Terça-Feira | 26 de Setembro de 2017 | 11h1

RELAÇÕES ABUSIVAS I

Temos ouvido falar, com grande frequência, sobre o empoderamento da mulher, o repudio à violência, os ganhos trazidos pela Lei Maria da Penha e tantos outros discursos.

Maria da Penha Maia Fernandes é uma farmacêutica brasileira que lutou para que seu agressor viesse a ser condenado. Maria da Penha tem três filhas e hoje é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, vítima emblemática da violência doméstica.

Maria da Penha ficou tetraplégica em decorrência do tiro disparado pelo seu então marido.

Deu nome à Lei 11340/2016 que prevê importantes medidas de proteção para as vítimas de violência doméstica.

Foi uma grande conquista para prevenir e combater a violência física no âmbito familiar.

O abuso pode tomar várias formas:

Violência sexual: o agressor  força a fazer qualquer tipo de ato sexual (qualquer MESMO; sim, beijo conta, sim, qualquer tipo de toque que não te agrade conta) quando você não quer/não está pronta; faz chantagem emocional para que você pratique qualquer tipo de ato sexual (ex: dizer que fazer um ato x é demonstração de amor, e que se você o ama você não deveria ter problema em fazê-lo); se aproveita de quando você está bêbada/em estado alterado para insistir em atos que você negou; não respeita o teu “não” em situações sexuais; acredita que, em um relacionamento romântico e sexual, você tem a obrigação de praticar qualquer ato sexual sempre que a pessoa deseja.

Violência física: a pessoa  bate, chuta, ou  ataca fisicamente;  ameaça fisicamente, com ou sem armas; joga objetos na tua direção durante brigas, ou destrói objetos; tende a demonstrar comportamento violento quando com raiva (mesmo que não chegue a te bater, por exemplo quebrando ou arrancando seus objetos de suas mãos); te segura com força, te empurra ou te impede fisicamente de ir a algum lugar, sair de algum lugar, ou fazer algum movimento; se machuca fisicamente de propósito, culpando você pelo sofrimento emocional em que se encontra.

Violência emocional: a pessoa magoa; mente, trai, descumpre acordos; reage violentamente se você faz qualquer coisa que a própria pessoa fez sem demonstrar remorso; reage desproporcionalmente a qualquer coisa que a desagrade, mesmo que pareça não fazer sentido; age de forma punitiva quando você faz qualquer coisa que a desagrade (ex: exigindo que você peça desculpas exageradamente, que você “pague” ou “se redima” pelo que fez, pedindo supostas provas de amor e sacrifícios em troca de perdão); controla com quem você anda, o que faz, o que veste (este controle pode ir desde demonstrar desaprovação, reclamando dos teus amigos, das tuas roupas, das tuas escolhas, a impedir fisicamente/com ameaças que você veja certas pessoas/vista certas roupas/faça certas coisas); controla o teu uso de dinheiro (criticar excessivamente os teus gastos pessoais, pedir ou aceitar dinheiro e bens materiais como provas de amor); viola tua privacidade, lendo tuas mensagens e e-mails, mexendo nas tuas coisas, frequentemente aparecendo sem avisar no teu local de estudo, trabalho ou residência; faz questão de saber onde você está, e com quem, a cada momento, pedindo detalhes; te critica, humilha, age como se tuas opiniões e conquistas não fossem importantes; tenta te virar contra tua família e amigos, especialmente se estes já repararam no abuso e portanto não aprovam o relacionamento.

No caso de violência psíquica ou emocional, aquela em que as marcas são na alma, deparamo-nos com muitas dificuldades.

Primeiro porque as mulheres muitas vezes não se dão conta de que vivem uma relação abusiva.

Segundo porque quando tem conhecimento dessa condição muitas vezes tem vergonha de procurar ajuda.

Terceiro porque a prova do abuso emocional é muito subjetiva.

Nas próximas publicações irei abordar cada uma das modalidades de abuso.

VALÉRIA CALENTE

valcalente@adv.oabsp.org.br

FONTE:

1) Imagem: JUSBRASIL

https://advocaciafamilia.jusbrasil.com.br

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