Terça-Feira | 18 de Agosto de 2015 | 17h53

Exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro promove oficina gratuita de Capoeira sábado, na Caixa

Com vídeos, fotos, textos, peças de museus, manequins e objetos que retratam os 37 bens registrados como patrimônios imateriais, a exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro – a Celebração Viva da Cultura dos Povos oferece ao público oficina de Capoeira e Jongo naCAIXA Cultural São Paulo. A Capoeira será ensinada no sábado, 22 de agosto, às 14h, por Messias dos Santos, o Mestre Meinha. Já o curso de Jongo, acontece no dia 5 de setembro(sábado), às 14h e será ministrada por Messias Freitas. A participação é gratuita, basta enviar e-mail para patrimonioculturalsp@gmail.com e aguardar confirmação.

 
 

A oficina de Capoeira vai apresentar a Capoeira Angola a partir de vídeos, fotografias da Velha Guarda da Capoeira de São Paulo e dos instrumentos de percussão utilizados na modalidade. Os participantes também terão a oportunidade de aprender alguns dos movimentos e da dinâmica das rodas. O mestre Messias dos Santos formou-se em 1972 pelo Mestre Gato Preto da Bahia, e desde então, tem viajado para diferentes Estados brasileiros e cidades da Europa para apresentar seu trabalho.

 

O Jongo é uma dança de origem africana, praticada ao som de tambores. Durante a oficina, Messias Freiras, vai ensinar os passos e a musicalidade da dança. Freitas pesquisa, consome e divulga danças de matriz africana, é membro do Grupo Quilombismo, professor de danças na prefeitura e na Universidade Estadual do Rio de janeiro e é liderança do movimento cultural Jongo da Lapa, que tem onze anos de existência. Tem três CD's lançados e participa de diversos eventos jongueiros no sudeste do país. Sua principal atividade é a roda mensal que acontece debaixo dos arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, toda última quinta-feira do mês. Dentre as atividades oferecidas ou com a participação de Messias Freitas estão o evento Abril Para Angola (São Paulo), Encontro Nacional de Cultura (Maranhão) e apresentação de jongo na UNESCO.

 

Sobre a exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro – A Celebração Viva da Cultura dos Povos

 

O que têm em comum a dança fandango caiçara, o modo artesanal de fazer queijo, a festa do Divino Espírito Santo e a bebida cajuína? As manifestações das culturas, respectivamente, de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Piauí são patrimônios imateriais brasileiros e estarão na exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro – A Celebração Viva da Cultura dos Povos, que acontece na CAIXA Cultural São Paulo de 25 de julho a 20 de setembro.  A exposição, que tem entrada franca, foi idealizada pela relações públicas Fernanda Pereira, pelo produtor cultural Luiz Prado epela pesquisadora e escritora Mirna Brasil Portella.

 

A mostra exibe recortes de 37 patrimônios do Norte ao Sul do país. Eles estão divididos em quatro categorias registradas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional): SaberesLugaresCelebrações eFormas de Expressão. A exposição é dinâmica e viva, pois a cada temporada novos patrimônios vão sendo catalogados, o que enriquece ainda mais o conteúdo do acervo. Na primeira edição havia 30 patrimônios, hoje já são 37, sendo que outras dezenas estão em processo de registro pela instituição.

 

Entre os patrimônios nacionais, a idealizadora da mostra, Fernanda Pereira, destaca que cinco são reconhecidos pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. São eles o Samba de Roda no Recôncavo Baiano, a Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi, o Frevo: expressão artística do Carnaval de Recife, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e a Roda de Capoeira.“Para que o visitante possa circular, foram concebidas espécies de ilhas de conhecimento no espaço cenográfico”, explica Luiz Prado. “Promovemos um percurso que reúne as mais diferentes manifestações culturais reunidas em um único espaço”, explica.

 

“Os ambientes recriados são muito ricos e coloridos. Os textos de identificação de cada bem material também são simples para que todo o público possa compreender a importância da mostra”, complementa Fernanda. Para ilustrar ainda mais a exposição, peças originais foram emprestadas por museus e outras foram solicitadas diretamente por membros de diversas comunidades.

 

Em São Paulo, duas formas de expressão de significativo valor cultural foram registradas como Patrimônio Cultural Brasileiro: o Jongo do Sudeste e o Fandango Caiçara. O Jongo, presente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas e Espírito Santo, é uma forma de expressão afro-brasileira que integra percussão de tambores, dança coletiva e práticas de magia. O Fandango Caiçara é um conjunto de práticas de divertimento, música, dança e expressões poéticas encontrado entre os litorais de São Paulo e Paraná.

 

Durante 14 anos, o Iphan tem registrado patrimônios imateriais brasileiros, que são práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas enraizados em comunidades nacionais e passados de geração em geração. A exposição chega a São Paulo após temporadas no Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Recife que levaram cerca de 700 apreciadores às unidades da CAIXA por dia.

 

Através de elementos audiovisuais e recursos de interatividade, os frequentadores são convidados a não só conhecer, mas também vivenciar os ambientes catalogados como patrimônios imateriais. “O público poderá ver o barro usado para fazer a panela da moqueca, o processo de confecção, o significado desse trabalho e entender o saber envolvido na elaboração desses bens, como as bonecas Karajás, o próprio acarajé, uma festa religiosa ou mesmo a importância de uma cachoeira mítica", conta o curador Luciano Figueiredo.

