Segunda-Feira | 1 de Maio de 2017 | 17h47

Senhor das moscas estreia no Teatro do SESI em SP no dia 4 de maio

O homem é fruto do meio, ou o meio é fruto do homem? Essa, entre tantas outras perguntas, norteia a história de Senhor das Moscas, clássico dos anos 1950 da literatura britânica que rendeu o prêmio Nobel de Literatura ao autor William Golding em 1983, e que agora ganha sua primeira adaptação brasileira no palco do Teatro do Sesi São Paulo pelas mãos do diretor Zé Henrique de Paula, a partir do dia 4 de maio. As sessões gratuitas serão realizadas de quinta a sábado, às 15h e, aos domingos, às 14h30, até 3 de dezembro.

Na trama, um grupo de garotos ingleses, a princípio liderados por Ralph (interpretado por Bruno Fagundes), se veem presos em uma ilha deserta após um acidente com o avião que os levava do internato para longe da guerra. Divididos entre concentrar esforços para serem salvos – como desejam Ralph e Porquinho (Felipe Hintze), o menino gordinho e mais sensato do grupo –, ou abraçar a ideia de que precisarão se adaptar à nova vida, os garotos passam a vivenciar conflitos típicos de uma sociedade em processo de criação (definição dos líderes, busca por alimento, preocupações com segurança e o convívio com o outro) e a enxergar em Jack (Ghilherme Lobo) um outro tipo de liderança.

Além dessa uma liberdade nunca antes experimentada, longe da supervisão de qualquer adulto, a chegada de um “bicho” irá aterrorizar os 12 garotos e transformar radicalmente sua convivência em grupo.

O espetáculo conta também com músicas cantadas pelos próprios atores em cena, acompanhados por músicos que tocam ao vivo em cada apresentação. O grande destaque é a música original composta especialmente pela diretora musical Fernanda Maia para a montagem. “O Zé me pediu que fizesse uma canção original para esta peça que falasse sobre o quanto ‘o bicho’,está dentro de nossos próprios olhos”, comenta a Fernanda.

SOBRE A ENCENAÇÃO – POR ZÉ HENRIQUE DE PAULA
“O Senhor das Moscas é um clássico da literatura inglesa – escrito em 1954, em plena Guerra Fria, o romance se tornou um dos mais importantes do século XX e deu a William Golding um Prêmio Nobel de Literatura. Mas o que existe nele que ainda possa nos interessar e, mais ainda, provocar interesse no jovem de hoje em dia?

Felizmente, a obra sobreviveu ao tempo e está mais atual do que nunca. Em tempos de grande agitação política, de ídolos instantâneos e de fluidez de identidade (especialmente entre os adolescentes), as aventuras de Jack, Ralph, Simon e Porquinho e seus dilemas éticos, morais e afetivos parecem ter sido escritos para o Brasil do século XXI. Como numa saga shakespereana em que há drama, comédia, luta, morte, natureza, aventura e religião – tudo junto numa só história – queremos dar combustível à peça através de uma de suas principais características: a velocidade e a ferocidade dos acontecimentos.

Há muito esse binômio ritmo acelerado/violência tem frequentado o cinema, as graphic novels, o videoclipe. No teatro, o fenômeno é sazonal: visitou os palcos na era elisabetana, reapareceu pontualmente em alguns momentos do século XX. Pois é esse binômio que queremos explorar, acreditando ser a matéria prima que trará à tona os grandes eixos temáticos da obra de Golding – a essência verdadeiramente bestial do ser humano; a luta pela civilização; a formação dos partidos (em sentido mais amplo, não o meramente político); o sentido de amizade, lealdade e a criação dos vínculos afetivos; a natureza do misticismo, a necessidade dos deuses e da epifania espiritual na vida dos homens.

O Núcleo Experimental tem como base de seu trabalho o ator. Aliado à síntese de elementos cênicos e à busca de bons textos, o trabalho dos atores é o foco de nossa pesquisa cênica. Pesquisamos a expressividade da ação física, o sentido de coesão e união cênica e, paralelamente, experimentamos os possíveis usos para a música e o canto no acontecimento teatral. Todos esses elementos permeiam a encenação de Senhor das Moscas, já que buscamos uma encenação limpa, de poucos elementos, com iluminação e música com alta significação cenográfica e direcionada aos quatorze intérpretes das crianças criadas por William Golding. Ele que é o nosso protagonista, uma vez que acreditamos que não há bom teatro se não iluminarmos, antes de mais nada, as ideias do autor”.

