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Estresse libera substâncias que aumentam produção insulínica e predispõe o acúmulo de gordura

20 de Janeiro de 2017
 
 

Cortisol e citocinas inflamatórias estão relacionadas ao desequilíbrio no organismo

O estresse e a obesidade não estão relacionados apenas pela conhecida compulsão alimentar, mas também – e principalmente – pela liberação acima do normal de substâncias comuns ao corpo como o cortisol e as citocinas inflamatórias. O cortisol estimula a produção da insulina, que faz com que o organismo estressado produza – ou não produza – respostas adaptativas para o mecanismo de preservação e manutenção da vida – que é diferente entre espécies e indivíduos.

De acordo com o médico nutrólogo da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Dr. José Alves Lara Neto, “quando há um desequilíbrio, o organismo induz o cérebro a se proteger abaixando a taxa metabólica basal, subsequentemente religando os reflexos responsáveis pela preservação e manutenção da vida, dentre eles o sistema de armazenamento de energia de longa duração, mantendo energia apenas para as funções da vida em repouso. Somado a isso, tudo o que você come, o corpo reconhece que pode ser uma ‘última refeição’ e armazena”. Ao comer um pão – ou qualquer outro carboidrato –, por exemplo, a insulina é anabolizada imediatamente e manda estímulos ao hipotálamo, que reconhece e manda três sinais ao corpo:

  1. Manda você comer a cada 30 minutos
  2. O organismo preserva a gordura visceral já existente
  3. Tudo o que você comer imediatamente será internalizado pela célula e fabrica gordura
 

Não é só a alimentação

Toda reação ao estresse pode ser adequada ou inadequada, mas geralmente leva ao sistema de “recompensa”, quando o indivíduo internaliza o problema e busca por um estímulo que lhe traga prazer.

O Dr. Lara comenta que o estresse também depende da trajetória genética. Algumas pessoas são mais propensas a se estressar – mais ou mais rápido –, pois cada organismo reage de uma forma à carga de liberação dos estímulos neurais. “Um médico nutrólogo investigará a fundo as causas da obesidade, que por muitas vezes não estão ligadas exclusivamente à alimentação. Por isso, quando procurar ajuda médica tente sempre sanar suas dúvidas, pois nem todo magro como pouco e nem todo gordo come muito”, pontua.

Estresse oxidativo

As citocinas inflamatórias causadas pelo estresse também desencadeiam um processo oxidativo extremamente agressivo para o organismo, gerando as doenças metabólicas, até mesmo o câncer. “Esse tipo mais agressivo de estresse é um desequilíbrio entre os pró-oxidantes e oxidantes, que pode ser permanente ou crônico, gerando diversas disfunções nutroneurometabólicas”, conclui o médico nutrólogo da ABRAN.

 
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