Quinta-Feira | 20 de Julho de 2017 | 11h31

A Casa Militar com um comando feminino

Coronel Helena dos Reis, 47, segunda mulher a chefiar a Casa Militar.

                                         
Coronel Helena dos Santos Reis
Crédito: Edu Enomoto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Talvez quem encontre a mulher vaidosa e delicada nas ruas de São Paulo, não imagine que ela é a responsável pela segurança do governador Geraldo Alckmin e a coordenadora da Defesa Civil do Estado mais rico do país. Com voz suave e olhar tranquilo, Helena dos Santos Reis está na Polícia Militar há 28 anos e ingressou na profissão após ver o pai, um sargento aposentado da PM, chegar em casa todos os dias com orgulho de defender a sociedade.

Ao ingressar na instituição em 1989, ela afirma que a constituição de 1988 foi de extrema importância para a evolução da Polícia

Preocupada com as diversas mazelas do Estado, a Coronel que chegou ao posto após passar por todos os cargos dentro da instituição, acredita que a Polícia Militar é o espelho da sociedade neste momento tão conturbado do país 

- "Para o bem ou para o mal. É evidente que fico triste quando alguns companheiros estão envolvidos em ilícitos e não aplicam a lei ou desrespeitam os direitos humanos. Hoje, não vejo como dissociar as duas coisas. A Polícia Militar é, sim, o espelho da sociedade como um todo, principalmente, pelo fato do policial ser oriundo dela mesma. Não dá para imaginar o policial como uma figura acima do bem e do mal." 

Integrante da primeira turma feminina da Academia do Barro Branco, ela recorda dos tempos em que fazia rondas na região central de São Paulo e comenta sobre a diferença entre o início de carreira e o boom do uso de crack naquela região 

Nascida em São José do Rio Preto, interior paulista, Helena dos Reis não vê a instituição como um local de preconceitos velados. Sem lamúrias sobre a ideia permanente de preconceito, não faz discurso vitimista sobre o papel da mulher negra na sociedade atual e ciente sobre as mudanças que ocorrem no país, ela acredita também que os adolescentes recrutados pelo tráfico de drogas não sejam, na prática, vítimas de um sistema: 

- O jovem sabe o que é certo e o que é errado. Ele não é vítima de nada. Mesmo assim, não acredito que diminuiria o envolvimento deles com ilícitos, caso ocorra a redução da maioridade penal. Talvez, esta sensação de baixa segurança, principalmente, quando falamos de jovens, esteja relacionada a uma exploração midiática abusiva, embora o papel da imprensa seja de extrema importância. Nós, policiais, também precisamos melhorar a interlocução com diversos setores da sociedade. É um trabalho conjunto. 

Ao falar sobre os contratempos da carreira, a Coronel emociona-se ao lembrar a perda do irmão, também militar, durante uma intervenção policial.

Ainda durante o programa, a Coronel Helena dos Reis fala sobre o orgulho dos companheiros de farda, os medos enfrentados durante o exercício da profissão e como é feito o apoio ao Policial após o envolvimento em eventos de alta complexidade. 

Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Emotiva e brincalhona, ela finaliza: "Gosto de brincar com as pessoas, mas sem perder o padrão profissional que caracteriza a minha profissão"  

 

 Texto: César de Holanda

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