Sexta-Feira | 19 de Agosto de 2016 | 9h3

Resposta a Folha de São Paulo pela matéria: Só escravidão deve superar moto em destruição social

André Garcia durante palestra de segurança de trânsito com foco na motocicleta. Foto: Renato Frasnelli

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ontem 18/08/2016 fiquei estarrecido quando me deparei com a matéria da jornalista Luisa Leite no jornal Folha de São Paulo, click aqui para ler.

Primeiro pela parcialidade da jornalista que tinha o dever de ouvir outro lado, já que se trata de uma matéria de cunho jornalístico e não uma coluna de cunho opinativo, segundo que a fonte da matéria por mais qualificado que seja, não é de hoje, mostra verdadeiro ódio pelo veículo de duas rodas que dia a dia tira clientes do péssimo transporte público.

Por maior que seja meu respeito ao engenheiro e sociólogo Eduardo Vasconcelos, ser especialista em trânsito não lhe confere a competência para opinar sobre veículo de duas rodas, sua opinião e profilaxia é o mesmo de um médico plástico querer resolver o problema de um paciente oncológico ou um ginecologista opinar sobre ortopedia.

Para piorar, no texto afirma como se fosse verdade insofismável que a motocicleta não pode trafegar entre os carros.

Ora meu caro engenheiro e sociólogo, o senhor está deveras equivocado e demonstra a necessidade de andar de moto para formar opinião, o que já lhe lanço o convite, bem como, saber que na Austrália no Estado de Nova Gales do Sul o corredor foi legalizado e no Estado da Califórnia nos EUA, após dados do Departamento de Transporte confirmado por estudo da Universidade de Berkley a motocicleta necessita do corredor, já que naquele Estado onde se permite com o apoio da CHIP´s (Polícia Patrulheira), constatou-se 30% menos mortes de motociclistas que em outros Estados norte-americanos.

O Senhor também esqueceu de mencionar que, no Brasil, especialmente na cidade de São Paulo, passamos por movimento irresponsável dos gestores públicos que insistem em estreitar a faixa de rolamento, lhe dou como exemplo a Avenida 23 de Maio que em 2006, na gestão José Serra, criou a quinta faixa e passando de 3,50 para 2,60 de largura, iniciou os acidentes com motocicletas. E nas Marginais?? Proibir a via expressa da Marginal Tietê jogando as motocicletas na pista local, exatamente onde caminhões e ônibus estão querendo sair da via, pergunto? Diminuiu ou aumentou as mortes naquela via?

O Senhor também não levou em consideração e como sociólogo não poderia deixar de mencionar o uso de película escura que sob o falso pretexto de aumentar a segurança, faz o condutor do automóvel dirigir sem visibilidade periférica e quem afirma isso é a Dra. Cynthia Owsley que realizou o estudo “Contrast sensitivity” (Cynthia Owsley, MSPH, PhD, Department of Ophthalmology, School of Medicine, University of Alabama at Birmingham, 700 South 18th Street, Suite 609, Birmingham, AL 35294-0009, USA). 

O senhor também esqueceu de mencionar o uso do telefone celular, que já não bastava a sua simples utilização ao falar, agora digitam texto e caçam “Pokemon”.

Talvez o senhor não saiba que “Motorcycle Safety Foudation” - MSF nos EUA afirma que 55% dos acidentes naquele país entre automóveis e motocicletas, a culpa é do motorista.

Talvez o senhor desconheça que na Espanha que reduziu sua mortandade nas vias públicas em 56% entre 2005 e 2011, em 2009 a DGT por meio de dado estatístico concluiu que a cada 10 acidentes entre automóveis e motocicletas, 7 a culpa era do motorista e fechou o cerco com fiscalização, aumento da pontuação e multa por quem usa celular, proibiu película escura, enfim, fez uma série de ações que resolveu o problema.

Talvez o senhor não saiba, mas a Prefeitura de Paris na França eliminou entre 2008 e 2015 mais de 4000 vagas para automóveis e as converteu para veículo de duas rodas, aliás, veículo incentivado pelo Governo Francês que por meio de propagandas pede ao usuário andar equipado.