 

Os Bens Imateriais Registrados no Brasil e na Exposição:

 

Âmbito Nacional

- Ofício dos Mestres de Capoeira

- Roda de Capoeira

Representado por vídeo, fotos e instrumentos (atabaque, agogô e berimbau) da capoeira

 

Nordeste (Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco)

- Teatro de Bonecos do Nordeste: Cassimiro Coco, no MA e CE; João Redondo e Calunga no RN; Babau na Paraíba Mamulengo em PE

Representado por quatro bonecos do Mamulengo

 

Amapá

- Arte Kusiwa - pintura corporal e arte gráfica Wajãpi

Representado por vídeos, fotos e texto

 

Amazonas

- Cachoeira de Iauaretê – lugar sagrado dos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri

Representado por vídeo e texto

- Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro

Representado por vídeo, texto e objetos como a cestaria, ralador e Tititi (objeto de palha que os índios usam para secar a mandioca)

 

Bahia

- Ofício das Baianas de Acarajé

Representado por óleo de dendê, indumentária da baiana, tacho com feijão fradinho, foto e texto

- Samba de Roda do Recôncavo Baiano

Representado por foto, vídeo, pandeiro e prato

- Festa do Senhor Bom Jesus do Bonfim

Representado por foto, texto e a réplica reduzida da grade da igreja em que os fiéis amarram fitinhas com pedidos. Neste local há um cesto com fitinhas que o público pode levar para casa ou amarrar na grade com seus pedidos

 

Espírito Santo

- Ofício das Paneleiras de Goiabeiras

Representado por foto, texto, panela, barro e tintura usada para tingir a panela

 

Goiás

- Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis

Representado por foto, texto e máscaras de papel machê (onça, boi e unicórnio)

 

Goiás/Tocantis

- Rtixòkò: expressão artística e cosmológica do Povo Karajá

Representado por acervo do museu do índio com as bonecas Karajás de barro pintadas (cerca de 40)

- Saberes e Práticas Associados aos Modos de Fazer Bonecas Karajá

 

Maranhão

- Complexo Cultural do Bumba-meu-Boi do Maranhão

Representado por réplica do boi e três roupas que representam a festa do Bumba Meu Boi, como o Capoclo de Pena

- Tambor de Crioula do Maranhão

Representado por texto, vídeo e fotos

 

Minas Gerais

- Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro e serras da Canastra e do Salitre

Representado por fotos e texto

- Toque dos Sinos em Minas Gerais/oficio do sineiro

Representado por vídeo com os diversos tons usados pelos sineiros

- Jongo no Sudeste (RJ/SP/MG/ES)

Representado por roupa usada pelas mulheres, fotos e vídeo

 

Mato Grosso/Mato Grosso do Sul

- Modo de Fazer Viola-de-Cocho (MT/MS)

Representado por três violas, sendo uma pronta e duas em processo de confecção

- Ritual Yaokwa do Povo Indígena EnaweneNawe (MT)

Representado por fotos e texto

 

Pará/São Paulo

- Círio de Nossa Senhora de Nazaré

Representado por corda, imagem da santa, berlinda/andor com a imagem da santa, girândola com brinquedos, casas de madeira, cruz e peças representando os ex-votos

- Festividades de São Sebastião na Região do Marajó

Representado por fotos e texto

- Carimbó, dança de roda

Representado por fotos e texto

- Modo de fazer Cuias no Baixo Amazonas

Representado por vinte cuias do baixo-amazonas

 

Pernambuco

- Feira de Caruaru

Representado por fotos e texto

- Frevo

Representado por boneca nordestina de Olinda usada no carnaval (artista: Silvio Botelho)

- Maracatu Nação

Representado por foto, texto e instrumento de percussão

- Maracatu de Baque Solto

Representado por indumentária do caboclo, texto e foto

- Cavalo Marinho

Representado por indumentária, máscaras, texto e foto

 

Piauí

- Cajuína

Representado por vídeo e várias garrafas de cajuína

 

Rio Grande do Norte

- Festa de Sant'Ana de Caicó

Representado por foto e texto

 

Rio de Janeiro

- Festa do Divino Espírito Santo de Paraty

Representado por indumentário do Imperador, pomba do divino, bandeiras, foto e texto

- Jongo no Sudeste (RJ/SP/MG/ES)

- Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de terreiro e samba-enredo

Representado por alguns instrumentos que compõem a bateria das escolas de samba, vídeo e texto

 

Sergipe

- Modo de Fazer Renda Irlandesa

Representado por texto e várias rendas com pontos diferentes, rabisco no papel e algumas peças prontas, como trilho de mesa e colares

 

Rio Grande do Sul

- Tava, Lugar de referência para o povo Guarani

Representado por vídeo e texto

 

Serviço

 

Exposição Patrimônio Imaterial - A Celebração Viva da Cultura dos Povos. Local: CAIXA Cultural São Paulo.Data: de 25 de julho a 20 de setembro de 2015. Horário: de terça a domingo, das 9h às 19h. Endereço: Praça da Sé, 111, Centro. Classificação indicativa: Livre. Entrada Franca. Acesso para pessoas com deficiência. Informações: (11) 3321-4400

 

Oficina de Capoeira com Messias dos Santos

Dia 22 de agosto, sábado, às 14h. Duração: 180 minutos. Local: Salão Nobre da CAIXA Cultural São Paulo.Endereço: Praça da Sé, 111, Centro.

 

Oficina de Jongo com Messias Freitas

Dia 5 de setembro, sábado, às 14h. Duração: 180 minutos. Local: Salão Nobre da CAIXA Cultural São Paulo.Endereço: Praça da Sé, 111, Centro.

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