Cultura - Teatro

Festival QUE ABSURDO

28 de Fevereiro de 2018
Divulgação

A CANTORA CARECA encerra a trilogia apresentada no Festival QUE ABSURDO! De forma rotativa, estão sendo exibidas montagens, com textos do “Teatro do Absurdo”, termo criado pelo crítico americano Martin Esslin, em 1961, e que engloba várias obras, de diferentes autores, que utilizam o inusitado, a total falta de sentido, para discutir a linguagem e as relações humanas.

Já estão em cartaz as peças AS CRIADAS e UMA PEÇA POR OUTRA e em 16 de fevereiro o Grupo Tapa estreia a montagem inédita A CANTORA CARECA, de Eugène Ionesco , com direção de Eduardo Tolentino de Araujo.

A Cantora Careca é considerada a primeira obra da corrente batizada Teatro do Absurdo. Escrito em 1949 pelo francês Eugène Ionesco (1909 – 1994), o texto é irônico, com diálogos absurdos que levam a total impossibilidade de comunicação entre os seis personagens. Em uma das cenas mais conhecidas dois estranhos conversam sobre a vida, onde moram, filhos e por fim descobrem que são casados.

“Depois do Holocausto e de Hiroshima, qual o sentido das palavras, do teatro, da vida? É a partir da ausência total de sentido que Ionesco escreve o libreto para sua musa absurda: “A cantora careca”. Temperamental como uma diva que se preze, ela não compareceu a estreia, no minúsculo Teatro de La Huchette, no bairro boêmio e existencialista Saint Germain de pré, em Paris. Atônito, o público ainda compareceu a mais vinte e quatro sessões esperando que a prima dona desse o ar da graça, para então, cansados de esperar por uma Godot que não vinha, abandonassem a sala junto com a carreira do espetáculo. Foi só em 1957, que imperceptíveis fricções gerassem a explosão atômica que abalou o teatro ocidental com radiações que permanecem até hoje, quando a montagem da “Cantora” completa sessenta e um anos na mesma Huchette, mesmo sem a presença da dita cuja.

É que de lá pra cá, o absurdo ou insólito, como preferia o autor romeno, só proliferou. São torres gêmeas, homens bomba e as redes sociais. Para não falar dos tristes trópicos, claro, com seus Reis Momos republicanos e democratas. Enquanto isso, as pessoas comuns discutem quem deve ser expulso da casa ou quem deve ser o máster chefe, mesmo sem sentir o sabor do que está sendo preparado. Enfim, toda essa digressão ou nariz de cera, foi por causa da pergunta de uma vizinha, fã de teatro, no elevador. “Mas quem é essa cantora? Eu nunca ouvi falar. É famosa?”

Pois aí vai: A cantora não é uma celebridade, na verdade é mera coadjuvante ou melhor, uma figurante que não aparece no filme . Seis pessoas se encontram para um sarau em uma sala pequeno burguesa. Falam do clima, contam piadas, discutem coisas banais etc... Nada muito diferente do que se conversa em uma sala de bate-papo virtual. O assunto nunca ultrapassa os limites da celulite, mas tudo com muita paixão. O sentido vai se esvaziando até que as palavras se transformem apenas em sons. Um humor ácido corrói o que sobra de nós porque com diz uma das criadas de Genet: “É preciso rir, antes que o trágico nos leve pela janela”. Com a montagem da “Cantora Careca”, o Grupo TAPA e Grupo das Dores completam uma trilogia do Absurdo. “As criadas” é um poema sinfônico para três solistas, sobre o poder. “uma peça por outra” é um intermezzo divertido, cujo tema é o próprio teatro. “A cantora Careca” é uma obra de câmera para um sexteto afinado capaz de tocar uma música dissonante.”

Eduardo Tolentino de Araujo

Diretor

 

As Criadas:

De 12 de janeiro a 4 de fevereiro: sextas e sábados, 20h30, domingo, 19h

De 21 de fevereiro a 12 de abril: quartas e quintas feiras, 20h30.

 

Uma Peça por Outra:

De 24 de janeiro a 8 de fevereiro: quartas e quintas feiras, 20:30h.

De 17 de fevereiro a 15 de abril: sábado, 20h30 e domingos às 19h.

 

A Cantora Careca:

De 16 de fevereiro a 14 de abril:

sextas, 20h30, e sábados, 19h.

Ingressos: R$ 50,00 / R$ 25,00

 

Passaporte:

Para ver três peças: R$ 90 | R$ 60 meia

Para ver duas peças: R$ 70 | R$ 40 meia

Bilheteria do teatro abre 2h antes do início do espetáculo.

Pela Internet: www.ingressorapido.com.br | 4003-1212

Teatro Aliança Francesa

Rua General Jardim 182 – Vila Buarque. Capacidade: 226 lugares + 4 PNE.

Estacionamento conveniado em frente.

Informações: (11) 3572-2379

www.teatroaliancafrancesa.com.br

 

Sobre os espetáculos:

As Criadas de Jean Genet

Direção: Eduardo Tolentino de Araujo

O espetáculo "As Criadas" está no repertório do Grupo Tapa desde 2015. A direção é de Eduardo Tolentino de Araujo, e no elenco estão as atrizes Clara Carvalho, Mariana Muniz e Emilia Rey.

Escrita por Jean Genet (1910 - 1986) em 1947, “As Criadas” é um clássico da dramaturgia francesa. Reconhecido como escritor de extraordinário talento e admirado por escritores como Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre, Genet escreveu a maioria de seus textos durante os anos em que esteve preso, o que confere características bastante únicas a sua obra. Sua inspiração para “As Criadas” foi um caso real ocorrido na França, das irmãs Papin, que mataram a patroa e sua filha no ano 1933.

 

UMA PEÇA POR OUTRA

De: Jean Tardieu

Direção: Brian Penido Ross e Guilherme Sant`Anna

Uma Peça Por Outra apresenta esquetes curtas que satirizam a comunicação e as convenções teatrais. A peça apresenta um pot-pourri das peças curtas de Jean Tardieu , multipremiado dramaturgo francês, falecido em 1995, expoente do teatro do absurdo ao lado de Ionesco, Beckett e Pinter.

O tema central é a discussão da linguagem. A constatação da inutilidade das palavras para o entendimento. Cada história brinca de forma criativa e divertida com as questões mais críticas da comunicação humana, ou a falta dela, testando , escutando, pesquisando como ela funciona para então partir para a desconstrução.

As esquetes são atemporais e percorrem várias décadas. O espetáculo volta ao teatro Aliança Francesa, mesmo palco onde foi apresentado ao público de São Paulo pela primeira vez, em 1987, em montagem assinada pelo Grupo Tapa, com direção de Eduardo Tolentino de Araujo.

 

 

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