Talvez o senhor não percebeu que cidades como Roma, Milão, Paris, Barcelona e muitas outras, os cidadãos se deslocam das periferias de moto e scooter, as estacionam em bolsões gratuitos e se deslocam de trem e metrô, algo esquecido no Brasil há mais de 60 anos para incentivar o deslocamento com automóvel. Não existe um só bolsão para motocicleta na entrada de metrô ou trem em qualquer cidade brasileira, o que demonstra falta de competência aos gestores públicos e assessores de transporte de massa.

Por fim, sua infeliz afirmação de que “Só escravidão deve superar moto em destruição social” a comparo a afirmação do atleta francês Renaud Lavillenie de que a vaia da torcida brasileira se compara a de Jessen Owens em 1936, simplesmente lamentável.

A jornalista fica a sugestão: ouça outro lado e cuidado com a fonte, as vezes o interesse prejudica a matéria que se torna tendenciosa. 

E ao engenheiro e sociólogo Eduardo Vasconcelos convido a andar de moto comigo por São Paulo, os equipamentos são por minha conta.

Aliás, estendo o convite a jornalista Luisa Leite, tenho certeza que tal experiência será enriquecedora e necessária para formação de opinião.

Enviei este artigo a Folha de São Paulo, todavia, como não sei se será publicado e se for se será mantido o interior teor, autorizo, mediante publicação da autoria, qualquer veículo da mídia, blog etc... a publicá-lo.

André Garcia é motociclista, advogado especialista em Gestão e Direito de Trânsito, colunista na imprensa especializada de duas rodas, idealizador do Projeto Motociclismo com Segurança que busca aculturar a sociedade em segurança viária por meio de palestras e aulas de pilotagem, laureado com o Prêmio ABRACICLO de Jornalismo em 2008 – Destaque em Internet e em 2013 – Vencedor em Revista, com matérias de segurança viária, foi homenageado pelo Dia Internacional do Motociclista em 09/08/2013 pela Câmara Municipal de São Paulo e Associação Comercial de São Paulo com o Troféu “Marco do Paz” destinado a quem se destaca em trabalhos de ação social e pela construção da cultura de paz no mundo. andregarcia@motosafe.com.br

 

André Garcia usa e recomenda equipamentos: 

 

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últimos comentarios
No meu cometário, destaco um simples fato: o acidente faz parte do cotidiano humano desde a antiguidade, em qualquer atividade. A fragilidade do nosso corpo: sangue, água, ossos, etc dentro de uma terra com leis naturais, como a lei da gravidade, por exemplo. O nosso corpo, não foi criado para a velocidade. Hoje, qualquer é veiculo automotor é perigoso, mas sem dúvida a motocicleta é o mais.

Por: Marcus Mendes Marques

De: uberlândia Data e hora: 14/02/2017 - 10:29:55

Gustavo, todavia, o Vasconcelos dá como solução o que mata mais motociclistas no mundo: proibir a utilização do corredor.

Por: André Garcia

De: São Paulo Data e hora: 23/08/2016 - 10:55:23

Ué, o texto do sociólogo Eduardo Vasconcellos defende a mesma coisa que você, que criem mecanismos próprios de proteção no transito às motocicletas, associados à educação no trânsito e fiscalização. Os números também falam por si só. Agora, se a jornalista pega uma frase descontextualizada e usa com

Por: Gustavo

De: São Paulo Data e hora: 22/08/2016 - 12:08:17

O tom agressivo do advogado motociclista já demonstra que ele não é um grande entendido, e sim muito inseguro. O fato de Paris ter uma \"política urbana\" de favorecimento para veículos de 2 rodas em nada contradiz a exposição do estudioso E. Vasconcelos. Por fim, observem a PROPAGANDA no final. A s

Por: Carlos Vita

De: S Paulo Data e hora: 22/08/2016 - 12:05:43

Não sei quem está certo nessa discussão, mas convido a todos que tenham dúvidas sobre o risco de uma motocicleta, a passar uma semana observando a Área Vermelha de um hospital de Trauma em qualquer cidade do Nordeste. É muito revoltante. Esse dado de que a maior parte dos acidentes ocorre por culpa

Por: Geovana

De: João Pessoa Data e hora: 21/08/2016 - 17:54:31

Essa matéria não tem interesse algum em informação. Mas de mais uma vez fragmentar a sociedade. Esse assunto esteveem evidência aqui na França recentemente. Essa matéria é financiada pelos formadores de opiniões.

