Sexta-Feira | 21 de Outubro de 2016 | 16h51

Autoestima e autoimagem de mulheres com câncer de mama

Como será que é para a mulher quando ela descobre que está com câncer de mama? O que ela sente? O que passa pela cabeça dela? O que muda em sua vida diante de uma notícia dessas?

Sim. A mulher passa por um turbilhão de sentimentos! Eu como enfermeira, aluna de PhD do Programa de Pós-graduação Enfermagem em Saúde Pública e atuante há 10 anos no Núcleo de Ensino, Pesquisa e Reabilitação de Mastectomizadas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (USP), posso, através da minha vivência com essas mulheres dizer isso para vocês. É como se elas entrassem em um túnel escuro e sem saída. E muitas delas relatam que a sensação ao receber a notícia do câncer de mama é de medo e finitude.

Medo de morrer, medo dos tratamentos, medo de não dar conta de passar pela situação de doença, medo de trazer sofrimento para a sua família, medo das modificações físicas que os tratamentos podem trazer para elas. É sim um momento muito delicado, e muitas vezes, não são tratados nessa temática de câncer de mama, mas nós temos sim que saber as consequências físicas e psíquicas que o câncer de mama pode acarretar para nós mulheres, porque assim, poderemos nos educar a realmente se prevenir e se cuidar.

O câncer de mama traz mudanças físicas significativas para as mulheres, principalmente devido aos tratamentos. A retirada da mama através da cirurgia de mastectomia, faz com que a mulher tenha uma alteração da imagem de si mesma, principalmente quando se olha no espelho e se vê sem a mama. Ela se sente mutilada, pois um pedaço dela foi retirado, um pedaço que é símbolo de feminilidade e sexualidade da mulher e por isso, sua autoimagem fica completamente alterada. Essa mulher apresenta sentimentos de insatisfação, culpa, tristeza, desanimo, vergonha, incômodo e constrangimento.

A quimioterapia, por exemplo, provoca a queda de pelos e cabelos, além de possíveis modificações nas unhas e coloração da pele dessas mulheres, além de  aumento de peso, e muitas delas também sentem-se envergonhadas, tristes, ansiosas e incomodadas diante dessas mudanças. Muitas delas relatam que ao perderem cílios, sobrancelha e os cabelos ficam sem fisionomia, e ao olharem-se no espelho não conseguem se reconhecer como mulher e nem como ser humano, como se estivem em um outo corpo, como se perdessem um pouco do seu valor.

Todas essas modificações citadas, além de trazerem modificação da autoimagem dessas mulheres também trazem modificação em sua autoestima.

Ao se verem sem pelos, cabelos, sem as mamas, muitas vezes também ganham peso devido ao tratamento, sentem seu valor diminuído, acabam se isolando por vergonha e medo dos comentários e olhares das outras pessoas. Sentem-se envergonhadas ao colocar uma roupa, pois essa roupa não lhe cai bem devido a falta da mama, ou porque as roupas não servem mais por conta do aumento de peso e elas relatam sentir-se desajeitadas. Além disso, muitas delas por estarem vivenciando essa situação de doença perdem a vontade de se arrumar, de sair, de se relacionar inclusive no que se refere ao aspecto sexual, pois sentem-se feias diante da falta do cabelo, sobrancelha, cílios, e da falta da mama.

É importante que nós mulheres saibamos que essas modificações na autoimagem e na autoestima podem acontecer para entendermos o processo todo que envolve ter um câncer de mama. Assim, podemos apoiar e incentivar mulheres que estejam passando por essa vivência e passamos a ficar mais atentas também ao nosso corpo, realizando medidas de prevenção do câncer de mama como: ir às consultas médicas de rotina, manter hábitos de vida saudáveis, manter o peso adequado à altura, evitar consumo de alimentos gordurosos e condimentados, de álcool e tabaco, realizar exercícios físicos regulares e cuidar da nossa qualidade de vida! Sabemos que não é fácil, devido à vida corrida que todas nós temos na atualidade, mas temos que entender que precisamos tirar um tempo para olharmos e cuidarmos de nós mesmas. O câncer de detectado precocemente tem grande chance de cura, e quanto mais precocemente detectado menor são as morbidades e as consequência que ele pode ocasionar.

Paola Alexandria P. Magalhães

 

Texto escrito por Paola Alexandria P. Magalhães

Nurse Especialist  in Intensive Care - HC/FMUSP

Research in Oncology and Public Health - EERP/USP

PhD candidate of USP - EERP/USP
 

Research visitor in Autonomus University of São Paulo

Scholarship FAPESP - Direct PhD mode

Enfermeira Paola Alexandria Magalhães – aluna de PhD DO Programa de Pós-graduação Enfermagem em Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo - USP

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