Sexta-Feira | 3 de Março de 2017 | 12h10

O que as mulheres mais velhas devem fazer para preservar a fertilidade

 

As pesquisas do IBGE confirmam tendência de gestações tardias com maior aumento no número de grávidas na faixa etária de 35 a 39 anos

As pesquisas de Registro Civil do IBGE revelam dados impressionantes sobre o comportamento da mulher em relação a gravidez. De acordo com o último levantamento, referente a 2015, houve aumentos exponenciais do número de grávidas em todas as faixas etárias a partir dos 30 anos, confirmando uma tendência de que as mulheres no Brasil estão tendo filhos cada vez mais tarde por causa de exigências profissionais, opção pessoal e também pelos avanços nos tratamentos de Reprodução Assistida.

De acordo com o IBGE, em dez anos fica clara a inversão de expectativa, com o registro de crescimento bem menor no número de gestações nas faixas etárias mais jovens. Veja alguns números do IBGE: 

  • Mulheres entre 15 e 19 anos – crescimento de 13,7% em 10 anos.
  • Mulheres de 20 a 24 anos – crescimento de 16,3% em 10 anos.  para 388.
  • Mulheres entre 30 e 34 anos – crescimento de 37,8%. Em 2005, 428.371 crianças nasceram de mães nesse grupo etário. Em 10 anos, saltou para 590.394
  • Mulheres grávidas de 35 a 39 anos - crescimento de 46,8%. Em 2005, 208.424 crianças nasceram de mães com essa faixa de idade. 10 anos depois, o número chegou a 305.989.
  • Mulheres grávidas com mais de 50 anos – crescimento de 40,6%. Em 2005, os cartórios brasileiros registraram o nascimento de 276 crianças filhas de gestantes nessa faixa etária. Em 10 anos, esse número pulou

 “O problema da opção pela gravidez tardia é que a capacidade reprodutiva praticamente não evoluiu. As mulheres continuam mantendo as taxas mensais de perda de óvulos, diminuindo mil óvulos em cada ciclo menstrual, e chegam nas idades mais avançadas com menos chances de realizar o sonho da maternidade”, afirma o ginecologista e obstetra Dr. Paulo Gallo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e diretor-médico do Vida – Centro de Fertilidade, do Rio de Janeiro. A esperança da gravidez para essas mulheres  veio com a evolução dos métodos de Reprodução Assistida, que vem garantindo resultados expressivos e aumento nas taxas de sucesso dos tratamentos.

Do ponto de vista biológico, a idade limite para engravidar é a menopausa, que é a representação orgânica do final do seu potencial de engravidar. Do ponto de vista da Medicina Reprodutiva, estando a mulher apta, isto é, não possuindo nenhuma doença que possa ser agravada pela gestação, estando ciente dos riscos aumentados da gestação para a idade e a mulher ainda possuindo útero, não existe idade limite. Entretanto, do ponto de vista da Regulamentação da Medicina Reprodutiva, é preconizado que as mulheres engravidem antes dos 50 anos. Após essa idade existe um risco muito maior de doenças ligadas à gestação como a diabetes e a hipertensão gestacional. Além disso, existe uma grande preocupação com o relacionamento familiar dessa criança já que seus pais terão idade muito mais avançada.

“Preservar a fertilidade significa guardar os gametas (óvulos e espermatozoides) congelados para uso futuro. Mas as pessoas devem ficar atentas porque muitos métodos usualmente utilizados são limitados”, afirma a ginecologista e obstetra, Maria Cecília Erthal, especialista em medicina Reprodutiva e também diretora-médica do Vida – Centro de Fertilidade. Veja quais são as principais técnicas indicadas para as mulheres mais velhas:    

Congelamento de Embriões

Aproximadamente metade dos casos de fertilização in vitro evolui com mais embriões do que aqueles que serão transferidos. Isso ocorre porque existe um limite no número de embriões que devem ser transferidos, a fim de se evitar gestações múltiplas. Os embriões não transferidos devem ser congelados e, caso a tentativa de FIV seja um sucesso, podem vir a ser descongelados para se tentar um segundo filho. Ou então, caso a tentativa não tenha resultado na gestação desejada, os embriões podem ser transferidos no mês seguinte.

O congelamento representa uma série de vantagens para o casal

  • Quando sobram embriões em boas condições de congelamento, isso significa que a mulher respondeu bem às medicações para estimulação ovariana, que a fertilização foi adequada e que houve evolução para embriões de boa qualidade;
  • Um mesmo ciclo de estimulação ovariana pode gerar mais de uma transferência de embriões;
  • Se o casal obteve a gestação e não quer mais filhos, existe a possibilidade desses embriões virem a ser utilizados, em um futuro próximo, como células tronco para o tratamento de doenças.

 Congelamento de Óvulos

Diferente do homem, a mulher não tem formação de novos gametas (óvulos). Ela já nasce com seu estoque, que vai sendo consumido ao longo da vida. Além disso, o envelhecimento diminui a quantidade de óvulos geneticamente normais, sobrando para o fim da vida reprodutiva óvulos de má qualidade genética. Por esses motivos, o ideal é que a preservação se faça até os 35 anos.

O congelamento de óvulos já é uma técnica bem estabelecida e de grande sucesso. No entanto, para se obter óvulos em quantidade segura, para garantir uma futura gestação, é necessário o uso de medicamentos para estimulação da ovulação, processo que dura aproximadamente 20 dias. Dependendo da quantidade de óvulos produzidos, pode ser necessário mais de um ciclo de estimulação para gerar uma quantidade suficiente de óvulos que aumente a chance de uma gestação futura, tendo em vista que não se sabe exatamente quantos irão fertilizar após o descongelamento.

Existe ainda a alternativa de congelar o tecido ovariano, mas essa é uma técnica ainda considerada experimental.

Congelamento do Tecido Ovariano

O congelamento de tecido ovariano é outra alternativa. Já existem casos publicados de gravidez utilizando-se esta técnica, no entanto, ainda é uma técnica considerada experimental.

 

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