Por: Caetano AA

De: Nice Data e hora: 21/08/2016 - 12:58:56

Prezado Dr. André, sou motociclista e me interesso muito por essa questão.Longe de mim ter a sua competência, mas assino embaixo.Concordo com tudo o que diz e lamento a ignorância de alguns comentários aqui postados. De fato, a síndrome de vira lata é um filme muito escuro que cega essas pessoas, no

Por: Arthur H. V. Fróes

De: Macaé, RJ Data e hora: 21/08/2016 - 12:31:06

Gostei muito do seu texto, tambem sou motociclistas e até hoje nunca havia lido algo tão certo, parabéns.

Por: Bruno

De: Frutal Data e hora: 21/08/2016 - 00:23:02

Como assim a solução é restringir o uso da motocicleta? Brasileiros e suas piadas de mal gosto, só pode. Enquanto em todo lugar onde há vida inteligente a solução vem da educação, no Brasil vem da restrição de direitos adquiridos. Vergonha.

Por: George

De: Maracanaú Data e hora: 20/08/2016 - 21:14:48

Ghandarva acho que você não entendeu que respondi a profilaxia do sociólogo. Você usa celular ao volante e seu carro carro tem película?

Por: André Garcia

De: São Paulo Data e hora: 20/08/2016 - 19:57:28

O infeliz autor dessa carta, faz critica a comparação e compara o transito do Brasil ao da Europa. Ou seja, respondeu a algo que em nenhum momento foi perguntado. A matéria diz respeito a números, índices e não aos meios que geraram tais numeros. Contra numeros não ha desculpas. É o tipo da resposta

Por: Ghandarva

De: Sâo Paulo Data e hora: 20/08/2016 - 19:37:45

Silvio além da síndrome de vira lata, aposto que você usa celular ao dirigir e usa película escura.

Por: André Garcia

De: São Paulo Data e hora: 20/08/2016 - 19:18:22

Estarrecedor não é o texto dele, são os dados. Meu filho é motociclista, claro que entendo a praticidade, porém morro de medo com o risco que ele corre todos os dias, pois sabemos muito bem que são reais.

Por: Maria Cristina Lages

De: Belo Horizonte Data e hora: 20/08/2016 - 12:31:31

lixo de texto. Comparar o Brasil com europa e EUA ta de brincadeira. Lá se respeitam leis aqui ninguem, principalmente motociclistas. Faça uma conta da quantidade de mortos e mutilados.

Por: Silvio

De: Sao Paulo Data e hora: 20/08/2016 - 03:40:33

Luciano tendenciosa tanto quanto do nobre engenheiro e sociólogo. Mas embasado. A culpa não é da motocicleta, mas do ser humano. Ou a culpa é do automóvel daqueles bêbados que mataram??

Por: André Garcia

De: São Paulo Data e hora: 19/08/2016 - 21:10:56

Sua opinião é tendenciosa. Percebe-se que vc é um apaixonado por motocicletas e respeito sua paixão. Mas hoje a motocicleta representa a maior catástrofe na saúde publica brasileira com custos altíssimos em perdas de vidas e sequelados que se tornam inválidos. Basta ver a forma como as motocicletas

Por: Luciano

De: Data e hora: 19/08/2016 - 18:57:31

Parabéns, André. Já reproduzi no portal Você e Sua Moto. Faço minhas as suas palavras. Está em EDITORIAL

Por: Luis Sucupira

De: Fortaleza Data e hora: 19/08/2016 - 18:13:02

André Garcia, moro em São Paulo e vejo acidentes de moto dia sim, dia não nos meus trajetos. Os dados que você coloca na sua resposta me parecem bastante plausíveis ao estabelecer responsabilidade também dos motoristas de outros veículos além da moto. Contudo, percebo que você não entendeu bem as co

Por: Sheyla

De: São Paulo Data e hora: 19/08/2016 - 17:27:03

Obrigado, Dr.André Garcia. Nós, motociclistas, estamos bem representados por V. Ex.ª. Odil

Por: Odil

De: Campinas Data e hora: 19/08/2016 - 13:18:51

Em 2009, comprei minha primeira moto. E não vou dizer que foram só alegrias...mas a conscientização pregadas por pessoas tais como o André, ainda estou aqui são e salvo. Graças a utilização correta dos equipamentos de segurança. Quais aprendi lendo, conversando e me conscientizando da necessidade da

Por: Renan Lopes

De: Ourinhos Data e hora: 19/08/2016 - 11:23:25