Domingo | 19 de Junho de 2016 | 11h44

160 anos de Ribeirão Preto e a importância do agronegócio para a cidade

Por Godi Júnior

Neste domingo, 19 de junho, Ribeirão Preto-SP completa 160 anos. Ao longo dessa história, nada foi tão marcante para a cidade como a sua força no agronegócio. Não é à toa que a cidade é conhecida mundialmente como a capital do agronegócio no Brasil e responsável pela maior feira da América Latina, a Agrishow.

 

Para entender um pouco mais essa trajetória, temos que voltar na era do café. A crise do café do Vale do Paraíba fez com que os fluminenses trouxessem as sementes dos cafezais para a nossa região.  Formaram-se, portanto, várias fazendas, sendo que seis famílias doaram suas terras para a construção da Paróquia de São Sebastião, que deu origem a Ribeirão Preto. Em 1856 foi feita a legalização da doação à Igreja, porém a data da fundação da cidade, em 19 de junho de 1856, só iria ser definida um século depois.

O desenvolvimento rápido da cultura cafeeira trouxe a riqueza e o progresso, e incentivou a chegada das chamadas "ferrovias do café". Em 1883, Henrique Dumont, o primeiro rei do café, trouxe para a cidade os trilhos da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, provocando um grande desenvolvimento para a região, que se transformou na maior produtora mundial de café. A notícia do crescente e contínuo desenvolvimento da nova cidade se propagou rapidamente entre 1890 e 1900.

O café trouxe muita riqueza, luxo e poder político para a cidade. Ribeirão Preto transformou-se na capital D’Oeste. Os coronéis e barões do café da primeira república usaram de toda a sua influência para fazer um presidente da República, Washington Luís, eleito em 1926.

Com o crescimento do café, a cidade foi ganhando uma nova estrutura. Começaram a surgir as indústrias e consequentemente, os monumentos históricos como, por exemplo, o Theatro Pedro II em 1930. O teatro por sinal é o marco de uma grande era do município. Para o economista Vicente Golfeto, o Theatro Pedro II é o ômega da cultura do café em nossa cidade.

“Quem não tem memória não tem imaginação”, disse o presidente francês François Mitterrand em seu livro Aqui e Agora. No Brasil em geral e em nossa cidade em particular, não raro, o futuro é refém do passado. Se não conhecemos o passado, não ficamos sabendo que futuro nós estamos construindo com os atos do presente. Não nos lembramos das pessoas. E de seus exemplos. Não nos lembramos também de suas obras. Nem das construções. Elas, quando têm valor histórico, devem ser preservadas para que se saiba de fato que passado não é o que passou. Passado é o que fica do que passou. Vejamos o Theatro Pedro II mencionado acima. Representando época. E escondendo – para quem não sabe interpretar – ou mostrando, para quem tem olhos de ver, o que significavam quando foram construídos. Arquitetura é a oratória do poder. Através dos prédios preservados podemos ter condições de entender a história mais racionalmente.

Crise de 1929

A maioria dos fazendeiros não resistiu à quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929. Os estoques formados pelas grandes safras acabaram provocando quedas nos preços. Isso seria o fim do ciclo do café na região de Ribeirão Preto.

Com o fim desse ciclo, os fazendeiros que tiveram condições financeiras para agüentar a crise do café, acabaram recorrendo a outros segmentos da agropecuária como, por exemplo, ao algodão, à cana-de-açúcar, aos cereais e à pecuária. A economia rural aos poucos foi se levantando, fazendo da região uma das principais produtoras agrícolas do Brasil. Atualmente, Ribeirão Preto carrega o nome de Capital do Agronegócio brasileiro.

Ribeirão é reconhecido como um município prestador de serviço. Isso veio desde os tempos de 1929, ou seja, com a queda do café o comércio e os serviços ganharam expressão. Hoje em dia, o comércio, os serviços, a rede de educação, a ótima qualidade da saúde, a tecnologia em comunicações, entre outros, fazem de Ribeirão Preto um polo de atração para investimentos. A cidade é uma das principais praças bancárias do país, e exibe um índice invejável, o de ter renda per capta de US$ 5 mil, muito acima da média nacional. Ribeirão Preto, hoje com 475.000 habitantes, tornou-se o centro de uma região com 80 municípios, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas.

A Era da Cana-de-Açúcar

No campo uma outra transformação ia se delineando. Aos poucos uma cultura, que já existia desde o século passado, começou a predominar. A cana-de-açúcar, que mudou o perfil da região.

Os imigrantes italianos do final do século passado e início deste, compraram terras e incrementaram o cultivo da cana após a queda do café. Alguns descendentes comandam as usinas de açúcar e álcool de hoje. Existem 34 usinas na região e 11 destilarias, respondendo por 29 % da produção nacional, sendo a maior produtora mundial de açúcar e álcool.

A crise do petróleo, na década de 70, provocou a necessidade de fontes alternativas de combustível, e motivou o governo brasileiro a incentivar a cultura canavieira. O setor deslanchou, com investimentos e conseqüente crescimento. Hoje as usinas investem na produção do álcool carburante, que deverá ser a solução para a continuidade do setor.

 

Fábio Meirelles, presidente da Agrishow
Foto: Fábio Codato

 

Agrishow

Ribeirão Preto é sinônimo de Agrishow, que consolida a integração do setor de agronegócio com o produtor rural, contribuindo para o aprimoramento das empresas rurais, elevando a produtividade, qualidade, segurança, sustentabilidade do homem do campo e o abastecimento da nossa população.

Neste dia especial, o presidente da Agrishow, Fábio de Salles Meirelles, também presidente do Sistema FAESP-SENAR/SP, deixou uma mensagem especial para o município. “Parabéns a Ribeirão Preto, sede da Agrishow no seu 160º aniversário! A capital do agronegócio brasileiro evidencia o dinamismo do setor, que tem compensado o apoio insuficiente do poder público, superando os grandes gargalos e fazendo do agronegócio um dos sustentáculos da nação brasileira!”.

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