Colaboradores - Tânia Voss

Exclusivo: entrevista com o cantor Oswaldo Montenegro

31 de Julho de 2018

Ele vem chegando para a alegria dos fãs que o acompanham a décadas ...  Mais um grande nome da  música popular brasileira. Dessa vez, uma entrevista com o Poeta dos poetas, Oswaldo Montenegro. Um presente para o público de várias gerações e uma honra para uma jornalista, como eu. Gentilmente, Montenegro atendeu nosso site e falou com o coração, contou fatos da vida e carreira de sucesso, e detalhes sobre a nova turnê.

A serenata marcou a vida de Oswaldo Montenegro. Toda semana, seus pais, rodeados dos boêmios de São João Del Rei, saiam pelas ruas cantando e parando embaixo de uma janela amiga que, dali a quatro acordes era aberta e, em seguida, a porta escancarada convidava a todos para um café, pão de queijo, carinho e mais canções dentro da residência escolhida. Montenegro se tornou músico por isso e liga, até hoje, a arte à amizade e ao afeto.

Por ter morado em Brasília, escreveu músicas em vários ritmos, para inúmeras trilhas de teatro, cinema, balé, mas o “Serenata” é um show formado pelas canções que ele cantaria numa ruela pouco iluminada dos caminhos de sua infância, nos caminhos da infância que os seresteiros da cidadezinha povoaram de poesia, como “A Lista”, “Lua e Flor”, “Bandolins” e outras canções famosas desse trovador.

Esse espetáculo foi criado pela necessidade urgente de Oswaldo retornar para um lugar do passado que, se o ritmo acelerado da cidade grande não permite que aconteça, dentro dele, e de quem for assistir, está mais vivo do que nunca.

O show é composto por músicas que ele fez influenciado por esse ambiente. A formação de dois violões, flauta e bandolim, também remete às noites enluaradas de Minas Gerais.

Veja agora o que pensa, seu ídolo, Oswaldo Montenegro:

CV- Primeiramente gostaria de dizer que é um prazer entrevistá-lo, meu poeta preferido. Nesses quase 30 anos de carreira, não tive a oportunidade mas o acompanhei na maioria dos seus shows. Como se sente hoje, dono de uma carreira reconhecida não só no Brasil mas mundialmente? Você imaginou que isso acontecesse, um dia?

OM-"Não imaginava. Na verdade, nunca fiz planos para a carreira e nem supus que ela duraria tanto, mas sou grato por essa permanência. Acho um privilégio poder trabalhar no que gosto. Criar tem sido não só o meu ofício, mas a maneira que encontrei de me manter saudável mentalmente."

 

CV- Para a maioria das pessoas você é um grande poeta, um dos melhores desse planeta, e sabe falar com o coração. Ser chamado de Poeta te incomoda ou envaidece?

OM-"Gosto de ser chamado assim, embora a primeira coisa que nasceu em mim tenha sido a música. Meu primeiro trabalho remunerado foi como instrumentista. As palavras surgiram na minha vida, inicialmente, para completar as canções. Depois escrevi textos sem música, músicas sem letras, roteiros e trilhas. Mas a maior parte do tempo sou um cancionista e, na origem, sou um músico."

CV- Sempre escreveu músicas em vários ritmos e estilos. Mas qual sua preferência e o que o identifica mais?

OM-"Minha preferência não sei dizer, realmente gosto de estilos variados, mas acho que sou identificado prioritariamente pelas canções mais barrocas, medievais ou renascentistas que componho. Toda a minha face resultante de São João Del Rei, Minas Gerais, onde morei na infância, parece exercer no público uma força maior de identificação com o que faço."

CV- Esse show, especialmente, te remete ao passado. Saudade? Família? Fale um pouco dessa necessidade agora? Fale sobre "A Serenata"

OM-"Há uma diferença nem sempre clara entre o que gostamos e o que somos. Nesse show, homenageio o que realmente sou, um trovador. Isso nasceu nas serenatas de São João Del Rei. Conviver com os boêmios da cidade, andando com os meus pais de madrugada, me definiu. E principalmente definiu pra mim a arte como sendo um lugar de afeto. Durante a vida, mostrei nos shows as coisas que mais gosto e, nesse, apresento o que sou. Por isso, pus no repertório minhas composições mais aparentadas com aquele ambiente de lampiões, ruas estreitas e lua cheia."

CV- Você é um artista premiado, décadas de sucesso, irreverente, surpreendente e completo. O que te agrada mais, hoje em dia? Cinema, Música, Leitura? Qual sua preferência?

OM-"No cinema, as artes se misturam e por isso ele tem minha preferência. Ali, podemos brincar com música, teatro, artes plásticas, literatura. Acho que no futuro as fronteiras entre as artes vão se diluir cada vez mais."

 

CV- Como você sente a Música Popular Brasileira? Ela ganhou ou perdeu espaço na mídia?

OM-"Há muito tempo não ouço. Tenho dedicado muita atenção à trilhas de cinema, balé e música de outros séculos. Mas acredito que a canção é uma arte que foi protagonista no século XX e agora deixou de ser. Embora nunca se tenha feito tanta música no mundo e no Brasil, ela, com raras exceções, aparece como trilha. Trilha de filmes, séries, novelas, peças de teatro, balés, jogos eletrônicos ou até mesmo da personalidade de algum artista, que acaba chamando mais a atenção pelo carisma do que pela obra."

 

CV- O Perfume da Memória foi premiado no “Open World Toronto Film Festival” (Melhor Som e Música), no “California Film Awards” (Melhor Filme Estrangeiro) e classificado para o “Richmond Film Festival”(EUA). Qual a sua sensação? O que tem a dizer dessa grandiosidade?

OM-"Fico feliz. Principalmente porque foi um filme feito com muito amor. Um filme sem patrocínio, que banquei com a grana que a música me proporcionou e com a ajuda de uma equipe que colocou o trem pra andar com paixão e generosidade. Tenho gratidão por essas pessoas terem ajudado tanto o meu sonho e  cada prêmio comemoro como uma recompensa pela amorosidade com que se jogaram no projeto."

CV- Uma mensagem aos fãs que estão torcendo para a chegada desse grande show em São Paulo.

OM-"Estou torcendo também. Serenata é, além de show, um encontro, uma experiência que vivemos em conjunto com a plateia. Pra isso, conto no palco com músicos maravilhosos: Sergio Chiavazzoli, no bandolim, Madalena Salles, na flauta, e Alexandre Meu Rei na viola de 12 cordas. Eles embarcam no conceito serenata a ponto de tocar, às vezes, no meio da plateia. Batemos papo com as pessoas e atendemos aos pedidos do público, como deve ser em qualquer serenata."

Show- Tom Brasil

Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio - SP

Data: 04/08/2018

Horário de início do show: 22h   

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