Colunistas - Bem Estar e Saúde

Cuidado para a brincadeira não virar acidente

19 de Janeiro de 2018
Foto: Divulgação 

Em época de férias, especialistas alertam para os riscos de traumatismos infantis e reforçam as orientações de prevenção

No período de férias escolares, a diversão faz parte do dia a dia da criançada. Com mais tempo livre, as brincadeiras costumam ser acompanhadas dos colegas e em locais variados e, até mesmo, em casa. Mas, atenção! O momento pede mais cuidado dos adultos. Isso porque elas acabam ficando mais expostas ao risco de traumas e lesões causados por ações violentas, seja química ou física, como quedas, batidas, intoxicação e queimaduras.

Segundo o neurocirurgião, André Borba, se não houver atenção desde o início, existe o risco de problemas graves. “O trauma pode causar desde um pequeno incômodo até uma lesão intracraniana. É preciso atenção integral à criança. Até ações consideradas simples, como brincar no pula-pula ou crianças correndo que acidentalmente batem a cabeça, podem gerar traumas críticos”, alerta.

Um dos problemas mais comuns em crianças é o traumatismo craniano. Em crianças, as quedas podem ser causas de lesão cerebral. Em alguns casos de crianças pequenas, esses traumas podem ser um dos primeiros sinais de abusos ou maus-tratos.

“Embora existam mecanismos anatômicos que relativamente protegem a criança vítima de trauma, nem sempre são suficientes. Quando ocorre essa situação, a criança pequena pode não conseguir transmitir a gravidade do problema por apresentar limitações óbvias na comunicação. Então, os pais precisam ficar alertas a alguns sinais, tais como mudança no padrão alimentar e de sono, irritabilidade, vômitos, choros aparentemente sem motivo e qualquer alteração no comportamento habitual”, reforça o neurocirurgião André Borba.

De acordo com a médica Viviana Sampietro Serafim, da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Anchieta, a prevenção é o melhor que se pode fazer pelas crianças. “Como se encontram em fase de crescimento e desenvolvimento, estão sujeitas a diferentes formas de trauma craniano, que vão desde aqueles ocorridos por acidentes automobilísticos ou até quedas na própria casa. Por isso, a necessidade de o responsável jamais deixar crianças menores sozinhas. No caso de transporte, é obrigatório utilizar os sistemas de segurança de que o veículo dispõe”, diz.

Ela lembra que na internação, os casos complexos envolvendo alto impacto e com lesões em vários segmentos, abrange uma equipe composta por cirurgião especializado, além de ortopedista e neurocirurgião. “Desde o atendimento emergencial, os pediatras têm conhecimento da fisiopatologia para assegurar o melhor manejo de crianças com traumatismo”, complementa.

E quando o paciente é liberado, os familiares ou responsáveis são orientados com relação a eventuais alterações que possam ocorrer. “Felizmente, a maioria dos casos tem boa recuperação e sem maiores sequelas. Caso anormalidades venham a surgir após a alta, especialmente em lactentes de baixa idade, recomenda-se o retorno imediato ao hospital”, conclui a médica.

Dicas importantes para evitar traumatismo infantil:

 

·          Uso de capacetes para ciclismo, skate, patins, hipismo;

 

·          Travar a grade do berço

 

.          Travar a alça e usar o cinto do bebê conforto;

 

·          Colocação de redes ou barras nas janelas;

 

·          Não utilizar andadores;

 

·          Evitar que a criança se aproxima de lajes ou vãos livres altos;

 

·          Evitar que a criança se aproxima de portões próximos a escadas;

 

·          Uso de cinto de segurança e acessórios apropriados para crianças no banco traseiro dos automóveis;

 

.          Atenção para o uso correto e necessário de bebês-conforto, cadeirinhas e assentos elevadores de acordo com a idade da criança;

 

.         Evitar crianças menores de doze anos no banco da frente. O próprio air bag do carro pode ser causa de trauma para esses pequenos.

 

O principal tratamento do trauma na criança é impedir que ele aconteça. Essa responsabilidade é sempre dos adultos, por mais levado que seja o pequeno.

Comentários
Programa Compartilha Brasil