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Formação de especialistas em risco logístico fortalece a resiliência das cadeias globais

9 de Fevereiro de 2026

 Por Maria Alice Domingues

Foto: Divulgação

Em um cenário internacional marcado por crises climáticas, instabilidades geopolíticas e rupturas frequentes nas cadeias de suprimentos, a formação de especialistas em gestão de risco logístico passou a ocupar papel central na estratégia das grandes organizações. Para o consultor brasileiro Diogo Nakata Casagrande, preparar pessoas para identificar e mitigar riscos é tão importante quanto investir em tecnologia e infraestrutura.

Especialista em Logística e Supply Chain Management, Diogo possui mais de 14 anos de experiência em operações internacionais nos setores de energia e petroquímica. Atualmente, atua na uma das maiores empresas do mundo no setor de petróleo e gás, liderando projetos estratégicos de gestão de riscos, logística intercontinental, otimização de estoques e continuidade operacional. Segundo ele, a resiliência das cadeias modernas depende diretamente da qualificação dos profissionais envolvidos. “Não existe operação global segura sem pessoas capacitadas para antecipar riscos”, afirma.

A estratégia defendida por Diogo tem como base a mentoria e a capacitação de novos analistas e advisors, com foco na criação de multiplicadores internos. Esses profissionais passam a atuar de forma preventiva, identificando vulnerabilidades antes que elas causem prejuízos financeiros ou atrasos na produção. “Formar especialistas dentro da empresa é transformar conhecimento em proteção operacional”, explica.

A mentoria de analistas envolve treinamento prático na avaliação de riscos críticos, considerando fatores logísticos, financeiros e operacionais. O objetivo é desenvolver a capacidade de antecipação e resposta rápida. Para Diogo, esse preparo reduz significativamente a exposição das empresas a eventos inesperados. “Gestão de risco eficiente começa muito antes da crise aparecer”, destaca.

Outro pilar é a formação de advisors em supply chain, profissionais com visão estratégica que integram dados, tecnologia e gestão. Esses especialistas apoiam a tomada de decisão em ambientes complexos e ajudam a estruturar processos mais seguros. “O advisor atua como um elo entre informação e estratégia, reduzindo incertezas”, pontua Diogo. Esse modelo contribui para a criação de uma cultura organizacional voltada à prevenção.

No campo das avaliações críticas de risco em escala global, o trabalho envolve o mapeamento de disrupções geopolíticas, pandemias, crises climáticas e riscos logísticos ocultos que impactam a movimentação de mercadorias. A gestão de risco no transporte também é tratada como prioridade, com uso de roteirização estratégica, rastreamento, telemetria, averbação de cargas e monitoramento contínuo. “Cada etapa do transporte precisa ser controlada para garantir segurança e eficiência”, afirma.

Auditorias internas e análises de conformidade complementam essa estrutura, avaliando fornecedores, operadores logísticos e demais atores da cadeia internacional. O foco é garantir não apenas eficiência, mas também segurança dos colaboradores e cumprimento de normas. “Risco logístico envolve ativos, pessoas e reputação, não apenas custos”, ressalta Diogo.

MBA em Data Science e Analytics pela USP/ESALQ, Diogo Nakata Casagrande defende o uso de metodologias consolidadas, como o framework COSO, aliado às ferramentas da Logística 4.0 e à análise de dados. Para ele, empresas que investem na formação de especialistas deixam de reagir às crises e passam a se antecipar. “Preparação é o que garante continuidade operacional em um mundo cada vez mais instável”, conclui.

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