Terça-Feira | 2 de Agosto de 2016 | 16h2

Curtindo a noite

Por Cau Marques 

O mês sempre parece muito maior do que a grana, as semanas com sua dose de estresse acima do normal, trabalho excessivo e lucro inexistente, o trânsito das grandes cidades, casais terminam seus relacionamentos pelos mais diversos motivos, a economia, a política e a vida social parecem estar em ruínas...mas o brasileiro como sempre acha uma válvula de escape: as baladas, noitadas, happy hours, e distrações semelhantes.

Parece que a conhecida ideia de “pão e circo” nunca foi tão atual.

Todo mundo tem suas lamentações e frustrações e do jeito que as coisas andam, é compreensível deixar tudo que é de ruim do dia-a-dia na noitada. Ninguém é de ferro e, se aproveitando desta fase coletivamente ruim para o povo, as baladas, botecos e casas de shows parecem se multiplicar mesmo durante a crise.

A música ao vivo tem sido o pano de fundo para essas baladas e seus ambientes transados. As casas com essas apresentações e shows, já são maioria absoluta no Brasil, mas como todo aumento de demanda causa consequências na valorização do produto e na qualidade, isso tem trazido alguns problemas.

  A porcentagem de pessoas que frequentam um determinado lugar simplesmente pela bebida ou pela comida é quase inexistente se comparada à das que frequentam uma determinada casa por que se identifica com a programação artística do local.

Recentemente, conversando com amigos que estiveram em outros países como Irlanda, Canadá, Estados Unidos e Austrália, ouvi todos dizerem a mesma coisa: Não existe o conceito de “balada” nas casas noturnas de lá como aqui.

Casas que funcionam de 5ª a domingo, ou até mais dias da semana com uma programação fixa, é privilégio de brasileiro! Lógico que existem programações com temporadas em lugares turísticos, como Las Vegas por exemplo, mas nada comparado ao que acontece aqui.

Somos um dos povos mais baladeiros do planeta, mas a música ao vivo tem sido muito mal aproveitada e os artistas desvalorizados. Cantores e bandas por muitas vezes fazem apresentações de mais de 4 horas durante a noitada, a pedido de proprietários que comumente ignoram a importância destes artistas para a frequência, lotação e lucro da casa, aliás até o famoso couvert artístico desapareceu, por não ir devidamente para as mão de quem está se apresentando.

É esse tipo de empresários e contratantes que sempre acabam dando um jeito de transformar arte em obrigação e direitos em lixo.

À vocês que são público, fica a dica: Não vire as costas, não maltrate, não xingue o artista que está trabalhando honestamente cedendo a sua arte para o seu entretenimento! Valorize o som ao vivo e respeite os artistas da noite para que a “balada” como conhecemos, continue firme e forte por anos e anos.  

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