Quinta-Feira | 6 de Outubro de 2016 | 17h58

Degraus na vida de um estrangeiro

Sou brasileira paulistana, cresci falando português, sou fã de beijinhos no rosto e muita simpatia. Trabalhei duro para aprender inglês, um degrau na escada da minha vida. Consegui entrar em uma faculdade nos Estados Unidos, mais um degrau.  Ganhei uma  bolsa acadêmica, grande degrau!  Virei editora da vida estudantil no jornal da faculdade e agora sou chefe no The DrumBeat, um jornal no Texas, outro nível para mim, um baita de um degrau.

Julia Contarelli (Editor chefe de reportagem) e Barbara Arroio (Editora da Web), duas brasileiras trabalhando no jornal The DrumBeat no Texas, Estados Unidos.
Crédito:Divulgação

 

Suei minha camisa para chegar onde cheguei. Agora deixe-me compartilhar o meu maior problema nessa fase: respeito.

            Trabalho com pessoas da minha idade, de 18 a 27 anos, todos ainda na fase de adaptação à vida profissional. Apesar de ter sido assustador no começo, isso não me causa problema algum. Todos são muito respeitosos nesse quesito. Pra falar a verdade, minha equipe é maravilhosa e até temos uma menina brasileira, a Web Editor.
            A falta de respeito com que estou lidando é a questão do inglês. Perdi a conta de quantas vezes escrevi algo, alguém julgou como errado e estava na verdade certo quando pesquisado. Perdi a conta de quantas vezes me perguntaram se não tinha nenhum americano para cobrir tal matéria.
            Quero morar nos Estados Unidos pois aqui é maravilhoso, mas quero ser respeitada pelo meu trabalho. Não posso culpar americanos ou brasileiros. Sementes ruins vão sempre existir, e algumas pessoas vão julgar pela capa do livro.
            Tive uma semana ruim na qual duas pessoas depois de informadas que eu sou brasileira pediram outra repórter. A minha resposta pra isso é estudo. Vou melhorar na minha profissão e chegar a um ponto onde essas pessoas vão querer ser entrevistadas por mim. Esse é o meu próximo degrau.
            Espero que muitos tenham a mesma resposta quando atingidos por tais problemas. Não desistam quando menosprezados, tenham como objetivo a melhora profissional para que um dia a dúvida do potencial nunca seja posta em pauta.

 

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