Colunistas - Heródoto Barbeiro

Tem mais algum?

11 de Abril de 2018

Ele era considerado um sonhador, uma pessoa que vivia em uma  realidade que só ele percebia. Fez um esforço enorme para convencer a opinião  pública  do seu país que sua ideia era uma proposta para se acabar com as guerras para sempre. Era alvo de críticas jocosas. Deus organizou o mundo com apenas 10 mandamento. O presidente precisou de 14, diziam os seus críticos. Woodrow Wilson propôs, nos seus 14 Pontos,  que todas as nações do mundo se reunissem em uma organização internacional e que todos os conflitos fossem resolvidos através de negociações e não mais de guerras. A primeira guerra mundial tinha deixado uma herança de dez milhões de mortos  e a destruição de muitos povos, especialmente na Europa. Wilson bem que tentou. Passou o último ano viajando pelos Estados Unidos até  ser atingido por um ataque cardíaco. Arrastou-se até o final do mandato. Ele assistiu o Congresso rejeitar a participação do seu pais na Liga das Nações. Que destino poderia ter uma organização internacional sem a participação da maior potência econômica e militar do planeta? Morreu em 1924. Era um estadista.

Dom Pedro I.Woodrow Wilson e Winston Churchill 
 

Gostava de cuidar do jardim. Tinha mais de 80 anos e se afastou da política. Nem mesmo o  fato de ter recebido o Premio Nobel de 1953, pela obra A Segunda Guerra Mundial, mudou seus hábitos simples. Durante o conflito assumiu o posto de primeiro ministro britânico com os nazistas nos calcanhares da Albion. Winston Churchill, assolado pela derrota do exército no continente e a ameaça de um desastre em Dunquerque e a oposição que queria assinar a paz com Hitler, tinha pouco tempo para decidir. Seria mais fácil iniciar uma negociação com os nazistas e permitir que eles se voltassem contra seu inimigo ideológico, a União Soviética. De outro lado teria que se submeter ao domínio da Alemanha e seus aliados. Optou por resistir. Avisou a todos que só teriam sangue, suor e lágrimas. Correu o risco de ser derrubado do poder pela oposição que queria por fim na guerra a qualquer custo. Os Estados Unidos demoraram para ajudar. Durante 60 dias a aviação inimiga bombardeou Londres. Nunca tantos deveram tanto  a tão poucos, foi a sua mensagem referindo-se aos pilotos da RAF depois que os nazistas desistiram da invasão da Grã Bretanha. Perdeu as eleições  logo depois. Era um estadista.

Não  aceitou a ameaça que a constituição só seria aceita se fosse digna do chefe.  Trabalhava com seus irmãos e membros da oposição para transformar o Brasil em um país constitucional, moderno e liberal. Combateu arduamente a escravidão e mais de uma vez disse que isso envergonhava o pais. José Bonifácio bateu de frente com o candidato a déspota, o imperador dom Pedro I. Teve tempo para decidir se ficava ao lado dos áulicos, dos amigos do imperador, dos que bajulavam o poder e usufruíam das benesses do governo, ou permanecer fiel aos seus ideais liberais adquiridos na Europa da revolução francesa. O embate se deu na assembleia nacional constituinte e D. Pedro quando percebeu que Bonifácio e seus apoiadores ganhavam espaço, não teve dúvida, mandou a tropa cercar o prédio. O homem que tinha se empenhado pela independência do Brasil, montado a estrutura do novo estado, combatido a resistência das tropas portuguesas, foi preso. Exilado na França, retornou  ao país onde tinha vivido parte de  sua juventude. Depois de seis anos voltou e concordou em assumir a tutela do filho de seu inimigo. A estabilidade do seu pais era mais importante. Era um estadista. Na sua  opinião falta algum brasileiro nesta lista?

 

  • Heródoto Barbeiro é âncora e editor chefe do Jornal da Record News, emissora aberta de notícias.

 

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