Colaboradores - Tânia Voss

Mamonas Assassinas - Saiba tudo sobre o grande musical em entrevista exclusiva

25 de Junho de 2018

O Musical Mamonas retorna a São Paulo para única apresentação e  integrantes contam todos os detalhes e particularidades dos ídolos que marcaram uma geração.

Sucesso de público e crítica, visto por mais de 85 mil pessoas por todo o país, o Musical  conta a trajetória dos Mamonas Assassinas. Desde a sua estreia em março de 2016, O Musical Mamonas é sucesso por onde passa. Após se apresentar em mais de trinta cidades pelo país, conquistar diversos prêmios, entre eles o de melhor espetáculo pelo “Guia da Folha”.

Ele retrata de forma divertida a história dos “Mamonas Assassinas”, com apresentação no Tom Brasil, dia 30 de junho. Ela faz parte da tour 2018 do espetáculo, com patrocínio da BB Seguros, que passará por algumas cidades do país e será a última tour do espetáculo. Uma excelente e única oportunidade para os fãs de São Paulo relembrarem os grandes sucessos da banda e se divertirem com as histórias retratadas com texto de Walter Daguerre.

 “A dramaturgia não é linear e sim irreverente, como o perfil teatral do Mamonas Assassinas. O olhar dos cinco meninos de Guarulhos está retratado no texto. É como se o Dinho, Bento, Samuel,

 Júlio e o Sérgio contassem a trajetória do grupo desde o tempo em que eram desconhecidos, quando animavam festas de condomínios, até o reconhecimento nacional”, detalha o autor Walter Daguerre. 

“Os Mamonas são herdeiros diretos de Oscarito e Grande Othelo. De Dercy Gonçalves. Do Velho Guerreiro e dos Trapalhões” acrescenta o diretor José Possi Neto. Na temporada 2018,  os atores Rafael Aragão, Jessé Scarpelini, Pedro Reis, Igor Santos, Arthur Ienzura e Reginaldo Sama (vencedor da Dança dos Famosos 2017) formam o quinteto que teve uma carreira apoteótica nos anos 90 e que, num terrível acidente aéreo, há 20 anos, deixou a cena pop brasileira. “Eu jamais ousaria encenar essa aventura se não encontrasse verdadeiros talentos para encarná-los”, revela o diretor.

 

Foto: Paula Kossatz
 

A idealização e realização do espetáculo é dos produtores associados Rose Dalney, Marcio Sam e Túlio Rivadávia “Nossa intenção é sempre inovar realizando algo que represente nossa identidade brasileira, teatro musical com a alegria e irreverência que é própria do nosso país, e os Mamonas Assassinas são um dos principais representantes dessa irreverência.” comenta Túlio Rivadávia.

 Os produtores contam que o trio não apenas produziu, mas também colaborou em todo o processo de elaboração da trama. Walter Daguerre, o mesmo autor de “Jim, o Musical” traz para o texto uma estética de brincadeira que permeia todo o espetáculo, apresentando a mesma descontração e escracho que a banda demonstrava dentro e fora dos palcos. A direção de José Possi Neto constrói uma narrativa não linear como forma de explorar ainda mais o humor. Os figurinos de Fábio Namatame, entre eles as fantasias de presidiários, Robin e Chapolin, ressaltam a comicidade do Musical.

O espetáculo tem arranjos inéditos e releituras adaptadas que também compôs canções originais e paródias com a colaboração de todo o elenco. A banda toca ao vivo no palco e é composta

 por cinco músicos, responsáveis por levar ao coração do público sucessos como “Vira-Vira”, “Robocop Gay”, “Sabão Crá-Crá” e “Pelados em Santos”. Vanessa Guillen é a responsável pelas coreografias.  A luz é de Wagner Freire e cenário de Nello Marrese.

Entrevista exclusiva

CV- De quem partiu a ideia da montagem do Musical? E como foi a escolha dos integrantes?

Túlio Rivadávia: "A ideia partiu de uma conversa informal entre amigos onde surgiu a questão: por que não um musical dos "Mamonas Assassinas"? Ficamos com aquela frase nos rondando e resolvemos partir pra cima! Somos uma empresa que busca realizar musicais com conteúdos nacionais, comum à nossa memória afetiva nacional. Quando digo somos, falo do trio que compomos a Miniatura9 Produções, eu, Márcio Sam e Rose Dalney. Fomos atrás dos familiares para a liberação dos direitos, convidamos o Walter Daguerre, premiado autor para escrever o texto e o mestre José Possi Neto para assumir a direção. Realizamos a primeira montagem em 2015 e estreamos em março de 2016 quando se completava 20 anos da partida dos Mamonas. Para a escolha do elenco realizamos 15 dias de audições para a primeira montagem e 07 dias de testes para esta segunda montagem. Foram mais de 1200 candidatos inscritos, uma maratona para encontrar verdadeiros talentos para contar essa história. Temos tido um excelente resultado, estamos na segunda montagem, passamos por mais de 35 cidades em todas as regiões do país e um público de mais de 85 mil pessoas que já assistiram o espetáculo que é casa lotada por onde passa, temos muito orgulho do que construímos com este espetáculo! "

 

Foto: Paula Kossatz
 

CV- Mamonas marcou gerações e deixou muita saudade. Como é interpretar o Dinho, o personagem mais engraçado do contexto?

