Quarta-Feira | 22 de Fevereiro de 2017 | 11h25

Monólogo com Nicole Cordery

Alice, Retrato de Mulher que Cozinha ao Fundo faz nova temporada gratuita na Oficina Cultural Oswald de Andrade devido ao grande sucesso

Fotos de João Caldas Fº

 

O monólogo “Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo” põe em cena a companheira de Gertrude Stein, Alice B. Toklas. Autora de um famoso livro de receitas, Alice foi também personagem de uma Autobiografia escrita por outra pessoa: Gertrude Stein. Os múltiplos fragmentos que compõem a vida dessa mulher singular são vividos em presente contínuo pela atriz Nicole Cordery.

Com direção de Malú Bazán,o solo fala sobre a figura de Alice B. Toklas. Com uma dramaturgia fragmentada edissonante, tal qual a literatura de Gertrude Stein, a peça lança um olhar em perspectiva para a relação entre as duas mulheres na Paris dos anos 20

 

Depois do sucesso da última temporada, o espetáculo Alice, Retrato e Mulher que Cozinha ao Fundo volta em cartaz a convite da Oficina Cultural Oswald de Andrade para uma nova série de apresentações de 14 a 30 março. Terças, quartas e quintas às 20h.

 

A peça teve todas as suas apresentações lotadas desde a estreia, em agosto de 2016, na Sala Beta do Sesc Consolação. A repercussão do espetáculo e grande procura na retirada de ingressos da Oficina Cultural Oswald de Andrade levaram os programadores a convidar a produção para mais um período no local. Sabendo do interesse da diretora Malú Bazán de dialogar com diferentes espaços e arranjos arquitetônicos, a peça volta em outra sala, dedicada de hábito às artes plásticas.

A temporada prevê ainda uma tarde de aula-conversa no dia 01 de abril, com a jornalista e pesquisadora Gabriela Longman, em que estarão presentes a dramaturga Marina Corazza, a diretora Malú Bazán e a atriz Nicole Cordery. O encontro faz um apanhado sobre o período retratado na peça - em especial sobre as relações entre os movimentos artísticos e literários e o contexto de guerra. A programação contará ainda com projeção de filmes trechos de música e leituras breves. 

 

A dramaturgia de Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo assinada por Marina Corazza partiu de duas importantes referências: The Alice B. Toklas Cookbook, escrito por Alice e A autobiografia de Alice B. Toklas, escrita por Gertrude Stein. No primeiro, Alice, companheira de Gertrude Stein, já doente, descreve as receitas servidas em um dos endereços mais badalados da Paris dos anos 20 onde viveu com Stein, o 27 Rue de Fleurus. Em meio às receitas, de forma absolutamente prosaica e autêntica, Alice revela fatos e anedotas de sua vida ao lado de Stein e sobre a efervescência cultural da qual faziam parte.

Já o segundo, se tornou o livro mais conhecido de Gertrude no qual escreve a “autobiografia” de sua companheira. Ao assumir a voz de Alice, Gertrude conquista a popularidade literária que tanto almejava de forma a ampliar o alcance de suas pesquisas literárias na direção de uma estética cubista na literatura. Mas e a própria Alice: quem era? O que vivia? O que dizia e como dizia?

 

Depois da morte de sua companheira, Alice viveu ainda mais 20 anos nos quais se ocupou em preservar e divulgar a obra de Stein.

 

A peça discute as fronteiras entre realidade e ficção, entre as histórias e suas dissonantes interpretações. Nela, Alice passeia por diferentes tempos e espaços, numa espécie de mosaico. Escolher a personagem real, ao mesmo tempo fictícia, de Alice B. Toklas potencializa múltiplas miradas sobre a relação de amor entre essas duas mulheres e sobre como influenciaram e foram influenciadas pela efervescente Paris dos anos 20 e 30.

Desde o início do trabalho, criar um jogo de espelhos, que embaralha a noção do eu e do outro, que confunde as fronteiras entre a ficção e o real foi um dos objetivos do projeto. A perseguição foi por uma dramaturgia que ousasse friccionar as pesquisas estéticas de Stein, as memórias de Alice, e também a posição de quem olha com certo distanciamento histórico, se reconhecendo e se estranhando com essas duas mulheres.

 

Para compor esse caleidoscópio Nicole Cordery, Malú Bazán e Marina Corazza contaram com o grande apoio do dramaturgo, professor e pesquisador americano Leon Katz. Em 1952, Katz foi premiado com uma bolsa da Fundação Ford que lhe possibilitou passar um ano com Alice, entrevistando-a a partir de anotações nunca publicadas de Stein que na eminência da II Guerra foram enviadas às pressas para a Yale Library nos Estados Unidos. “Estimulado com o fato de procurarmos por materiais sobre Alice Toklas, Katz nos enviou não só seu relato sobre o ano que passou como Alice, como uma primeira versão de seu monólogo “Nurturing Alice”, nos autorizando a fazer uso desses materiais para a composição da peça”, conta a atriz Nicole Cordery.

 

Além das obras já citadas e do material cedido por Leon Katz, foram consultados também trechos dos livros: Paris, FrançaLifting BellyQ.E.D.,MelancthaAda, entre outras obras de Gertrude Stein, e Staying on Alone (lettres of Alice B. Toklas) e What is Remembered, ambos de Alice B. Toklas.

Assim, a dramaturgia de Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo é composta pelo choque desses inúmeros materiais que se tencionam, ora simétrica, ora assimetricamente e criam novas materialidades que se revelam a partir de seus interstícios.  

 

Ficha Técnica:
Dramaturgia: Marina Corazza
Direc?a?o: Malu? Baza?n
Atriz: Nicole Cordery
Cena?rios e figurinos: Anne Cerutti
Iluminac?a?o: Nelson Ferreira
Trilha sonora: Rui Barossi e Pedro Canales
Apoio vocal: Lucia Gayotto

Serviço
Oficina Cultural Oswald de Andrade
de 14/03 a 30/03
terças, quartas e quintas às 20h.

Gratuito, senhas retiradas 1h antes da peça.

Lotação: 20 lugares
Indicação 14 anos
Durac?a?o: 60 minutos
Grátis

 

Aula-encontro 

A bomba que caía ao fundo: reflexões sobre arte moderna e guerra 

Sábado, 1 de abril, das 15h às 17h

Gabriela Longman é Mestre em Artes e Linguagem pela ÉcoledesHautesÉtudes  enSciencesSociales (EHESS-Paris) e doutoranda em teoria literária pela USP.

 
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