Sexta-Feira | 29 de Julho de 2016 | 14h31

Projeto pioneiro na produção de biogás completa sete anos

Após anos gerando energia elétrica e térmica com dejetos de animais, Condomínio Ajuricaba proporciona saneamento e melhor qualidade do ar

 

Sete anos após o lançamento, o Condomínio de Agroenergia Ajuricaba apresenta resultados ambientais e de qualidade de vida para moradores da zona rural de Marechal Cândido Rondon no oeste do Paraná. Já foram tratados em torno de 124 mil m³ de dejetos, o que é equivalente a 124 mil caixas d'água de mil litros. O projeto foi o primeiro arranjo do país a produzir biogás por meio dos dejetos de animais de 33 propriedades com atividades de bovino e suinocultura, que são interligadas por uma rede coletora de gás.

 

A união dos pequenos produtores soma resultados imensos para o meio ambiente e o agronegócio.Os biodigestores reduzem em 90% a emissão de dióxido de carbono (CO2). Desde 2014, o Condomínio opera em Geração Distribuída (GD), está conectado à rede da Companhia Paranaense de Energia (Copel). O uso do biogás em fogões, para o cozimento dos alimentos foi implantado há quatro anos em 16 propriedades, e já evitou o uso de aproximadamente 1,5 mil botijões de gás de petróleo liquefeito (GLP).

 

A iniciativa começou em agosto de 2009 pela Itaipu Binacional, a prefeitura do município e o Centro Internacional de Energias Renováveis/CIBiogás. Após a implantação, a biomassa residual produzida nas propriedades passou a ser tratada por meio de biodigestores de lagoa coberta ou rígido, onde se produz biofertilizante e biogás que é usado na geração de energia elétrica e térmica. O CIBiogás é responsável pela operação, manutenção e consultoria aos envolvidos no Ajuricaba.

 

Quem aceitou fazer parte do projeto inovador tem motivos para comemorar. É o caso do produtor rural, David Dilkin, que a cada ano colhe mais resultados. “O projeto melhorou muito as nossas condições. Nós não precisamos mais comprar gás. Também aumentou em mais de 100% a produção de milho e o pasto. Quando nós começamos tínhamos 10 ou 12 cabeças de gado e agora temos 30”, avalia.

 

Ao longo desses sete anos, além de fortalecer a renda dos agricultores diretamente envolvidos, o projeto beneficiou 111 propriedades rurais na microbacia ao garantir um ambiente mais limpo, com maior qualidade de ar e da água pelo saneamento ambiental. O resultado é o desenvolvimento de toda a região.

 

Negócio sustentável

 

O Condomínio Ajuricaba está passando pela mais ampla readequação já feita na estrutura. O objetivo é transformar o projeto em um negócio sustentável. A substituição de equipamentos foi definida após uma série de análises. Entre as principais novidades está a modernização da Microcentral Termoelétrica (MCT), que preparará o Ajuricaba para atender novas demandas energéticas.

 

O sistema de refino do biogás passará por uma modernização e ampliação da capacidade. Hoje a vazão de entrada é em torno de 40 m³/hora de biogás e a pretensão é ampliar para 100 m³/hora. As novidades incluem ainda a implantação de novos gasômetros nas propriedades e na MCT para garantir o aumento da capacidade de armazenamento do gás. Outra diferença está no incremento de mais uma opção para o uso da energia térmica - que poderá ser utilizada no secador de grãos instalado dentro da central. Todas as adaptações para as mudanças estão sendo feitas de forma gradativa e devem ficar prontas no final deste ano.

 

 

Sobre o CIBiogás

 

O CIBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis–Biogás) é uma instituição científica, tecnológica e de inovação, formada por um conselho, com 16 instituições que desenvolvem e/ou apoiam projetos relacionados às energias renováveis. Sua estrutura conta com um laboratório de biogás, no Parque Tecnológico Itaipu, em Foz do Iguaçu, e com 11 unidades de produção de biogás no Brasil.

 

Sugestão de legenda foto 1: Foram tratados cerca de 124 mil m³ de dejetos, o que é equivalente a 124 mil caixas d'água de mil litros, no Condomínio Ajuricaba

 

Sugestão de legenda foto 2: Projeto está passando pela mais ampla revitalização na estrutura desde a implantação em 2009

 

 

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