sobre saúde feminina, buscando ampliar o acesso à informação e promover qualidade de vida por meio de acompanhamento médico regular e terapias inovadoras.

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