Terça-Feira | 20 de Dezembro de 2016 | 9h28

Millennials brasileiros e americanos conversam sobre assuntos muito diferentes

Ilustração do Flickr

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Júlia Contarelli

Não pude deixar de reparar nas diferenças entre os millennials americanos e brasileiros que conheço - quanto a comunicação. 

Nos últimos dois anos trabalhei e estudei com americanos. Senti muita falta dos meus amigos brasileiros, das conversas e das risadas. Até que um dia percebi que também sentia muita saudade de mim; de como eu agia quando com eles. 

Quando com certos brasileiros, eu me sentia inteligente, interessante. Conversava sobre Religião, Política e outros interesses. Com outros eu conversava sobre coisas banais e ria até chorar, o papo fluía. Com desconhecidos na rua eu 
puxava conversa e era simpática, agradável. E claro, naturalmente, muitas vezes conversei com pessoas não tão inteligentes, nada interessante e muito mal educadas; muitas vezes fui tudo isso também.  

Quando com americanos o papo era outro. Dei tchau para assuntos diversos. Tudo parecia mais classificado. Se estava conversando com uma menina que conheci no grupo de Dança, todas as palavras que saiam de nossas bocas eram sobre dança. Se tal menino joga Golfe, adivinha sobre o que é a conversa? Golf.  

Tudo era relacionado com o rumo que a pessoa decidiu tomar na vida, ou você é uma dançarina, ou um jogador de Golfe e assim que decidir o que você faz, decide a que se prende. Eu, como jornalista, tinha tudo relacionado com o jornal. Ou comentava de uma matéria, ou de um design. Às vezes no Newsroom até rolava uma conversa meio fora do padrão, mas só acontecia se alguém estivesse escrevendo sobre o assunto.  

Conheci muitos americanos interessantíssimos, engraçadíssimos, mas não posso ignorar a maioria.  

Não é novidade para ninguém que a cultura de onde a pessoa cresce influencia o seu modo de agir. A diferença na comunicação parece não ser tão drástica, mas eu me sinto presa conversando com muitos americanos. Não consigo sair daquela bolha que eu mesma escolhi para mim.  

Amo morar nos Estados Unidos, mas vim passar as férias no Brasil e que maravilha que é conversar sobre assuntos diferentes, com pessoas que querem conversar de tudo e mais um pouco. 
 
 

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