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Incontinência urinária afeta a vida de mais de 10 milhões de pessoas no País

2 de Março de 2018
 

O problema é duas vezes mais comum no público feminino. Cerca de 35% das mulheres, com mais de 40 anos e após a menopausa, apresentam algum grau do distúrbio

Com o intuito de mobilizar a opinião pública e a sociedade civil no mês em que é lembrado o Dia Mundial da Incontinência Urinária, a SBUSP – Sociedade Brasileira de Urologia, Seccional São Paulo, promove campanha educativa na mídia e caminhada no Parque do Ibirapuera – ponto turístico verde da cidade paulistana, marcada para o dia 17 de março, sábado, às 10h.

 

O evento, que contará com a presença de autoridades públicas representando o Estado de São Paulo, tem como objetivo chamar a atenção para o diagnóstico e tratamento do problema. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia, o problema atinge 35% das mulheres com mais de 40 anos, após a menopausa e em 40% das gestantes. No mundo, o problema afeta aproximadamente 5% das pessoas.

 

A doença é caracterizada pela perda involuntária de urina provocada pelo desgaste e perda do tônus muscular na região pélvica tratando-se da incontinência de esforço ou por uma hiperatividade da bexiga. Já a perda de urina por urgência é nos casos de bexiga hiperativa. Nessas condições, o problema tem picos na menopausa e após os 75 anos.

 

Na mulher adulta, a incontinência urinária de esforço é a principal causa, tendo como fatores de risco fatores que aumentem a pressão abdominal como tosse crônica, obesidade, gravidez, cirurgias pélvicas, que resultam em enfraquecimento do esfíncter, que é um músculo que segura a urina e também do assoalho pélvico. o ato de urinar.

 

O simples fato de espirrar, tossir, correr, rir, pular ou levantar peso pode intensificar o distúrbio. “A incontinência urinária é um problema de saúde pública no mundo todo. Além de provocar uma mudança radical na rotina desses pacientes, leva ao distanciamento, problemas de depressão, isolamento e exclusão social”, explica Dr. Flavio Trigo, urologista, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, especialista em Incontinência Urinária do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.

 

No homem, embora o problema seja mais difícil de acontecer, acomete 5 a 10% daqueles que foram submetidos à cirurgia para retirada da próstata devido a um câncer. “Dos pacientes que operam, aproximadamente 20% ficam com algum grau de perda urinária, normalmente em pequenos volume.”, diz Trigo.

O diagnóstico tem início com a investigação clínica do paciente identificando-se os sintomas. O tratamento numa fase inicial do pós operatório pode ser feito com mudança do estilo de vida e fisioterapia no assoalho pélvico e na bexiga.

 

Tratamento

Nos casos em que não houver recuperação, recomenda-se o tratamento cirúrgico. Este tratamento pode ser realizado com o implante deslings, que funciona como um suporte que sustenta a uretra ou esfíncter artificial que é uma válvula sintética que substitui o esfíncter original lesado na cirurgia. Em casos de bexiga hiperativa, o tratamento é feito com medicamentos, fisioterapia e, em caso de falha (bexiga hiperativa refratária) com o uso de toxina botulínica e implante de um marca-passo da bexiga, chamado de neuromodulação sacral -, um dispositivo de estimulação elétrica da raiz nervosa responsável pelo controle da bexiga.

 

A boa notícia é que, desde 2014, novos tratamentos para a incontinência urinária foram incluídos no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como implante do esfíncter urinário artificial em homens que sofrem de incontinência urinária, após a remoção cirúrgica da próstata, toxina botulínica, neuromodulação e outros. Além disso, novos medicamentos, e um novo dispositivo de esfíncter artificial que já está sendo testado na Áustria.

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