Colunistas - Rodolfo Bonventti

Era uma Vez

3 de Junho de 2016

Novela discutia a evolução da sociedade tendo como pano de fundo um casarão

 

Depois do sucesso de “Escalada”, Lauro César Muniz se tornou peça fundamental entre os autores da TV Globo escalados para o horário das 20h30. E foi assim que ele retornou, quase um ano depois de encerrada essa novela, para marcar sua presença novamente na teledramaturgia nacional com mais um texto de primeira grandeza: a emocionante “O Casarão”, outra obra prima do autor.

 

A novela era um belíssimo painel sobre a decadência das tradicionais oligarquias cafeeiras paulistas e a ascensão de uma nova sociedade e de um novo tipo de comportamento, com discussões como o feminismo, o desquite, a política e os dramas da velhice. O painel de fundo era um casarão que abrigava descendentes de uma mesma família no período de quase oitenta anos.

 

O Casarão” inovou ao propor uma nova linguagem nos seus 168 capítulos, que começaram a ser exibidos em 7 de junho de 1976, tendo apenas Lauro César Muniz como autor e com Daniel Filho e Jardel Mello dividindo a direção. Essa nova linguagem chegou a provocar reações do público, que no início achou confusa uma história que se passava em três épocas ao mesmo tempo: primeiro em 1900, depois em 1926 e por último em 1936.

 

No entanto, com o decorrer da trama, que acabou se concentrando mais na segunda e na terceira fases, os telespectadores se acostumaram a entender o quebra cabeça proposto pelo autor, onde atores diferentes representavam o mesmo personagem em décadas também diversas.

 

Foi assim que Paulo Gracindo vivia o artista João Maciel nos anos 70, enquanto seu filho na vida real, o ator Gracindo Junior, era o mesmo João Maciel nos anos 30. Da mesma forma, Yara Cortes interpretava a Carolina da terceira fase enquanto Sandra Barsotti era a jovem Carolina dos anos 30 que vivia uma paixão por João, que foi interrompida por decisões familiares. Fechando o triângulo estava o personagem Atílio vivido na segunda fase por Denis Carvalho e na última fase por Mário Lago.

 

Gravada nos estúdios da Herbert Richers, na zona norte do Rio de Janeiro, a novela foi um sucesso de crítica e aos poucos foi conquistando o público pelo belo texto de Lauro César, a criativa direção de Daniel e Jardel e uma grande quantidade de belos trabalhos do grande elenco que viveu as três fases da novela.

 

Nos papéis centrais, brilhantes desempenhos de Paulo Gracindo, Yara Cortes e Mário Lago, que defenderam personagens que entraram para a galeria entre os melhores da nossa teledramaturgia.

 

Um grande elenco onde se destacaram também Paulo José como um diretor de cinema frustrado; Armando Bógus como o hábil comerciante Estevão; Aracy Balabanian, a solteirona e solitária filha  de Carolina e Atílio; Renata Sorrah, a neta de Carolina e Atílio que se rebela e põe fim a um casamento aparentemente perfeito; Oswaldo Loureiro, o chefe político Deodato Leme, que começa toda a história do casarão; Gracindo Junior como João Maciel, um jovem anarquista e ótimo artista plástico e Sandra Barsotti como a jovem Carolina, de muita vitalidade, alegria e que vive uma paixão e um amor impossível.

 

Vencedora de vários prêmios como a melhor novela de 1976, “O Casarão” teve uma cena final antológica com o encontro de João Maciel e Carolina quarenta anos depois de romperem uma linda história de amor.

 

Ainda no elenco destaque para Denis Carvalho, Bete Mendes, Miriam Pires, Edson França, Analu Prestes, Marcos Paulo, Lutero Luiz, Tony Correia, Paulo Gonçalves, Flávio Migliaccio, Laura Soveral, Marcelo Picchi, Maria Cristina Nunes, Juan Daniel, Daisy Lúcidi, Carlos Duval, Hélio Ary, Ana Maria Grova, Ruy Rezende, Thelma Reston, Ivan Cândido, Nestor de Montemar, Nilson Condé, Arthur Costa Fiho, Telma Elita, Zilka Salaberry, Valdyr Maya, Heloisa Helena, Fernando José, Neuza Amaral e Fernando Vilar. 

Foto 1 - A abertura da novela tinha como destaque o casarão que abrigava descendentes da família Leme

Foto 2 - Lauro César Muniz voltava ao horário nobre com um texto primoroso

Foto 3 - Sandra Barsotti e Gracindo Junior viviam Carolina e João Maciel na segunda fase

Foto 4 - Yara Cortes e Paulo Gracindo eram Carolina e João Maciel na terceira fase

Foto 5 - Paulo José, Renata Sorrah e Armando Bógus defendiam papéis importantes da trama

Foto 6 - Aracy Balabanian era a solteirona Violeta, aqui em cena com Paulo Gracindo

Foto 7 - Denis Carvalho ao lado de Mário Lago, um grande trabalho como Atílio na terceira fase

?Foto 8 - Paulo Gracindo e Yara Cortes em trabalhos marcantes nas suas carreiras

 

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