Colaboradores - Valéria Calente

Cuidados ao se submeter a um procedimento médico

26 de Julho de 2018

Na última semana, a trágica morte ocorrida após um procedimento médico tem sido amplamente veiculada pela imprensa. Na realidade, trata-se da tragédia anunciada. Não existem simples procedimentos.

Trata-se de ato médico, regido pela LEI Nº 12.842, DE 10 DE JULHO DE 2013.

 “Art. 4o  São atividades privativas do médico:

III - indicação da execução e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias;”

O Conselho de Medicina, através das sedes estaduais e do conselho federal fiscaliza o exercício da profissão médica.

No caso recente, o médico envolvido teve seu registro profissional cassado.

Foi noticiado pela imprensa que realizava os atendimentos em local inadequado, sem qualquer condição de assepsia e higiene.

Vivemos um momento de inversão de valores. Das relações liquidas. Da busca do corpo perfeito.

Nem tudo vale a pena.

Trata-se da sua vida e da sua saúde. Isso não tem preço. Pesquise. Não se decida pelo melhor custo/beneficio sob sua ótica, mas naquilo que for mais seguro.

Se você pretende fazer um procedimento, se isso é importante para você, se vai elevar sua auto-estima, faça-o  com segurança.

Pergunte os riscos, os cuidados pré e pós-operatórios, as implicações a curto, médio e longo prazo. Esgote todas as suas dúvidas. Realize os exames laboratoriais pré-operatórios, se forem necessários.

 

Cheque o histórico do profissional.

Isso pode ser feito no site do CREMESP.

Veja se o profissional médico está regularmente inscrito e qual seu Registro de Qualificação de Especialidade, através deste link:

http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=GuiaMedico&pesquisa

Verifique as instalações em que vai ser realizado o procedimento e verifique se as licenças necessárias foram obtidas.

De acordo com a ANVISA O PMMA (polimetilmetacrilato), substancia plástica, em formato de microesferas, pode ser usado para corrigir rugas e restaurar pequenos volumes perdidos com o envelhecimento.

Mas nem a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica nem a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomendam o uso do produto para fins estéticos. A exceção seria o uso em pacientes portadores de HIV/Aids, para corrigir a lipodistrofia causada pelos medicamentos.

Esta indicação também e prevista pela ANVISA em portaria de 2009.

O PMMA, no censo de 2017 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, foram necessárias 4.432 cirurgias plásticas reparadoras para corrigir os defeitos decorrentes da aplicação dessa substância, entre eles, pode causar complicações, como a formação de nódulos, enrijecimento da região, infecção, alergias, dor crônica, rejeição do organismo e até necrose do tecido.

Existem alternativas seguras, como a prótese de silicone ou lipoescultura. Apenas um médico especialista tem condições de avaliar o melhor procedimento, caso a caso, e fazê-lo com segurança para o paciente.

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