Cultura - Teatro

Premiada artista Andréia Nhur apresenta curtíssima temporada do solo Mulher Sem Fim no CCSP

25 de Março de 2025

Criado em 2017, o espetáculo já passou por diversas temporadas no Brasil e no exterior, com apresentações em São Paulo e em festivais internacionais, como na Bolívia e na Bélgica. Entre os destaques, estão o Danzénica, FITAZ, Festival de Dança de Londrina, Dança à Deriva e Festival Internacional da Novadança

Mulher Sem Fim
Créditos: Paola Bertolini

Mulher Sem Fim é um espetáculo multiartístico e multilíngue, criado e dançado por Andréia Nhur, em criação colaborativa com Paola Bertolini e os grupos sorocabanos Pró-Posição Dança e Katharsis Teatro. No solo, figuras históricas de mulheres são representadas por gestos, cantos e textos da artista. Entre outras referências, são levados à cena fragmentos de Emma Bovary, Lady Macbeth, Carmen Miranda e Dadá, a cangaceira. Constituído por pequenos quadros narrativos, a obra propõe uma reflexão sobre a construção cultural da mulher no aspecto social, afetivo e subjetivo. As apresentações desta temporada são gratuitas e acontecem de 17 a 20 de abril (quinta a sábado, 20h; e domingo, 19h), no Centro Cultural São Paulo.

O trabalho anuncia relações corpóreas e sonoras sobre construção do feminino, opressão, liberdade, loucura, devaneio, poder, resistência e infinitude, por meio de uma proposta estética que mistura dança contemporânea, teatro, música e performance. A estrutura cênica se ancora na fisicalidade e na vocalidade, trazendo questões femininas e feministas em movimento intermitente.

Tangenciando as narrativas críticas da opressão e fracasso do corpo feminino diante do patriarcado, o solo abre frestas para uma outra abordagem: não se trata de uma peça-denúncia, mas de uma peça-dança-multilíngue enunciada por um corpo que constrói e destitui exaustivamente sua cisgeneridade para dar vasão a leituras e reflexões abertas sobre a condição feminina.

A peça propõe um corpo constantemente trespassado por ecos de mulheres presentes nas memórias de diversas culturas, traçando uma dramaturgia de transformação corpórea. Em constante transformação, a artista desenha e apaga sua própria condição de gênero, por meio de citações de outras mulheres. 

“São várias narrativas que se encerram e chegam nas outras”, sintetiza Andréia, reforçando no entanto que o que conduz "Mulher Sem Fim" é a narrativa de mulheres vivendo nos limites do que suas culturas oferecem. Como definiu o crítico boliviano Mijail Zapata, “corpo e feminismo são os dois materiais que formam o canto de ‘Mulher Sem Fim’”.

Sinopse Curta

Mulher sem fim é uma peça multiartística que transita entre dança, teatro, música e performance para edificar um corpo constantemente trespassado por ecos de mulheres presentes nas memórias de diversas culturas. De Madame Bovary a Lady Macbeth, passando por Carmen Miranda, o trabalho traça uma dramaturgia da transformação corpórea de uma performer que desenha e apaga sua própria identidade de gênero, por meio de citações de outras mulheres.

Sobre Andréia Nhur

Multiartista e professora no Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP. Tem graduação em Dança pela UNICAMP e doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com estágio doutoral no Departamento de Dança da Universidade de Paris 8 (França). Já se apresentou em festivais internacionais de dança, teatro e performance em Portugal, Bélgica, Argentina, Bolívia e Brasil, em solos e colaborações. Em suas últimas criações, está interessada nas relações entre movimento e voz como criadores de desenhos sonorocoreográficos. 

Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios, entre os quais: Prêmios de Melhor Atriz no FITUB 2007 e 2013; Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pela pesquisa em dança em 2013; Indicação ao Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor atriz em 2015; Prêmio de Melhor Atriz no FESTE 2013; Prêmio Denilto Gomes 2017 (Cooperativa Paulista de Dança) de melhor intérprete de dança; Indicação ao Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor espetáculo de dança em 2017. No cinema, protagonizou o curta-metragem “A sombra da terra” (premiado em mais de 80 festivais internacionais), ao lado de Paulo Betti, além de roteirizar, dirigir e atuar no curta “O cisne, minha mãe e eu”(exibido em mais de 6 países e premiado no Hollywood Indie Film Festival, Los Angeles Short Film Awards e Música em Foco, entre outros). 

Em 2020- 2021, foi professora visitante da Ghent University (Bélgica), com bolsa CAPES e desenvolveu pesquisa junto ao Departamento de Musicologia da UGent. Em 2023 e 2024, integrou o elenco do espetáculo Mutações (Prêmio Shell 2024), ao lado de Luís Melo, sob direção de André Guerreiro Lopes.

Apresentações e Festivais de Mulher sem fim 

Circulação Paulista (Tatuí, TUSP Bauru, TUSP Ribeirão Preto, São Paulo e Sorocaba, 2023)

Mostra Mulheres que Inspiram -2022 (São José dos Campos)

Sesc Ribeirão Preto - 2022

Mostra Mulheres em Cena – 2021 (São Paulo)

Festival Internacional da Novadança -2021 (Brasília)

Destelheide Center -2020 (Dworp/Bélgica)

Mostra Uns e Outros – Curitiba - 2019 (Brasil)

Sesc Sorocaba – 2019 (Brasil)

FITAZ-Festival Internacional de Teatro de La Paz – 2018 (Bolívia)

Mostra Latino-Americana de Dança- São Paulo -2018 (Brasil)

Mostra Mirante na Dança – Botucatu- 2018 (Brasil)

Festival Internacional de Dança de Londrina – 2018 (Brasil)

Teatro da Universidade de São Paulo – São Paulo/2017 (Brasil)

Mostra Só Solos - São Paulo/2017 (Brasil)

Danzénica - Encuentro Internacional de Danza Contemporánea em La Paz - 2017 (Bolívia)

Ficha Técnica

Texto, Criação e Performance: Andréia Nhur

Colaboradores: Janice Vieira, Paola Bertolini e Roberto Gill Camargo

Iluminação: Roberto Gill Camargo

Produção e Fotos: Paola Bertolini

Assistente de produção: Fernando Vitor 

Operação de luz: Felipe Fly Hirano

Serviço

Mulher Sem Fim

Temporada: 17 a 20 de abril de 2025, quinta a sábado, 20h; e domingo, 19h

Local: Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 - Liberdade, São Paulo - SP, 01504-000)

Duração: 45 minutos

Classificação: Livre

Ingressos: Grátis (Chegar com 2h de antecedência e retirar na bilheteria do CCSP)

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