Quarta-Feira | 31 de Maio de 2017 | 14h22

Segurança Viária - Reflexão: o que podemos aprender com a tragédia de Nicky Hayden?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Arquivos de Nicy Hayden

Desde que me conheço por gente, escuto as pessoas, em caso de “acidente”, afirmarem: “era a hora dele, Deus assim desejou”.

Educado como católico, nunca aceitei tal afirmativa, bem como, nunca aceitei os dogmas religiosos, nunca me conformei com “é assim por que é assim e ponto final”.

Em 1994 com a morte de Ayrton Senna minha incredulidade aumentou, afinal como pode alguém deixar de existir por algo tão banal, muitas vezes óbvia demais?? No caso dele, uma solda mal feita.

Nesses 23 anos, muitos outros amigos partiram por incidente, sim incidente, evento não planejado cujo risco foi assumido (grifei, pois é minha definição), mas, não acidente que gosto de definir: como ação onde os envolvidos fizeram tudo que era necessário para não haver o resultado.

Pergunto:

1) o cara andando a 80km/h no corredor entre carros parados ou quase parados com uma moto é acidente?

2) o cara bebe e sai dirigindo, mata alguém, é acidente?

3) o piloto em autódromo bate em guard-rail a 300km/h onde deveria ter uma barreira inflável de proteção, é mero acidente?

4) Motorista usando celular enquanto dirige, mata um motociclista ou ciclista ou pedestre, foi acidente?

5) Motorista devido a perda de visibilidade periférica por uso de película escura nos vidros do automóvel, mata um motociclista, foi acidente?

6) O motociclista que anda a mais de 200km/h em rodovia, se perde em uma curva ou entra na traseira de automóvel, foi acidente?

7) Pedestre com fones de ouvido, usando celular, atravessa a rua sem olhar, foi acidente?

8) Motorista que corta caminho por dentro de posto de gasolina e mata um pedestre, foi acidente?

9) Furar sinal vermelho?

10) Cruzar rodovia ou andar entre veículos?

Emoção ao ser tornar Campeão do Mundo de MotoGP em 2006, categoria máxima da motovelocidade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não! O termo acidente foi vulgarizado. Em todos os casos é um incidente porque alguém assumiu o risco, poderia ser evitado ou, ainda, o resultado morte não existir.

Do ponto de vista filosófico, científico ou religioso, fica a seu critério, a questão é: o que podemos aprender com a tragédia de Nicky Hayden?

Jornais italianos como “Rimini Today” e “Corriere Della Sera” dão como certo que, infelizmente, nosso ídolo não parou quando tinha que parar e muito provavelmente se distraiu porque fazia uso de fones de ouvido com um IPod.

O Homem é, na maior parte dos casos, o autor de seus próprios infortúnios, mas, ao invés de reconhecer isso, acha mais conveniente e menos humilhante para sua vaidade acusar a sorte, acusar a Deus.

Nas palestras que realizo em empresas, dado o alto índice de acidentes de trabalho “in itinere” ou de deslocamento (casa-trabalho-casa), começo com esse pensamento de André Luiz: (...)Deus nos habilita para a eficiência com máquinas diversas, por meio da própria inteligência humana. Compete a nós a programação e a condução delas. Em suma, toda criação e doação das vantagens de que dispomos procedem de Deus. Entretanto, é justo reconhecer que todos os êxitos e problemas da utilização pertencem a nós.”.

Se Deus criou tudo de bom que existe no Universo, inclusive o Homem com inteligência o suficiente para ter o livre-arbítrio, por que acusá-lo de uma decisão sua, minha, nossa?

Ahhhh!!! Mas ele não é Deus?? Como pode deixar essas coisas más acontecerem??

Amigo(a) o mal foi criado pelo Homem, é seu livre-arbítrio que determina o rumo da vida. Deus só lhe deu a vida e assim como um pai ou uma mãe não pode mimar seu filho(a) sob pena de comprometer seu amadurecimento, Deus não pode e não deve intervir em uma ação irresponsável de seu filho(a), sob pena de comprometer sua evolução. Não somos o centro do Universo como muitos pensam e defendem.

Com VR46 dividndo a garagem da Ducati e a quem venceu em 2006

Nicky Hayden fará falta pelo sorriso espontâneo, simpatia, habilidade com a motocicleta, o numeral 69 vai fazer muita falta no grid, como amigo e ídolo para muitos, partiu como tantos outros, de maneira tosca, sem sentido, evitável, na flor da idade, como diria minha avó.

O que aconteceu com Nicky Hayden, acontece todos os dias com algum desconhecido.

Devemos aplicar a mesma teoria em tragédia aérea: o que podemos fazer no trânsito para que determinado fato não se repita?

