Sábado | 18 de Fevereiro de 2017 | 11h33

VIC TRIUNFO TRAZ RETRATO POÉTICO SOBRE O IMPONDERÁVEL DA VIDA

 

 

Monólogo, que estreia no Viga Espaço Cênico, reflete sobre a

fragilidade do ser humano a partir das angústias e descobertas

de uma mulher comum e marca a estreia no teatro de Caio

Tozzi. Com quatro livros publicados e dois documentários no

currículo, ele assina dramaturgia e direção da montagem

 

O monólogo VIC TRIUNFO conta a história de Victória, uma mulher que carrega em sua vida o feito de ter vencido a morte três vezes, mas que descobre que sobreviver não significa nada e passa a buscar um novo caminho para entender sua existência. A peça tem estreia marcada para dia 3 de março, sexta-feira, às 21 horas, no Viga Espaço Cênico. Após oito anos de carreira como atriz, esta é a primeira vez que Renata Bortoleto sobe ao palco em um solo. A produção também marca a estreia de Caio Tozzi na direção e na dramaturgia de montagens teatrais, ele que é escritor, roteirista e diretor de documentários, como A vida não basta.

 

Renata e Caio são casados. A discussão sobre o imponderável tomou conta, nos últimos meses, da vida deles, que começaram a observar nas questões mais cotidianas uma necessidade incessante pelo controle de tudo e, consequentemente, a total impossibilidade de cumprir esse desejo. A imensidão do desconhecido e a vulnerabilidade humana diante deste mistério – temas que assombram todo e qualquer mortal desde o início dos tempos – foram transportados para este que é o primeiro projeto teatral deles juntos.

 

Exatamente por conta destas superações, ela foi apelidada de Vic Triunfo. Só que ela não vê a menor importância nelas, já que a vida seguiu como a de uma pessoa qualquer: casou-se com Duca, teve um filho com ele, o Kiko, e trabalha como professora universitária. “Tudo está no devido lugar”, diria ela. Mas Vic, como prefere ser chamada, vive em meio a medos inexplicáveis e a uma ansiedade constante, embora tente fingir para si mesma que estes sentimentos não a atingem.

 

Imponderável

“Como conviver com o imponderável? O que fazemos quando descobrimos o quanto estamos suscetíveis a tudo? Essa dor toma conta de cada um de nós – com mais ou menos intensidade – porque não imaginamos o que nos aguarda no futuro, seja daqui a um ano ou no próximo segundo”, ressalta Tozzi. “E para se salvar desse precipício, o homem inventou artifícios para explicar o inexplicável. A religião e a arte, por exemplo, tentam nos dar a chance de sermos imortais”.

 

Vic, por exemplo, tem um vício muito particular para aliviar sua alma: é aficionada por telenovelas. Sabe tudo sobre personagens e tramas, tem lembrança dos folhetins como sua companhia desde muito pequena. As novelas passaram a ser a maneira que ela encontrou de abrir uma janela mais poética na realidade dura do dia a dia. Também tem obsessão pelo controle, anota tudo e faz listas em diversos cadernos.

 

Mas Vic é pega de surpresa por esta tal vida real, capaz de abalar, inclusive, o mundo de fantasia no qual se apoia. “A montagem traz para o palco uma elaboração filosófica sobre a importância do presente, a consciência do agora, tão relevante em tempos de transição, de construção de novos valores, de um profundo buraco existencial e de tantas ausências. É, ainda, uma oportunidade de pensar sobre como podemos preencher, da melhor forma possível, este tempo e espaço que nos foram dados nesta grande jornada que é a vida”, ressalta a atriz Renata Bortoleto.

 

Com uma estética inspirada na cultura pop e nos quadrinhos, VIC TRIUNFO faz um retrato poético sobre as angústias desta mulher diante do mistério da vida e da busca permanente pelo triunfo. A partir da recriação de um canto de uma sala de estar, a proposta da direção é construir um espaço íntimo, de cumplicidade com o público como se este fosse a melhor amiga de Vic.

 

Sobre Caio Tozzi

Escritor, roteirista e jornalista. Na literatura, seus contos e crônicas estão reunidos em Postal e Outras Histórias (2009) e Quando Éramos Mais (2013). Para o público infanto-juvenil, escreveu os livros O Segredo do Disco Perdido – Uma Aventura ao Som do Clube da Esquina (2014) e Tito Bang! (2015). Como documentarista, criou, roteirizou e codirigiu  os filmes Ele Era um Menino Feliz – O Menino Maluquinho, 30 Anos Depois (2011), sobre a trajetória do famoso personagem, e A Vida Não Basta (2013), que conta histórias de pessoas que vivem pela arte e que tem a participação de Laís Bodanzky, Ferreira Gullar, Toquinho e Denise Fraga, entre outros. Além disso, atua na produção de conteúdo e histórias para projetos culturais e de entretenimento, assim como na publicidade e mercado institucional.

 

Sobre Renata Bortoleto

Atriz, diretora e dramaturga. Começou sua formação na oficina da Companhia dos Satyros, com Rodolfo García Vásquez, em 2009, quando foi convidada a compor o elenco do Núcleo Experimental que viria a encenar R.E.M. – Rapid Eye Movement, com direção de Luiz Valcazaras, espetáculo livremente inspirado no texto O Sonho, de August Strinberg. Atuou nas montagens de Ensaio de um Documentário (2010-2011), dirigido por Roberto Andreoli, e 1915, de Arthur Haroyan e direção de Rogério Rizzardi (2015), sobre a trajetória de uma família vítima do genocídio armênio. No cinema, trabalhou nos curtas-metragens Monólogo (2009), de Guilherme Valle, Ser Estar Permanecer Ficar (2011), de Eduardo Melo, e Em Meu Nome (2016), texto de Caio Tozzi e direção de Bruno Andrade. Como autora e diretora, montou o Depois de Ontem (2013), que discute os sentimentos controversos presentes nas relações baseadas no amor e no afeto.

 

 

Para roteiro:

VIC TRIUNFO – Estreia dia 3 de março, sexta-feira, às 21 horas, no Viga Espaço Cênico – Sala Piscina. Com Renata Bortoleto. Dramaturgia e direção – Caio Tozzi. Cenografia e figurino – Caio Tozzi e Renata Bortoleto. Trilha sonora original – Felipe Parra/Capitão Foca. Design gráfico – Beatriz Marassi. Fotos – Felipe Portella. Vídeo – Pedro Ferrarini/Vila Filmes. Realização – Belbellita Comunicação & Artes. Duração – 70 minutos. Temporada – Sextas e sábados às 21 horas e domingos às 19 horas. Ingressos – R$ 30. Indicado para maiores de 12 anos. Até 26 de março.

 

 

VIGA ESPAÇO CÊNICO – Rua Capote Valente, 1323 – Sumaré (próximo à estação Sumaré do metrô). Informações (11) 3801-1843. Bilheteria – Abre uma hora antes do espetáculo. Pagamento somente em dinheiro ou cheque. Acesso e banheiro para deficientes. Capacidade – 50 pessoas. www.viga.art.br

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