Sexta-Feira | 9 de Setembro de 2016 | 14h37

Trabalhar com música...

 

... é como ser a “cigarra” e a “formiga” ao mesmo tempo. Já comentei sobre este tema em textos passados, mas frequentemente as pessoas me perguntam pessoalmente ou através das redes sobre o mercado musical e sobre trabalhar na noite com música. Devido essa crise de emprego, resolvi dar mais alguns toques sobre o como trabalhar nesta área e conseguir ganhar uma grana legal mesmo nesse cenário caótico.

Muitas casas de show estão contratando e preferindo ter apresentações de música ao vivo e isto está abrindo novos espaços de trabalho para músicos e cantores, mas conseguir fazer parte do roteiro das apresentações noturnas não é tão fácil quanto parece.

O primeiro e mais importante passo pra quem quer seguir nessa empreitada é se despir dos preconceitos musicais e deixar o “seu” gosto musical em segundo ou terceiro plano. Apenas em algumas raras exceções será possível aliar a música que as pessoas e contratantes querem que você cante, com as que você gosta de cantar.

A música tem sido meu trabalho já por mais de 20 anos e apenas nos últimos 4 ou 5 que notei algumas diferenças gritantes em quem também pretende entrar nesse circuito. Não adianta ter um CD bem gravado, clipes mirabolantes e milhares de seguidores que nada disso vai te fazer ganhar dinheiro na noitada. Quem trabalha desta maneira é por que acha que terá como divulgar seus trabalhos nos shows ao vivo nas casas de shows onde o público já frequenta, mas isso não garante seu trampo.

É super possível, pra quem faz em média 4 ou 5 apresentações por semana chegar em uma renda mensal de R$ 5 à 8 mil, mas chegar neste patamar requer principalmente investimento do seu tempo e basicamente todos os finais de semana por anos a fio consumidos nesse objetivo.

Agora o toque final... o repertório! Este sim tem que estar completamente dentro do que se espera, e o que se espera é tocar tudo que está bombando de mais atual. Não adianta chegar agora no final do ano tocando “As Vingadoras” do Trá, nem muito menos o Lepo-Lepo de 2 anos atrás. É preciso estar antenado para não perder oportunidades de trabalho e estar disposto a ser o mais eclético o quanto for possível.

Para finalizar, insisto que todos os meus parceiros e amigos de profissão não fiquem por aí “dando” canja, por que isso desvaloriza seu próprio trabalho. Quem quiser ver seu show tem que pagar, mesmo por que também, praticamente não existe mais o famoso “couvert”. Então faça seu show ser algo bem consumível, e com um preço coerente, por que tem muita gente precisando de bons músicos e artistas e muitos bons artistas e músicos precisando de bons trabalhos.

  

 

 

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