Quarta-Feira | 15 de Março de 2017 | 14h43

Número de mulheres que são mães após os 40 anos cresce 49% em duas décadas

 

Dados inéditos do Ministério da Saúde divulgados em fevereiro mostram que o número de mulheres que foram mães após os 40 anos de idade aumentou 49,5% em 20 anos, passando de 51.603 em 1995 para 77.138 em 2015.

As estatísticas de 2015 são as mais recentes. Elas mostram também que 72.290 dessas mães tinham entre 40 e 44 anos, e outras 4.475 estavam na faixa etária dos 45 aos 49 anos. Houve ainda 373 brasileiras que se aventuraram na maternidade após os 50 anos – entre elas, 21 já eram sexagenárias quando deram à luz.

A busca por uma melhor colocação profissional e a conquista de estabilidade financeira são apontadas como os principais motivos por essa maternidade tardia. E, é claro, os avanços da medicina na área da reprodução assistida também têm grande parcela de contribuição.

A lojista Regiane dos Reis Fernandes, de 43 anos, compõe essas estatísticas. Ela teve seu primeiro filho, Roberto, com 36 anos, e depois se tornou novamente mãe aos 40, com a chegada de Antonio.

“Trabalhei e viajei muito antes de ter meus filhos. Acredito que é uma tendência: as mulheres têm estudado mais, trabalhado mais, se casado mais tarde e por isso estão tendo seus filhos com mais idade”, afirma Regiane. “Tenho amigas da minha idade cujos filhos já estão na faculdade. Eu brinco com elas que sou mais nova, e que daqui a pouco elas serão avós”, se diverte.

Embora a gravidez natural e saudável seja possível após os 40, a dificuldade para engravidar e os riscos para a mãe e o bebê são maiores.

 “Depois dos 40 anos, quanto maior a idade da mulher, há mais riscos de doenças na gravidez e de anomalias congênitas ao bebê. Esses quadros podem ser minimizados se a gestante tiver alguns cuidados com a saúde e recorrer a exames que identificam possíveis mutações genéticas nas células reprodutoras”, afirma o Dr. Edilberto de Araújo Filho, diretor clínico do Centro de Reprodução Humana (CRH).

O especialista também explica a redução das chances de uma gravidez natural. “Uma mulher até os 30 anos tem de 18 a 20% de chances de engravidar por mês, e em geral leva de seis a sete meses para conseguir. Já uma mulher com 40 anos não tem mais que 8 a 10% de chances de engravidar”, compara.

Mulheres que planejam ter filhos mais tarde podem ser ajudadas pelo congelamento dos óvulos. “É uma ótima opção, desde que o procedimento seja feito até os 35 anos. A mulher passa por um processo semelhante ao de uma fertilização: os ovários são estimulados com hormônios para produzir folículos, e depois os óvulos são aspirados e congelados. É uma maneira de guardar a carga genética para futuramente poder engravidar de forma sadia”, explica o Dr. Edilberto de Araújo Filho.

 

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