SOBRE WILLIAM GOLDING
William Golding nasceu em 19 de setembro de 1911, em Newquay, região da Cornualha, na Grã-Bretanha. Sua mãe, Mildred, foi uma das sufragistas, mulheres que lutaram pelo direito ao voto feminino na Inglaterra. Seu pai, Alec, era professor e defensor ardente do racionalismo: linha de pensamento na qual a razão, ao invés da experiência, é o meio confiável para se adquirir conhecimento. Esse ponto de vista era intolerante com experiências baseadas na emoção, como o medo de escuroque Golding tinha quando pequeno.

Após cursar dois anos de ciências, e contrariando os desejos do pai, Golding decide seguir seus verdadeiros interesses e ingressar na literatura. Começou escrevendo poemas e graduou-se na universidade de Oxford em 1935. Até 1939, foi escritor, ator e produtor em um pequeno teatro em Londres, sempre considerando a literatura dramática como sua maior influência, citando Shakespeare e os autores trágicos gregos como suas maiores fontes de inspiração.

Em 1939, começou a ensinar inglês e filosofia num colégio em Salisbury e casou-se com Ann Brookfield, com quem teve dois filhos. Em 1940, alistou-se na marinha britânica onde permaneceu por cinco anos, lutando na Segunda Guerra Mundial, experiência que foi decisiva no seu modo de escrever e o colocou definitivamente contra as ideias racionalistas de seu pai. Costumava dizer que “o homem produz o mal como a abelha produz o mel”.

Só em 1954 consegue publicar O Senhor Das Moscas, depois de ter sido recusado por 21 editores. Seus romances, como Os Herdeiros (1955), A Espiral (1964), O Deus Escorpião (1971) e Homens de Papel (1984), são fábulas sobre o mal, e sondam o abismo entre o mundo da ciência/razão e o mundo espiritual.

Golding faleceu na Cornualha em 1993, aos 82 anos de idade.

Serviço:
Senhor das Moscas
Temporada: 4 de maio a 3 de dezembro de 2017
Horários: quinta a sábado, às 15h, e domingos, às 14h30
Local: Teatro do Sesi-SP (Avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)
Duração: 90 minutos
Classificação Indicativa: 14 anos
Grátis. Reservas antecipadas online pelo sistema MEU SESI (www.sesisp.org.br/meu-sesi).
Para as sessões que acontecem entre os dias 1° e 15, as reservas são liberadas a partir do dia 25 do mês anterior. Para as sessões realizadas entre os dias 16 e 31, as reservas têm início no dia 10 do mesmo mês, a partir das 8h. Os ingressos remanescentes são distribuídos nos dias do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria (quinta a sábado, das 13h às 20h30, e no domingo, das 11h às 19h30).

Sinopse: Crianças inglesas de um colégio interno ficam presas em uma ilha deserta, sem a supervisão de adultos, após a queda do avião que as transportava para longe da guerra. Os meninos se vêm sob duas lideranças naturais: Jack está sempre preocupado em caçar, matar os porcos selvagens que existem na ilha, organizando sua equipe de caçadores; enquanto Ralph ocupa-se em deixar uma fogueira sempre acesa, para que possam ser, um dia, salvos. Ralph deseja voltar para o mundo moderno, para a civilização, enquanto Jack cada vez mais rompe seus laços com ela. A situação se torna mais complexa quando aparece um “bicho” para aterrorizá-los. Então as crianças escolhem um símbolo sobrenatural: uma cabeça de porco espetada numa estaca, que eles batizaram como Senhor das Moscas e para quem pedem proteção contra os perigos da ilha.

Ficha Técnica: Elenco: Arthur Berges, Bruno Fagundes, Davi Tápias, Felipe Hintze, Felipe Ramos, Gabriel Newman, Ghilherme Lobo, Lucas Romano, Paulo Ocanha Jr., Pier Marchi, Rodrigo Caetano, Rodrigo Vellozo, Thalles Cabral | Stand-in: Gabriel Malo, João Paulo Oliveira e Luiz Rodrigues | Texto: Nigel Williams | Tradução: Herbert Bianchi e Zé Henrique de Paula | Direção: Zé Henrique de Paula | Direção musical e preparação vocal: Fernanda Maia | Preparação de atores: Inês Aranha | Coreografia: Gabriel Malo | Cenografia: Bruno Anselmo | Figurinos: Zé Henrique de Paula | Iluminação: Fran Barros | Design de som: João Baracho | Assistente de direção: Rodrigo Caetano | Diretor residente: Lucas Farias | Assistentes de figurino: Danilo Rosa e Leandro Oliveira | Design gráfico e vídeos: Laerte Késsimos | Coordenação de produção: Claudia Miranda | Produção executiva: Louise Bonassi | Assistentes de produção: Laura Sciuli e Mariana Mello | Fotos: Giovana Cirne

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