Cultura - Música

Só o palco já não basta!

29 de Fevereiro de 2016

Por Cau Marques

Boa semana amigos da música! Quanto mais pensamos que estamos livres em nossas escolhas, mais vigiados e dirigidos estamos sendo. Tudo bem, a tecnologia é essencial para se propagar qualquer tipo de ideia e, com a música não seria diferente, é claro. A  cultura linguística e musical tem sido afetada de maneira inversamente proporcional à demanda.

Quando um grupo de produtores, compradores de shows e toda equipe que envolve um artista, bem como a logística de um novo trabalho ou turnê, preferem consumir algo que já está pronto e já tem seu investimento, a arte perde pontos irreparáveis.

Ninguém quer apostar mais nada. Ninguém mais parece disposto em primeiramente “perder” algumas centenas de milhares de reais para algo realmente novo. Essa nova filosofia do “só ganhar”, já foi por mim abordada anteriormente em outros textos, mas o panorama parece ainda maior e mais triste. Anteriormente, esse processo “podre” de se construir artistas de mentira, se focava em mandar sucessos relâmpagos para a mídia (tv, rádio, internet), mas agora este sistema “oco” atingiu também o cenário das casas noturnas.

Os compradores de shows, mesmo sabendo que likes, views e seguidores, são descaradamente comprados, preferem ignorar a capacidade artística e relevar somente o lucro com venda de ingressos e com as bebidas consumidas. Depois ainda têm coragem de criticar a forma com a qual o Brasil é governado. O exemplo de querer ganhar sempre, não é dado somente pelo governo, mas os “favorecimentos”, viraram um câncer praticamente incurável em nossa sociedade.

Não basta somente agradar o público durante o show. Agora a moda é: qual artista traz mais “curtidas” para quem apresentou o show e promoveu o evento. Resultados comprados estão arruinando possíveis sucessos, matando os artistas que não tem investimento ainda na fase larvária. Bem que poderia ser assim com o mosquito da dengue, que para desviar o foco de milhares de problemas, se tornou o inimigo público número 1.

A única esperança é que as pessoas exijam o artista de seu gosto, pelo menos nas casas noturnas que costumam frequentar. Não dê as costas para o cantor ou banda que você gosta e curte, mas sim participe, incentive, indique o show que você gosta e não o que as pessoas querem que você goste, ou caso contrário, o próximo lugar que verá novos artistas, será nas calçadas e praças das cidades.

Artista bom, não dá brinde pra contratante! O show é o meio de vida do artista e investir no seu negócio é uma questão de possibilidade e não obrigação. Obrigação para a arte é talento e sempre será, queiram ou não!

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