Terça-Feira | 7 de Março de 2017 | 12h33

Cuidados com o sopro infantil

 

Saiba mais sobre o sopro infantill com a cardiologista pediátrica Renata Mattos

Geralmente acontece assim: a criança está com febre e os pais a levam numa emergência. Lá, o pediatra diz que a criança tem um sopro. Temos aí um dos principais motivos de visita ao cardiopediatra, já que até 70% das crianças e adolescentes apresentam sopro em algum exame físico ao longo da vida.

    Normalmente, quando o cardiopediatra recebe esta família, estão todos bastante assustados. Compreensível, pois de repente se deparam com a possibilidade da criança ter um problema no coração. E agora?

      Bem, vamos por partes. Em primeiro lugar o sopro não é uma doença e sim um achado no exame físico. Quando o médico ausculta o coração, ele está prestando atenção em vários sons, cada um com seu timbre, localização e duração. Às vezes há um ruído um pouco diferente do esperado. O chamado “sopro inocente” tem esse nome porque é isso mesmo: inocente! Ele não espelha nenhum tipo de anormalidade. É mais audível quando o coração está acelerado, o que ocorre quando a criança tem febre, está agitada, chorando ou com anemia. Por isso, é tão frequente que ele seja percebido pela primeira vez numa visita à emergência.

    Mas ainda que na maioria das vezes seja inocente, ele também pode sinalizar uma alteração cardíaca estrutural. Chamamos estes sopros de patológicos. Pode ser uma malformação em alguma das válvulas, um septo que deveria ter se fechado e permaneceu aberto, etc. Estas malformações geram uma turbulência no fluxo sanguíneo que produz o sopro. Nestes casos, ele dificilmente vai estar sozinho. Conversando com a família, o médico irá descobrir sinais de que existe algum problema real: a criança não consegue ganhar peso, fica muito cansada, respira com dificuldade, fica com os lábios e nariz roxos de vez em quando, entre outros.

      O cardiopediatra vai então usar estas informações e fazer um exame físico mais detalhado, para verificar se existe alguma patologia. Para isso, o ecocardiograma é o exame mais importante, porque mostra todas as estruturas do coração e determina com certeza se há alguma lesão ou não. Se houver, ele vai indicar o tratamento específico. Já se o resultado for normal, não há necessidade nenhuma de revisão periódica ou de qualquer tipo de conduta médica.

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