Sexta-Feira | 27 de Outubro de 2017 | 13h34

COM DIREÇÃO DE ROGÉRIO TARIFA INÚTIL CANTO E INÚTIL PRANTO PELOS ANJOS CAÍDOS

 ESTREIA NA ESCOLA DE ARTE DRAMÁTICA (EAD) DA USP

 

A partir dos textos dramáticos Barrela, Mancha Roxa e do conto Inútil Canto e Inútil Pranto pelos Anjos Caídos do dramaturgo santista Plínio Marcos, a montagem é um ato espetáculo musical que propõe um estudo sobre o encarceramento no Brasil.

 

A peça conta com a participação da cantora sul-africana Ndu Siba, egressa da Penitenciária Feminina da Capital. 

 

 

Quando os seres humanos vão concretizar na socidade conceitos tão caros como Liberdade, Igualdade, Justiça e Democracia?

 

Foi sobre esse e outros questionamentos que os atores do último ano da EAD/USP, Turma 66, se debruçaram para a criação do espetáculo INÚTIL CANTO E INÚTIL PRANTO PELOS ANJOS CAÍDOS, dirigido por Rogério Tarifa. A estreia acontece dia 25 de outubro, quarta-feira, às 20h30, no Teatro Laboratório da Usp, e segue até o dia 5 de novembro.

 

O diretor, já conhecido por seus trabalhos na Cia do Tijolo e na Cia São Jorge de Variedades, assina sua segunda direção na Escola. A primeira foi Canto para Rinocerontes e Homens, que ganhou o prêmio Aplauso Brasil de melhor espetáculo de grupo e fundou a Cia Teatro do Osso. Já há algum tempo, Tarifa queria trabalhar com a temática do encarceramento no país. 

 

“No início deste ano, quando explodiram os levantes nos presídios em vários estados, resolvi trazer um pequeno conto do Plínio, o Inútil Canto e Inútil Pranto Pelos Anjos Caídos, que narra uma rebelião ocorrida em Osasco nos anos 70 de presos que viviam em condições sub-humanas. No fim, os detentos que ainda esperavam julgamento, após se rebelarem por melhores condições botando fogo em colchões, acabam morrendo violentamente queimados”, adianta.

 

Os textos Barrela e Mancha Roxa, também do autor santista, entraram na dramaturgia ajudando a debater temas específicos dos cárceres masculino e feminino, respectivamente.

 

Coro Canto Butô

 

A montagem tem a direção musical de William Guedes e composições de Jonathan Silva, ambos parceiros de Tarifa na Cia do Tijolo e vencedores do Prêmio Shell de Teatro. Um dos destaques foi a transformação integral do conto de Plínio sobre a rebelião em Osasco em música. A versão será cantada em coro pelos 19 atores em cena.

 

Marilda Alface, mestre em butô, preparou corporalmente o elenco a partir das técnicas da dança japonesa surgida no pós-guerra e que teve Kazuo Ohno como um de seus expoentes. A peça conta ainda com a cantora Ndu Siba, sul-africana e ex-detenta da Penitenciária Feminina da Capital, integrando o elenco como convidada especial.

 

O resultado é um ato-espetáculo musical que denuncia as condições precárias e complexas dos cárceres brasileiros e a política de encarceramento em massa da população mais desfavorecida socialmente. “O nosso canto é para que essa situação mude no Brasil e para que possamos debater e refletir sobre esse assunto quase sempre deixado de lado”, finaliza.

 

Show Mulheres Livres

 

Uma das parceiras do projeto foi a professora de canto convidada da EAD Carmina Juarez. Há dois anos, a docente desenvolve um coral dentro da Penitenciária Feminina da Capital (PFC) com mulheres vindas de várias partes do Brasil e do mundo. Trata-se de uma parceria do Coral da Universidade de São Paulo com a instituição estadual.

 

Algumas participantes da atividade entraram em contato com a universidade, tão logo se encontraram em liberdade e, a partir de alguns convites para apresentações, o grupo de canto Mulheres Livres foi criado. Compondo a temporada do Inútil Canto e Inútil Pranto Pelos Anjos Caídos, o grupo com 11 cantoras de distintas nacionalidades vai se apresentar às terças-feiras, dias 24 e 31 de outubro,  às 20h, no Teatro Laboratório da Usp.

 

Cantoras:

Akira, E Angel, Fé, Ga Sanie, Lovely, Mama Vuvu, Mata, Moesha, Ndu Siba, Sophie, Tiny G.

Coordenadora do projeto Voz Própria e do projeto especial Mulheres Livres:

Carmina Juarez



 

FICHA TÉCNICA

 

Texto: Plínio Marcos.

Dramaturgia: Jonathan Silva, Raquel Parras, Rogério Tarifa e Elenco.

Direção: Rogério Tarifa.

Direção Musical e Preparação Vocal: William Guedes.

Composição: Jonathan Silva, Raquel Parras (Nascedouro) e Mumu de Oliveira Ley ( Samba Contra a Redução da Maioridade penal).

Cantora Convidada: Ndu Siba.

Músicos: Evandro Cavalcante, Giorgio Arthur Passerino, Jonathan Silva,

Rafael Heffer Cavaletti, Victor Mendes, William Guedes e Yuri Carvalho.

Direção de Movimento: Marilda Alface.

Parceria Poética: Isabel Setti.

Desenho de Luz: Rafael Souza Lopes.

Operação de luz: Nara Zocher e Vinícius Bogas.

Cenotécnica: Zito Rodrigues e Nilton Ruiz Dias.

Direção de Arte: Andreas Guimarães, Mirella Façanha e Rogério Tarifa.

Figurino: Andreas Guimarães, Mirella Façanha, Rogério Tarifa e Elenco.

Orientação de Figurino: Silvana Carvalho.

Técnicos de Luz e Som: Denilson Marques e Mário de Castro.

Exposição Fotográfica: Sérgio Silva.

Projeto Gráfico: Walmick Campos.

Ilustrações: Mirella Façanha.

Fotografia: Binho Cidral.

Produção Executiva e bilheteria: Bertha S. Heller.

 

Elenco:

Alessandro Marba, André Cézar Mendes, Binho Cidral , Camila Cohen, Danilo Martins, Darília Lilbé, Evandro Cavalcante, Fernanda Brandão, Hélio Toste, Inayara Iná Samuel, Julio Silvério, Lilian Regina, Luiz Felipe Bianchini, Luiza Romão, Maria Eduarda Machado, Mirella Façanha, Raquel Parras, Romário Oliveira, Walmick Campos

 

QUANDO

 

De 25 de outubro a 05 de novembro de 2017

4ª a sábado às 20h30 e domingo às 20h

 

ONDE

 

Teatro Laboratório ECA – Sala Alfredo Mesquita – 120 lugares

Rua da Reitoria, 215

(Travessa da Av. Prof. Luciano Gualberto) – Cidade Universitária

Fone: (11) 3091-4376

 

ENTRADA GRATUITA

A bilheteria abre 1 hora antes do espetáculo

Espetáculo recomendado para maiores de 14 anos

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