Cultura - Teatro

Fernanda Stefanski estreia solo Véspera no dia 12 de abril no Teatro Arthur Azevedo

26 de Março de 2024

Espetáculo nasce do encontro entre as personagens G.H., de Clarice Lispector, e Ofélia, de William Shakespeare

Créditos: Ligia Jardim

Duas potentes personagens femininas de universos, épocas e contextos completamente diferentes inspiram a criação do solo inédito Véspera, escrito, dirigido e estrelado por Fernanda Stefanski. O espetáculo estreia no dia 12 de abril, no Teatro Arthur Azevedo, onde segue em cartaz até o dia 28 do mesmo mês, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.

O texto nasceu a partir do encontro entre as personagens G.H., extraída do romance “A Paixão Segundo G.H.”, da autora brasileira Clarice Lispector (1920-1977), e Ofélia, criada pelo bardo inglês William Shakespeare (1564-1616) na peça “Hamlet”. A ideia é propor um mergulho na psique feminina, cruzando as trajetórias de duas personagens icônicas, em uma investigação sobre loucura, identidade e liberdade. 

A ação de Véspera é o percurso de transformação existencial de Ofélia, uma mulher que, a partir do término de uma relação amorosa, mergulha em uma aventura de reconstrução de seu passado e de sua história. Ao sofrer uma metamorfose de si mesma, Ofélia perde a sua concepção de mundo – a maneira como ela se conhecia até então – para conquistar a ressignificação de sua existência. 

O encontro de Ofélia com G.H. é um choque de mundos, no qual duas mulheres se entrelaçam e desafiam os limites da racionalidade e da realidade, questionando representações da opressão feminina, convenções sociais e o peso das expectativas alheias.

Nesse cruzamento de universos, Véspera é um vislumbre profundo sobre a condição da mulher na sociedade, sobre a natureza da loucura e sobre os labirintos da mente humana. O encontro entre elas, mais do que a fusão de duas personagens, é a sobreposição de dois universos simbólicos que nos convidam a explorar as profundezas da alma feminina e os mistérios da condição humana.

Véspera faz parte da Trilogia do Desencanto, juntamente com NÓS (2022) e A Grande Obra (2023), que tem como ponto central uma pesquisa sobre a desilusão, a partir de um estudo do romance de Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.

A linguagem da peça extrapola os limites do teatro dramático, mesclando elementos do drama, da performance e da arte-tecnologia. Vemos em cena uma Ofélia às avessas, em uma proposta de atuação que expande os limites da cena acabada e adquire um contorno performativo, no qual o obsceno assume o centro da ação. 

O espetáculo propõe uma relação direta com o espectador, na qual a protagonista expõe as etapas íntimas de um processo de desconstrução de si, buscando libertar-se de um "eu" objetificado e aprisionado no modelo ficcional da heroína-trágica e tecendo uma reflexão sobre gênero, revolução e transgressão.

Despida do desejo de persuadir o espectador acerca de um discurso lógico, a espinha dorsal da dramaturgia se estrutura na tensão entre a narrativa dramática da tragédia Hamlet e a travessia metafísica de A Paixão Segundo G.H. 

A personagem de Clarice surge em Véspera como a mão invisível que conduz o processo de metamorfose da personagem shakespeariana e traz para o centro da cena as palavras não ditas de Ofélia: seus fantasmas, sua lucidez radical e a esperança de evitar que seu final trágico se repita. Dissecando a equação "loucura e morte", massivamente presente nas representações de personagens femininas em ficções, o espetáculo questiona o modelo ficcional da "mulher-louca-suicida", que, muitas vezes, se estende às nossas relações cotidianas. 

Ao longo de uma noite insone, a Ofélia de Véspera realiza uma aventura, deixando de ser uma personagem narrada pela perspectiva alheia, para apropriar-se de suas palavras e adquirir a dimensão de sujeito, movida pelo desejo de reescrever o desfecho de uma das mais famosas e influentes tragédias da cultura ocidental. 

Da fusão da personagem emblemática de Clarice com uma das personagens mais famosas de Shakespeare, surge uma Ofélia que se questiona sobre vida e morte, amor e ódio, obediência e transgressão. Uma Ofélia dividida entre ser e não ser, entre passado e futuro, entre o que a história insiste em perpetuar e o que sua consciência deseja libertar.

Sinopse

Após ser declarada morta, afogada em um rio, Ofélia retorna à cena de seu suposto suicídio para reconstituir a verdade sobre sua morte. Sozinha pela primeira vez em muito tempo, ela invade um teatro interditado e revela detalhes íntimos de sua vida. Misturando sonho e realidade, Ofélia reescreve sua história e altera o desfecho de uma grande tragédia.

Ficha Técnica

Concepção, Direção, Dramaturgia e Atuação: Fernanda Stefanski

Projeto Audiovisual e Tecnológico: André Zurawski

Cenografia e Desenho de Luz: Marisa Bentivegna

Figurinos e Adereços: Chris Aizner

Trilha Sonora e Desenho de som: Arthur Decloedt e Charles Tixier

Interlocução Artística: Bruna Betito

Fotografia: Ligia Jardim

Registro Audiovisual: Otavio Dantas

Arte Gráfica: André Zurawski e Fernanda Stefanski

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Gerenciamento de Redes Sociais: Zava

Intérprete de Libras: Fabiano Campos

Produção: André Zurawski e Fernanda Stefanski

Assistência de Produção: Larissa Miranda

Apoio: Oficina Cultural Oswald de Andrade, IBT - Instituto Brasileiro de Teatro, Espaço das Pequenas Coisas, EAI - Espaço de Artes Integradas

Serviço

Véspera, de Fernanda Stefanski

Temporada: 12 a 28 de abril de 2024*

Às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h

Sessão extra, quinta, dia 25 de abril às 20:00

Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca

Ingressos: gratuitos – distribuídos uma hora antes de cada sessão

Classificação: 16 anos 

Duração: 70 minutos

Capacidade: 50 lugares

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

*Sessões com intérprete de Libras: 14 e 21 de abril

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