Se Kentucky deixou como exemplo seu trabalho, sua dedicação, sua humildade e simpatia para conquistar campeonatos por onde passou, como em 2006 no Mundial de MotoGP, também deixou, por mais duro que possa parecer, o que não devemos fazer na via pública. Não sei se a culpa foi dele ou do motorista, agora não importa. Ele partiu. A questão é: poderia ser evitado. É o famoso “e se?”.

Não concordo em hipótese alguma com a tese “era hora dele”. Esse papo é, tão somente, conveniente. Quem somos para determinar isso? O cara não morreu de uma doença qualquer. Não tinha um câncer, por exemplo, e aí sim, até poderíamos confabular tais questões cármicas ou não.

O ser humano está perdendo a sensibilidade  com a tese “era hora dele”.  Está matando e morrendo com coisa tola, pela mais simples imprudência onde se esconde a ansiedade, a vaidade de aparências, a avareza e múltiplas carências, procurando encher esse vazio bebendo, correndo, usando celular quando não se deve usar, fazendo o que não deveria fazer na hora e local inadequado. 

Uma unanimidade: vivia sorrindo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não é possível, a tecnologia tem simplificado a vida do homem de tal maneira que o próprio homem está conseguindo complicá-la. É inadmissível dirigir um veículo usando celular, viva-voz ou fones de ouvido.

É ridículo a causa da morte de Nicky Hayden como foi a de Norick Abe morto em 2007 em Tóquio quando pilotava sua moto e um caminhão fez uma manobra proibida e como de tantos outros; no mundo 1,5 milhão de pessoas morrem por ano por incidente (me nego usar o termo acidente) de trânsito, no Brasil já são mais de 40 mil.

O Homem sofre de uma prepotência (sentimento falso de alto poder) imensurável que o leva a cometer atos de imprudência. Ele acha que com ele nunca vai acontecer.

A postura ética do homem de bem perante as leis civis deve ser pela integridade física e moral. A legislação de trânsito deve ser cumprida, a sinalização de trânsito não existe para enfeitar a via pública, mas para cumprir um objetivo: garantir a segurança dos usuários.

A direção de um veículo motorizado ou não, é uma arte. A arte de respeitar a vida. Dirigir ou pilotar tem que ser com o coração e não com o cérebro. O aumento de segurança das máquinas deve ser analisada como medida de prevenção e segurança, não como quesito para o abuso.

Portanto, se andar de bicicleta, pilotar uma motocicleta, dirigir um automóvel ou caminhão ou ônibus NÃO utilize celular, viva-voz, fones de ouvido ou intercomunicador. Mesmo porque é proibido pela legislação de trânsito, vide inciso VI, do artigo 252, do CTB.

Se beber, NÃO dirija ou pilote. É crime!

Assim como sua família não merece sofrer, não seja o algoz de outrem.

Afinal, por que diabo a imprudência humana é culpa de Deus?

 

Para aprofundar o tema, recomendo(click no link ativo): 

Peritos trabalhando no acidente de Nicky Hayden;

Pesquisa publicada no “The New England Journal of Medicine”, de 1997, concluindo que a utilização do telefone celular enquanto dirige aumenta em 4 vezes a possibilidade de colisão;

- Matéria do G1, intitulada “Viva-voz nos carros é mais perigoso do que falar ao celular, diz estudo”;

- Matéria da Revista Quatro rodas, sobre distração ao volante;

- Comercial que demonstra a distração cognitiva de quem fala ao telefone celular;

- Comercial que demonstra a distração física e visual de quem simplesmente manuseia o telefone celular;

- Campanha publicitária em Hong Kong, que simula a distração visual ao olhar para a tela do telefone celular;

- Campanha que simula o envolvimento de um condutor em ocorrência de trânsito, enquanto fala ao celular, com fone monoauricular;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia:

Araujo, Julyver Modesto. Código de Trânsito Brasileiro - Anotado e Comentado, 6ª edição, Letras Jurídicas, 2016;

Xavier, Francisco Cândido. “Emmanuel”, FEB, Quatro Questões de Filosofia - cap.33, pag.191; 28ª edição, 2016;

Kardec, Allan. “Evangelho Segundo o Espiritismo”, Causas atuais das aflições - cap.5, item 4, pág.66;

Dufaux, Ermance. “Reforma Íntima sem martírio”, Imprudência no Trânsito - cap.20, pág.170/178, 2ª edição, 2012;

Kardec, Allan. “Livro dos Espíritos”, Lei de Liberdade, Livro Terceiro, Cap. XI;

Kardec, Allan.“Livro do Espíritos”, Lei de Justiça, Amor e Caridade, Livro Terceiro, Cap. XII;

Kardec, Allan.“Livro do Espíritos”, Penas e Gozos terrenos, Livro Quatro, Cap.I;

Xavier, Francisco Cândido. por Emmanuel “Religião do Espíritos”, FEB, 1960, 22ª ed. - 2014;

Xavier, Francisco Cândido. por Emmanuel“Pensamento e Vida”, FEB, 1958, 19ª ed.-2016.

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