Sexta-Feira | 11 de Agosto de 2017 | 17h35

Criando um Mercado Vibrante e Moderno de Infraestrutura no Século 21: Três Requisitos

Autor: Norman F. Anderson

Eu trabalho no mundo todo, e em todos os países que eu vou, eu escuto as mesmas reclamações com relação a infraestrutura: “nós precisamos, nós queremos, temos dinheiro suficiente, mas não conseguimos construir.”  Alguns países são piores que os outros, mas todos estão mal. O Banco Mundial recentemente revelou números que mostram um declive estável e profundo no investimento privado em infraestrutura desde 2012 (o setor público está quebrado mundo afora). A Alemanha tem um excedente orçamental e uma crise de infraestrutura, com 60% dos eleitores querendo que esse excedente seja destinado para infraestrutura. O Brasil tem uma das taxas mais baixas de investimento em infraestrutura, com menos de 1.5% do GDP sendo usado para essa área. Quais são os problemas, e como eles podem ser abordados?

A solução está nos ‘game changers’, e não no fluxo constate de novas soluções técnicas, que constantemente prometem resultados extraordinários. Nós identificamos três requisitos para a criação de projetos -água, transporte, energia, telecomunicação, escolas e hospitais- que geram um crescimento econômico sustentável para países, com oportunidades para seus cidadãos.

Primeiramente, um país precisa saber a direção que está seguindo, e porque quer chegar lá – todos precisamos de uma visão clara e unificada do porque devemos investir em infraestrutura. A questão de uma visão é poderosa. Sob uma estrutura de infraestrutura sustentada, o pensamento será assim: a) se nós fizermos esses investimentos, então b) o que todos nós vamos ganhar e o que é essa terra prometida, e c) isso vai beneficiar a mim, a minha família e a minha comunidade em curto prazo? Sem visão, na melhor das hipóteses, o esforço para um investimento extraordinário não faz sentido –e na pior das hipóteses, todos os projetos parecem beneficiar somente elites políticas e comerciais, testando a paciência dos eleitores e do público em geral. Como o provérbio diz: “Onde não há visão o povo perece”.

O ponto é que os países bem-sucedidos têm que decidir como querem estar em 5, 10, 15 anos, e então as pessoas se organizarão para alcançar esse objetivo.  Essa conversa reúne executivos com a população em volta de uma pergunta chave: “Dado como nós vemos a economia mundial crescendo e desenvolvendo, onde faremos os investimentos que nos tornarão mais competitivos e criarão as melhores oportunidades para nossos filhos?”

Segundo, temos que ter confiança entre os setores públicos e privados, uma habilidade de trabalhar juntos de forma eficiente, confiável e produtiva. Isso existiu no Brasil por muito tempo. Atualmente, o oposto existe, a desconfiança é um abismo gigante que consome tempo, recursos e sonhos. E não é só um problema Brasileiro, é um problema da nossa época. “Meu maior problema,” um executivo Americano me disse, “é que o setor público não confia em nós, e isso está me matando – está me custando muito tempo, energia e dinheiro, e até projetos que já desisti de tentar.”

Como superar esse abismo? Esse é um assunto delicado, porque a confiança –pense na confiança entre um marido e sua esposa- é uma das forças mais misteriosas e poderosas de nossas vidas, e uma vez quebrada.... Essa confiança está quebrada agora, e consertar isso requer uma enorme ação corretiva. Na iniciativa Blueprint 2025 que nós criamos para os Estados Unidos, nós focamos em criar instituições que transcendem os ciclos políticos –protegendo decisões sobre investimentos de 40 ou 50 anos da desmoralização da interferência política. Outra idéia interessante é a criação de uma Universidade Nacional de Infraestrutura, que colocaria executivos do setor público e privado juntos em pontos regulares de suas carreiras, para criar um grupo de infraestrutura auto-confiante.  Um resultado disso seria criar times de projetos envolvendo executivos do setor público e privado, onde eles teriam que trabalhar lado-a-lado no mesmo projeto em todas suas fases de desenvolvimento, administração e manutenção.

O Blockchain, a tecnologia revolucionária que promete possibilitar todos a compartilharem tudo – desde informações financeiras, até documentos de engenharia- sem intermediários, eventualmente irá lidar com o problema de confiança. Uma das políticas do Brasil – pegando emprestada uma página do Canadá- deve ser integrar o Blockchain ao processo de decisão na área de infraestrutura o mais rápido possível.

Terceiro, um país precisa de uma liderança de infraestrutura e precisa re-criar seu ambiente de políticas para permitir o desenvolvimento dessa liderança! O fato mais surpreendente sobre a infraestrutura global hoje é que ela é supervisionada por executivos que focam em regras limitantes, e condições e regulamentações. O livro favorito de muitos lideres é “Primeiro Quebre Todas as Regras” – e então nossas soluções para o vácuo de infraestrutura envolve ações que tiram os líderes visionários da mesa. Enquanto nós devíamos estar desenhando sistemas para permitir a liderança, estamos de fato gastando todo nosso tempo desenhando grilhões que prendem – e afastam- os executivos criativos, engenhosos e resolutos que precisamos para completar projetos.

Então, qual a solução? Obviamente, o jeito que pensamos sobre regras precisa ser transformado, de regras negativas em que tudo é proibido, para regras possíveis, que encorajam e promovem a criatividade, engenhosidade e soluções inovadoras. Precisamos de um redesenho radical global do quadro regulamentar em qual o setor público age como treinador e facilitador (“é assim que criamos o valor que precisamos” )  em vez de como repressor (“não faça isso”).

O conceito que trás tudo junto é o bem público. Infraestrutura -mesmo beneficiando da energia, finanças e criatividade do setor privado- é um bem público, criando riqueza e oportunidade para todos os usuários da comunidade, otimizado por todos os usuários da comunidade. Visão, confiança e liderança –conceitos poderosos que nos guiam, nos unem, e nos conduzem para frente- são cruciais se nós formos criar uma riqueza das nações, e as oportunidades que países em crescimento fornecem aos seus cidadãos.

 

Norman F. Anderson

 

Norman F. Anderson é CEO da CG/LA Infrastructure, uma empresa voltada para a construção de mercados de infraestrutura mundiais. A Iniciativa Blueprint 2025 é uma organização gerenciada pela CG/LA que reuniu 100 executivos públicos e privados para projetar uma estratégia de infraestrutura para os Estados Unidos para os próximos 10 anos.

 

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