Rafael Aragão: " Os Mamonas marcaram a minha vida, como a de muitos brasileiros. Nunca imaginei conhecer os Mamonas na infância, era algo muito distante pra mim. Hoje, me sinto íntimo dos cinco meninos de Guarulhos, principalmente do Dinho. É muito louco "ser" o vocalista dos Mamonas toda semana. Primeiro que é uma hiper mega responsabilidade misturada com um prazer quase orgástico. Cada um tinha as suas características, ele com certeza era o mais moleque e engraçado. O melhor de fazer o Dinho é que tem muitas coisas que ele faz e fala no espetáculo que eu, Rafael, não faria na vida real, talvez por medo de julgamentos alheios, mas quando estou no palco coloco tudo pra fora. Ele toma conta de mim. É um privilégio! "

Foto: Paula Kossatz
 

CV-  Como vocês encaixaram na peça o triste e trágico momento da morte dos meninos,  já que a maioria do público é infantil?

 Túlio Rivadávia: "É simples, nós simplesmente não mencionamos o acidente nem a partida deles em momento nenhum do espetáculo. O que se vê em cena é a história de cinco garotos que lutam por um espaço no mercado e muito mais que isso, pela realização de um sonho, o sonho da música. O espetáculo passa uma mensagem positiva de crença nos sonhos, de superação, irreverência e alegria. Foi um consenso entre toda a equipe, especialmente entre nós, Walter e Possi. Nunca pensamos mostrar claramente o acidente, todos sabemos como a história deles acaba, é lugar comum e seria indelicado. Nosso propósito é divertir e emocionar pelo talento nato deles de nos divertir. Temos um público infantil mas não é foco, é consequência. Pela plateia passam várias faixas etárias, famílias inteiras, e muitos que eram criança na década de 90 e que hoje vão pela nostalgia."

Foto: Paula Kossatz
 

CV- Qual o momento de maior destaque do  Musical?

Túlio Rivadávia: "Acredito que na sequencia de Pelados em Santos e Robocop Gay, o teatro se transforma num grande show, a plateia vibra é uma catarse!" 

Rafael Aragão: "Existem vários momentos que eu, particularmente, adoro fazer. Ver a plateia cantando junto comigo "Peladios em Santos" é emocionante, "Mundo Animal" também é uma delícia, mas a plateia vai a loucura com "Robocop Gay", as pessoas cantam, gritam, aplaudem e até dançam sentadas, é lindo de ver. 

Existe a cena do discurso que o Dinho fez no Ginásio do Tomeuzão em Guarulhos. É um grande desabafo depois deles terem sido humilhados naquele mesmo lugar há 5 anos. É a personificação da frase "Os humilhados serão exaltados". Fazer esse discurso, pra mim, é a melhor parte do espetáculo. Consigo ver a plateia de perto, olhar nos olhos deles, a grande maioria esta chorando ou fazendo sinal de positivo com a cabeça. Neste momento não é apenas o Dinho que vomita aquelas palavras, mas sim eu e todos os artistas que já tiveram ou tem o seu sonho de viver de arte pisoteado e rebaixado por outra pessoa. "O IMPOSSÍVEL NÃO EXISTE!" . Frase dita pelo Dinho neste discurso que hoje levo para a vida."

 

Foto: Rodrigo Rosa
 

CV- A família dos garotos do Mamonas Assassinas assistiram o espetáculo e qual foi a reação deles?

Túlio Rivadávia: "Assistiram desde os ensaios. Preparamos um ensaio surpresa para o elenco com eles na plateia, foi um dos momentos mais emocionantes de todo o projeto até hoje. A reação deles de surpresa e emoção tanto pela homenagem quanto por poderem reviver um pouco a memória dos meninos através dos atores. Todos os familiares nos deram muito suporte, sempre que podem estão na plateia, trocam informações com os atores, preparam almoços e os convidam, é uma troca muito legal e sudável. São pessoas muito boas e que desde o incio estiveram nos apoiando e prontos à contribuir".

CV- Durante a turnê qual a cidade de maior recepção e público? E quais as perspectivas do Musical após a apresentação em São Paulo.?

 Rafael Aragão: "Este musical é muito bem recebido por onde quer que chegue. O público vai das lágrimas até as gargalhadas extremas. Existe sim uma pequena diferença de reação em cada cidade. São Paulo o público sempre muito animado, Fortaleza um público moleque (no melhor sentido) , Salvador virou quase um show, mas no Rio de Janeiro... ah o Rio... loucura do começo ao fim. Quase todas as plateias embarcam com a gente numa única energia "Mamonica", por isso é tão bom fazer esse espetáculo. É uma troca mútua de fortes emoções e energia entre a plateia e o elenco.Esperamos a mesma receptividade que São Paulo nos deu desde o início, uma platéia carinhosa e calorosa.  Depois de São Paulo a turnê segue pelo Brasil, ainda vamos para o Nordeste e centro-oeste. Um desejo? Vida longa a este musical e que todo mundo possa assistir. Não vão se arrepender."

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